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Constância | Necessidade do combate à covid-19 aguça o engenho para máquina que desinfeta mãos

Digamos que a aplicação da palavra empreendedorismo no vocabulário regular já viu melhores dias, os elogios a start-ups também, mas em tempos de pandemia parece renovada a pertinência do provérbio “a necessidade aguça o engenho” quando a solução permite passar ao lado da lay-off, centrando-se na criatividade perante a oportunidade. E assim aconteceu com a empresa H.JDP Alimentar Unipessoal Lda. com sede em Abrantes e fábrica em Montalvo, no concelho de Constância, ao desenvolver a Alcoolmatic, uma máquina automática de desinfeção de mãos, para utilização no combate à pandemia da covid-19.

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A H.JDP nasceu em março de 2016 a pensar no desenvolvimento de “máquinas e equipamentos para a indústria alimentar e, nesse campo, construímos também sistemas de higiene industrial”, conta o proprietário Daniel Pereira ao mediotejo.net. Com o próprio, a empresa contabiliza atualmente 12 trabalhadores.

Após alguns anos de experiência adquirida noutras empresas de construção industrial, Daniel decidiu arriscar o seu próprio negócio e aventurar-se pela via da excecionalidade, tornando o seu modelo mais abrangente. A empresa apresenta capacidade técnica para trabalhar diversas ligas metálicas, nomeadamente o aço inoxidável, o ferro, o alumínio, o cobre e o titânio.

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“Aos poucos comecei a ter uma boa equipa na empresa”, nomeadamente contando com um engenheiro eletrotécnico, um engenheiro mecânico e um técnico superior de higiene e segurança no trabalho. “Começámos a alargar horizontes e a desenvolver projetos inexistentes no mercado”, explica. Por exemplo a H.JDP é “a única empresa do mundo que fabrica uma máquina capaz de produzir flor de sal”, diz.

Uma empresa que parece mostrar potencial para brilhar num mundo totalmente ligado e agora a braços com uma pandemia. Neste momento “já estamos a exportar para Espanha e estamos a negociar com empresas europeias para vender na Europa”. Sendo que a empresa tem outras ideias na calha para novos produtos na área da higienização com ambições além fronteiras, conta Daniel, sem revelar, para já, o segredo do seu negócio.

Há cerca de um mês, a empresa tinha em armazém equipamentos para entrega a clientes, “a situação da pandemia foi notada logo em meados de fevereiro com uma queda em 80% na faturação e, em março, tentámos encontrar uma solução”. O engenheiro Miguel Pereira apresentou uma ideia: uma máquina para desinfeção de mãos em espaços públicos. “Cada membro da equipa, com sua experiência, deu um contributo, discutimos o formato da máquina e começámos a produzir”.

Assim, desde a ideia, ao projeto passando à execução, “num dia e meio” nasceu a Alcoolmatic. “A ideia surgiu numa quinta-feira à noite e na segunda-feira à hora de almoço a máquina já estava em exposição. A fábrica do Caima, no concelho de Constância, foi o primeiro cliente”, revela.

A tecnologia da higiene industrial aplicada nas mãos. Créditos: DR

Resume-se à aplicação da tecnologia da higiene industrial, neste caso, às mãos. A máquina é fabricada em aço inox, com um peso de 25 quilogramas, com um depósito com capacidade para quatro litros de solução hidroalcoólica que dá para duas mil desinfeções; com funcionamento automático através de sensor de proximidade, não é necessário tocar no equipamento, apenas colocar as mãos no dispensador; o produto desinfetante é aplicado através de aspersores de nebulização; e basta ligar a uma ficha monofásica de 230Vac.

A Alcoolmatic “tem uma bomba, um sensor e uns aspersores. Basta colocar as mãos no equipamento e pulveriza o desinfetante”, explica Daniel. A máquina “tem tido muita procura, quem compra está satisfeito e vai passando a palavra”.

Enquanto lojas, restaurantes e outras empresas fecharam as suas portas devido à crise pandémica que deixou vários trabalhadores sujeitos a despedimentos ou lay-off, a H.JDP Alimentar Unipessoal Lda. encontrou uma forma de passar ao lado das dificuldades conseguindo focar-se e responder às necessidades do mercado.

Embora ainda respondam a outros projetos, cerca de 60% dos trabalhadores estão agora a trabalhar na máquina de desinfeção das mãos. “Sempre tivemos trabalho mas não era suficiente para a viabilidade da empresa. Com a máquina conseguimos equilibrar e manter os postos de trabalho”, indica Daniel.

Presentemente a empresa tem uma capacidade de produção na ordem das 50 máquinas por semana. “Mas tendo em conta o aumento do número de encomendas, conseguimos fazer mais”, assegura o empresário, que confessa que inicialmente andava preocupado com a situação. Em março “vivemos uma semana muito difícil a tentar encontrar soluções para manter a porta aberta”, admite.

A Alcoolmatic já é uma realidade em vários espaços da região, de farmácias a autarquias. Créditos: DR

Entretanto, a empresa ofereceu três máquinas ao concelho de Constância para colocação “na Junta de Freguesia, na Câmara e na Loja do Cidadão”, e outras três máquinas ao concelho de Abrantes para colocação” na escola de Rio de Moinhos, na Câmara Municipal e nos Serviços Municipalizados”, revelou o empresário.

Ofereceu ainda “cinco litros de concentrado anti-viral com capacidade para transformação em mil litros de desinfetante ao Centro de Apoio Social Aconchego em Vale de Cavalos” e ainda duas máquinas para desinfetar as mãos a profissionais que estão na linha da frente ao combate à covid-19. “Uma aos bombeiros de Abrantes e outra aos bombeiros de Constância”.

Daniel Pereira é empresário mas também fala num espírito de missão e da solidariedade social que as empresas devem ter, sentindo-se satisfeito por poder contribuir, com esta invenção, no combate a esta pandemia.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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