Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -
Terça-feira, Novembro 30, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Constância | No Acampamento Margaridas não há Carnaval, mas sim Baden-Powell

O vigésimo sétimo Acampamento Margaridas, do Agrupamento 707, voltou a trazer centenas de escuteiros de todo o país a Constância. Este ano são quase 700 os que chegaram no passado dia 25 e ficaram pelo concelho até esta terça-feira, dia 28, divididos nos quatro campos montados no Centro de Ciência Viva dedicados aos patronos do escutismo. Conhecemos o acampamento e fomos ao encontro dos Lobitos, Exploradores, Pioneiros, e Caminheiros guiados pelo chefe Paulo Almeida.

- Publicidade -

O Acampamento Margaridas teve início no Carnaval de 1990 e tem regressado todos os anos a Constância pela mesma altura. No entanto, a folia carnavalesca está muito longe de ser o mote desta iniciativa organizada pelo Agrupamento 707, do Corpo Nacional de Escutas (CNE), localizado na zona sul do concelho. Este ano não foi exceção e centenas de escuteiros vindos de todo o país chegaram a Constância para vivenciar em conjunto os ensinamentos de Robert Baden-Powell.

Os quatro campos montados no Centro Ciência Viva no sábado passado respeitam a divisão feita pelo autor do manual “Escutismo para Rapazes”, publicado em 1908, – Lobo, Maçarico, Touro e Corvo – inspiradas no desafio lançado nesta vigésima sétima edição pelo Agrupamento 707 de terem como tema os quatro patronos do escutismo (São Francisco de Assis, São Tiago Maior, São Pedro e São Paulo).

- Publicidade -

O acampamento tem lugar no Centro Ciência Viva de Constância. Fotos: mediotejo.net

Ao longo de quatro dias mostram que “Nem tudo é Carnaval”, lema geral do Acampamento Margaridas que Paulo Almeida, do Agrupamento 707, justifica dizendo que “apesar de se viver a folia do Carnaval nesta altura, vivemos inteiramente a vida e os ideais de Baden-Powell”. Visitámos o acampamento no segundo acompanhados pelo chefe que dedicou 34 dos 38 anos de idade à vida de “Escuta” e com ele partimos à descoberta das secções que se encontravam em atividades externas nos concelhos de Constância e Abrantes.

Os lobitos foram encontrados com os seus lenços amarelos a meio de uma caçada/caminhada no Parque Ambiental de Santa Margarida e os exploradores com os lenços verdes em Constância num Jogo de Vila que, no terceiro dia, daria lugar a um raid. Os pioneiros, com os seus lenços azuis, tinham iniciado um raid de 28km na noite anterior em Rio de Moinhos e os caminheiros, de lenço vermelho, foram encontrados em pleno hike do Tramagal para Rio de Moinhos com a travessia do rio Tejo em canoas.

Os lobitos e os exploradores. Fotos: mediotejo.net

Questionado sobre os elementos que um escuteiro deve levar na sua mochila, Paulo Almeida destacou que tudo começa na “lista que é dada ao lobito”, a qual vai aumentando consoante a secção em que se encontra. Fundamentais são o saco-cama, esteira, material de higiene, muda de roupa e alimentação aos quais se junta o “sorriso” dos mais novos. Os exploradores acrescem-lhe o chapéu e o cantil para a água e os pioneiros não podem esquecer a bússola.

Dos caminheiros, “os irmãos”, espera-se o progresso para “os Homens de amanhã, os Homens novos”, pelo que devem viver “mais espiritualmente o escutismo”, levando o Evangelho às costas. Este ponto faz a distinção entre o CNE, ligado à religião católica, e a Associação dos Escuteiros de Portugal (AEP), que está na génese do escutismo em Portugal (1912) e admite pessoas de outras confissões religiosas ou quem não as tenha. A lista das associações escutistas em território nacional seguidoras das palavras do militar britânico engloba, igualmente, a Associação Guias de Portugal (AGP).

Os pioneiros e, os caminheiros e o chefe Paulo Almeida (em baixo, à direita). Fotos: mediotejo.net

As três associações são unidas pela “saudação escuta”, que corresponde aos três princípios (o Escuta orgulha-se da sua fé e por ela orienta toda a sua vida, o Escuta é filho de Portugal e bom cidadão e o dever do Escuta começa em casa), às três pétalas da flor de Lis, que orienta os escuteiros “sempre para o norte”, e o polegar sobre o mindinho em representação do “mais forte que protege o mais fraco”. Princípios que devem ser postos em prática todos os dias, assim como os 10 artigos que formam a Lei, baseados na honra, lealdade, solidariedade, amizade, respeito ao próximo e à natureza, obediência, alegria, sobriedade e pureza.

Segundo Paulo Almeida, na mochila não pode faltar outro elemento fundamental, espaço para levarem para casa a “partilha” e o “conhecimento” que integram qualquer acampamento escutista. Não só dos momentos de convívio vividos na alcateia, expedição, comunidade e clã, mas também dos Fogos de Conselho em que mostram o que sentem, incluindo a crítica, através de peças teatrais. Outra aprendizagem vem da competição contínua entre as secções dos exploradores e dos pioneiros, que partilham a divisa “alerta”, à qual se juntam a “boa vontade” dos lobitos e a “servidão” dos caminheiros.

Os quatro campos têm como tema os patronos dos escuteiros. Fotos: mediotejo.net

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome