Constância | Netos afloraram memórias dos avós no jardim de Camões

Sessão de apresentação do livro "Avós: Raízes e Nós", no Jardim-Horto de Camões, em Constância. Fotografia: mediotejo.net

Dificilmente haveria um cenário mais adequado para a apresentação de um livro como “Avós: Raízes e Nós”, uma compilação de 58 textos evocativos das marcas que mulheres e homens de outros tempos, com profundas ligações à terra, deixaram nos seus netos. No jardim-horto de Camões, em Constância, ao final da tarde de sábado, recordaram-se as flores e os espinhos destas vidas, que mesmo na adversidade deram frutos, e que, tal como as árvores, morreram de pé.

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Com as cadeiras espalhadas pelo jardim, mantendo as distâncias que estes tempos exigem, e à sombra do arvoredo de um espaço deslumbrante, desenhado há 30 anos pelo arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, o presidente da Casa-Memória de Camões, António Matias Coelho, foi conduzindo uma sessão emotiva, com a intervenção de oito dos autores (incluindo ele próprio, que recordou a sua avó Nunes, que “gostava muito de viver – e viveu muitos anos, quase cem”).

Da nossa região falaram também Aida Baptista, professora do Sardoal e co-organizadora da obra, e Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal do Sardoal, que no livro evoca o avô Borges, que lhe comprou o primeiro acordeão, fazendo brotar em si a paixão pela música, mas que nesta tarde à beira Tejo também recordou a sua avó pegacha (do Pego, em Abrantes), as suas maravilhosas migas e o dialecto peculiar, arrancando algumas gargalhadas aos presentes – entre eles o presidente da Câmara Municipal de Constância e o presidente da Junta de Freguesia de Santa Margarida da Coutada, que ouviam deliciados as histórias ali partilhadas.

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Ana Roque de Oliveira, António Luís Cotrim, Inês Marques, Joaquina Pires e Sandra Barradas foram os outros autores que, em Constância, evocaram memórias dos seus avós e, consequentemente, nos levaram numa viagem a esses outros tempos que, para bem e para o mal, tão diferentes são dos de hoje.

Sessão de apresentação do livro “Avós: Raízes e Nós”, no Jardim-Horto de Camões, em Constância. Fotografia: mediotejo.net

Este “Avós: Raízes e Nós”, editado pela Alma Letra, ganhou forma durante a quarentena imposta pela pandemia de covid-19, por iniciativa das professoras Aida Baptista, Ilda Januário e Manuela Marujo, entendendo que “este era o tempo ideal para refletirmos sobre os danos que o isolamento e as rupturas afetivas causaram a muitos avós que, durante meses, se viram privados da companhia dos netos”. A melhor maneira de os elogiar, pensaram, “seria recordar, através de um conjunto de narrativas, a forma como os avós – presentes ou ausentes – marcaram as vidas de todos nós”.

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José Martinho Gaspar é outro dos autores da região do Médio Tejo que figura na obra (professor, historiador, escritor), recordando o seu avô Vicente Nunes Serras, de Água das Casas, Abrantes, um daqueles homens que “sabia tudo e sabia fazer tudo”, mesmo sem ter ido à escola.

Deste fim de tarde em Constância fica a certeza de que vale a pena ir lendo estes pequenos textos, quase em jeito de cartas de amor, no sossego de um qualquer jardim. As histórias que ali se contam falam-nos, inevitavelmente, também dos nossos avós – e de raízes, e de nós.

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