Constância | Município ajuda famílias carenciadas a comprar medicamentos (c/ vídeo)

“O que interessa é ter os meus munícipes bem servidos, que tenham uma boa qualidade de vida, independentemente se essa competência está atribuída aos Municípios ou à Administração Central”, afirmou o Presidente da Câmara Municipal de Constância, Sérgio Oliveira na cerimónia de assinatura do protocolo entre o Município e a Associação Dignitude com vista a operacionalizar o programa abem: Rede Solidária do Medicamento.

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A sessão decorreu no dia 27, no salão nobre da Câmara, na presença de elementos do Executivo e de um representante das farmácias do Concelho.

Na sua intervenção, o Presidente da Câmara, depois de fazer uma caracterização social do Concelho, apontou como prioridade da sua gestão “as pessoas”, assumindo os problemas sociais que existem e procurando soluções para os mesmos. É nessa perspetiva que surge o protocolo com a Associação Dignitude e o Cartão Municipal do Idoso.

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Assinatura do protocolo entre a Câmara Municipal de Constância e a Associação Dignitude para implementar o programa abem: Rede Solidária do Medicamento

Publicado por mediotejo.net em Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2018

O autarca reconhece que, apesar da importância do protocolo, o passo que agora é dado pode ser considerado simbólico uma vez que neste primeiro ano está previsto o apoio a 20 agregados familiares o que representa um esforço orçamental de 2 mil euros.

“Vamos avançar de forma modesta, de forma ponderada”, afirma Sérgio Oliveira. Assegura, no entanto, que se houver necessidade a verba será reforçada.

Destacou ainda a objetividade e clareza das regras definidas no acesso à comparticipação nos medicamentos previstas no protocolo.

Na sua intervenção, Maria de Belém Roseira, ex-Ministra da Saúde, ali na qualidade de Procuradora da Direção da Associação Dignitude, sublinhou a importância do ato sobretudo para as pessoas que não têm capacidade para comprar os medicamentos prescritos pelos médicos.

“Estudos revelam que os pobres normalmente têm mais doenças, doenças mais graves e com pior prognóstico”, afirmou Maria de Belém em declarações aos jornalistas, para destacar a importância do programa abem.

E revelou um dado interessante. Contrariamente ao que se poderá pensar, não são os idosos os mais necessitados deste tipo de apoio, mas sim os agregados familiares com crianças, famílias carenciadas que não têm capacidade financeira para comprar os medicamentos para os seus filhos. “É uma dor de alma”, desabafou.

Outro aspeto que fez questão de realçar é que “todos os donativos angariados pela Associação são rigorosamente canalizados para esta ação”.

Para Maria de Belém, os Municípios “têm um papel importante” no projeto, tal como as farmácias, que também são parceiras. Mas quem assume “o grosso das despesas” são a Associação Nacional de Farmácias e a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica.

Atualmente a Rede Solidária do Medicamento abrange quase 4 mil beneficiários, mas até ao final do ano, o programa propõe-se apoiar cerca de 25 mil pessoas.

O objetivo é garantir o acesso ao medicamento em ambulatório por parte de qualquer cidadão que se encontre numa situação de carência económica que o impossibilite de adquirir os medicamentos comparticipados que lhe sejam prescritos por receita médica.

São destinatários, em geral, os indivíduos beneficiários de prestações sociais de solidariedade mas igualmente todos os que se deparem com uma situação inesperada de carência económica decorrente de desemprego involuntário ou de doença incapacitante, entre outras situações de carência.

São potenciais beneficiários deste apoio, todos os agregados familiares cuja capitação seja inferior a 50% do Indexante dos Apoios Sociais (IAS), mais concretamente, 210,66 euros.

Em Constância, conforme o Presidente da Câmara anunciou, após a assinatura do protocolo, o Município, através do Serviço de Ação Social, Saúde e Educação, vai abrir um período de candidaturas para avaliar as situações a apoiar.

Segundo Martins Nunes, presidente do Comité de Fundraising (angariação de fundos) da Dignitude, estas “parcerias são muito valiosas, quer pela proximidade aos cidadãos que mais precisam, quer pela extraordinária capacidade dos municípios de intervenção na sociedade”.

“Todos juntos podemos diminuir o sofrimento dos que mais precisam e daqueles que aqui podem encontrar um apoio para a sua situação de dificuldade num momento de fragilidade como é a doença. Uma sociedade solidária é uma sociedade justa”, cita o comunicado da associação.

A criação da Associação Dignitude, em novembro de 2015, foi promovida pela Associação Nacional de Farmácias, Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica, Cáritas e Plataforma Saúde em Diálogo e resulta de várias parcerias instituídas com entidades a nível local, autarquias, Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e outras instituições da área social.

Além de António Arnaut, considerado o “pai” do Serviço Nacional de Saúde, por ter procedido à sua criação quando era ministro dos Assuntos Sociais, em 1979, o general Ramalho Eanes e a antiga ministra da Saúde Maria de Belém Roseira, são embaixadores da associação os farmacêuticos Odette Ferreira, Francisco Carvalho Guerra, João Gonçalves da Silveira e João Cordeiro.

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José Gaio
Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.
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