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Quinta-feira, Outubro 21, 2021

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Constância | O “advogado de Camões” que tenta provar a presença do poeta em Macau

Tentar provar documentalmente a presença do poeta Luís de Camões em Macau foi o desafio a que se propôs, desde 2006, o magistrado Eduardo Correia Ribeiro. Dessa investigação resultaram até ao momento quatro livros, um deles em inglês, e inúmeras conferências.

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No domingo, dia 17, foi a vez da Casa-Memória de Camões em Constância, receber a conferência intitulada “A historicidade da presença de Camões em Macau”.

António Matias Coelho, Presidente da Associação da Casa-Memória, começou por agradecer a presença do conferencista e lamentar o facto de haver pouco público na plateia, situação que não desmotiva os responsáveis da organização empenhados em revitalizar a Casa-Memória.

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O conferencista Eduardo Ribeiro nasceu em 1948 em Moçâmedes, Angola e é licenciado em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa. Foi magistrado do Ministério Público e Judicial em Angola (1973-1979), advogado, consultor jurídico da Sonangol e diretor do gabinete jurídico do Ministério dos Petróleos (1979-1982) e advogado no Porto, de 1982 a 1985.

Em Macau, onde chegou em 1985, foi diretor da Inspeção de Contratos e Jogos (1986-1988), diretor dos Serviços Prisionais e Reinserção Social (1987-1990), coordenador-adjunto do Gabinete para a Prevenção e Tratamento da Toxicodependência (1990-1992) e administrador da Imprensa Oficial (1993-1998).

Quase 30 anos depois de permanência em Macau regressou a Portugal. Foi, aliás, em Constância que, em 2011, após o regresso, realizou a sua primeira conferência sobre Camões.

A investigação de Eduardo Ribeiro sobre a presença de Luís de Camões em Macau começou em 2006 e desde então não tem parado. Defende a presença do poeta em Macau e baseia-se essencialmente em três descobertas: uma relação dos bens de raiz do Colégio de São Paulo de Macau, manuscrito encontrado em 1911 por Jordão de Freitas, bibliotecário da Ajuda; uma versão extensa, manuscrita, da Década VIII, localizada em 1917 por João Grave na Biblioteca Pública Municipal do Porto; e o Cancioneiro de Cristóvão Borges, publicado pelo professor Arthur Askinsem.

Ao longo da conferência, Eduardo Ribeiro foi dando conta dessas descobertas que fez e que reforçam os indícios já existentes da historicidade da presença de Camões em Macau, trazendo outra luz à própria tradição oral relativa a essa presença.

O seu interesse pela temática foi “espicaçado” quando na primeira década deste século o Prof. Rui Manuel Loureiro publicou um texto intitulado “Mito Historiográfico”, num dos números da Revista de Cultura Internacional, onde questionava a presença de Camões em Macau.

Da exaustiva e incessante investigação de Eduardo Ribeiro resultou o livro “Camões em Macau – Uma verdade historiográfica”, editado em 2013 pela“Labirinto de Letras”e que se encontra esgotado. Na obra procura-se dar respostas a várias questões, das mais simples às mais complexas: porquê, quando, como e com quem foi Camões para Macau? Quantos anos lá esteve? O que lá escreveu? Quando e com quem regressou à Metrópole?

Para o conferencista, Camões esteve em Macau de 1562 a 1564, depois permaneceu três anos em Goa e cerca de um ano em Moçambique, regressando depois ao Reino.

A organização lamentou haver pouco público (Foto mediotejo.net)

Com base em documentos, Eduardo Ribeiro chega a pôr em causa alguns dados do Prof. José Hermano Saraiva, por exemplo em relação à data da ida para Macau. Para Hermano Saraiva, Camões foi para Macau em 1563 com Jesuítas, mas para Eduardo Ribeiro a viagem do poeta aconteceu em 1562 na companhia de Pêro Barreto Rolim.

Eduardo Ribeiro investiga o tema desde 2006 (Foto: mediotejo.net)

O cronista Diogo de Couto (c.1542 -1616), que conviveu com Camões em Macau, em Goa, em Moçambique e no regresso ao Reino, é uma das principais fontes de informação do “advogado de Camões”, como chegou a ser apelidado.

Foi com entusiasmo que Eduardo Ribeiro falou das suas descobertas, ficando no ar o desafio de, em Constância, se prosseguir as investigações no sentido de se confirmar, com base em documentos, a presença de Camões na Vila-Poema. Sendo certo que o “falar do povo”, a tradição oral, “impõe-se por si mesmo”, no caso na presença de Camões, a confirmação documental vem dar um outro impulso à investigação histórica sobre o tema.

“Como em Constância, a presença de Camões em Macau é atestada essencialmente pela tradição. Mas, também como em Constância, há claros indícios da historicidade dessa presença”, refere António Matias Coelho.

O Presidente da Associação da Casa-Memória sublinha os “três poderosos argumentos demonstrativos de que o povo fala verdade quando diz que Camões esteve em Macau. Como quando afirma que o épico esteve em Constância”.

 

 

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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1 COMENTÁRIO

  1. Excelente reportagem: clara, objetiva, bem documentada. Séria. Parabéns, José Gaio!

    António Matias Coelho
    Presidente da Direção da Associação Casa-Memória de Camões em Constância

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