Constância | Moradores da Capareira protestam por ruído na A23 desde 2007 (c/VIDEO)

A população residente na zona da Capareira, em Constância, continua sem ver os problemas do ruído resolvidos, tendo a autarquia assegurado aos moradores que iria colocar uma barreira de ciprestes até ao final de novembro, não o tendo ainda feito. São cerca de 70 as habitações construídas nas proximidades da A23, cujos moradores sofrem na pele e diariamente o problema do ruído, num problema cuja solução passa ainda pela Infraestruturas de Portugal, que reconhece que os valores de ruído no local ultrapassam os limites legais.

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Contactado pelo mediotejo.net, o presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira confirmou o atraso na colocação das árvores que justificou com um “problema interno”, tendo assegurado que “até ao final do ano” 2019 serão colocadas as mais de uma centena de ciprestes entre o bairro e a A23.

“É uma fileira de cerca de 120 metros e cerca de 120 ciprestes que vão ser colocados lado a lado, numa distância de um metro entre si. Terão um metro de altura, mas depois vão crescendo e constituirão uma barreira natural”, disse o autarca, numa ação que visa substituir as árvores existentes e que foi concertada com os moradores daquela urbanização de Constância.

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Em 2020, a IP, por sua vez, anunciou que iria proceder à substituição do pavimento naquela zona da A23 para redução do ruído que está em causa neste protesto que os moradores têm há vários anos, havendo registos de protestos desde 2007.

“Para nós a substituição do pavimento não será solução para o problema e insistimos recentemente com a IP que, no nosso entender, é necessário que coloquem barreiras sonoras”, disse ainda Sérgio Oliveira.

Poluição sonora na Capareira: um caso que remonta ao ano 2007

Um grupo de moradores da zona da Capareira, em Constância, foi recebido pelo presidente da Câmara no dia 1 de agosto para abordarem em conjunto os dois principais problemas que há vários anos afetam quem reside naquela zona junto à A23: o ruído do trânsito na auto-estrada e as árvores entre a via e as moradias. A autarquia chegou a um acordo com os populares e também fonte oficial da Infraestruturas de Portugal assegurou ao mediotejo.net que vai desenvolver uma empreitada em que está prevista a colocação de barreiras acústicas em vários troços e aplicar uma camada de desgaste com características de absorção acústica.

Confrontado com o arrastar dos problemas naquela zona de Constância e com a insatisfação dos moradores, o presidente do município, Sérgio Oliveira (PS) convocou na ocasião os residentes das moradias em banda que mais se queixam daqueles problemas para tentar encontrar soluções.

Moradores da urbanização da Capareira. Foto: mediotejo.net

Se a questão das árvores tem a ver com a autarquia, o mesmo já não se pode dizer do ruído. Segundo a moradora Suzana Branco, desde 2007 que a Infraestruturas de Portugal (IP) promete a instalação de barreira acústicas mas a promessa nunca se concretizou. Aliás no mais recente ofício da IP, refere-se que “a construção destas urbanizações foi posterior à entrada em funcionamento da A23, pelo que a presença desta fonte sonora deveria ter sido considerada quando do licenciamento das mesmas, dando-se cumprimento ao artigo 12º do Regulamento Gerai de Ruído – Controlo Prévio das Operações Urbanísticas”.

Seja como for, as IP reconhecem que os valores de ruído no local ultrapassam os limites legais e prometem aplicar uma camada de desgaste no piso da auto-estrada, apontando que a obra seja feita em 2020.

O ruído é constante e não dá descanso aos moradores. Foto: mediotejo.net

Estes anúncios surgem depois de a Assembleia Municipal de Constância ter aprovado, a 28 de setembro, uma moção apresentada pela bancada da CDU no sentido de “reclamar uma vez mais junto das IP- Infraestruturas de Portugal a colocação de barreiras sonoras de forma a reduzir o ruído junto das Urbanizações da Capareira e Pinhal D’Elrei em Constância”.

No preâmbulo da moção recorda-se que “desde o início da utilização dos edifícios construídos na Urbanização da Capareira junto à A23 em Constância têm sido vários os protestos por parte dos moradores relativos ao ruído provocado por aquela via rodoviária”.

Os moradores têm apresentado reclamações junto da Câmara Municipal e têm feito abaixo assinados como formas de protesto. Por sua vez, a Câmara e a Assembleia Municipal fizeram chegar à então Estradas de Portugal, hoje IP-Infraestruturas de Portugal, ofícios e moções aprovadas por unanimidade sobre o problema.

Segundo se refere na moção, na última comunicação por parte daquela entidade à Assembleia Municipal, “era afirmado que a colocação de Barreiras Sonoras era um assunto que iria ter em atenção tendo apenas os constrangimentos financeiros, à data, como obstáculo à sua concretização”.

Na altura, os eleitos fizeram notar que no período da execução do projeto da A23, “embora não existindo Urbanização já aqueles terrenos eram classificados no PDM como urbanizáveis e foram expropriados pelas Estradas de Portugal nessa condição”.

Moradores da Capareira protestam por excesso de ruído na A23 há vários anos. Foto: mediotejo.net

Dezenas de famílias afetadas

São cerca de 70 as habitações construídas nas proximidades da A23, cujos moradores sofrem na pele e diariamente o problema do ruído.

Suzana Branco dorme sempre com tampões nos ouvidos e teve de fazer obras em casa para minimizar o problema do ruído. Acrescenta que à noite e em dias mais húmidos o ruido propaga-se ainda mais, problema agravado pelo vento, constantemente forte, naquela zona.

“A gente vai para Lisboa e vê meia dúzia de casas tudo com barreiras acústicas, aqui não querem pôr. Até porque era mais barato colocar as barreiras do que mudar o pavimento da estrada”, defende outro morador, um emigrante recém-regressado da Suíça.

No terreno, Ângela Fialho exemplifica que a intensidade do ruído é tal que mal se consegue falar uns com os outros.  E lembra que quando as moradias foram construídas a estrada estava classificada como Itinerário Complementar (IP6) e agora é uma autoestrada. “Não temos sossego seja de dia seja de noite”, lamenta.

Suzana Branco tem de dormir com tampões nos ouvidos. Foto: mediotejo.net

Árvores: de solução a problema

Quando há cerca de 15 anos a Câmara de Constância decidiu criar uma barreira de árvores entre a A23 e as moradias em banda da Capareira para minimizar o problema do ruído, nunca imaginou que, passados todos estes anos elas se tornariam num problema.

Os moradores queixam-se de falta de manutenção das árvores e de falta de limpeza do terreno. Ao repórter apontam as folhas acumuladas nos quintais e que entopem algerozes e sarjetas e danificam piscinas e automatismos. Denunciam ainda o problema da acumulação de caruma no terreno com os inerentes perigos de incêndio.

Na reunião que o presidente da Câmara teve com os moradores, chegou-se a um acordo que se baseia em trabalhos de manutenção do espaço de arvoredo entre as moradias e a A23, a plantação de uma fila de ciprestes para se criar uma barreira e depois de esta estar crescida iniciar o abate das outras árvores.

Já no mandato anterior e a pedido dos moradores foi eliminada uma fila das árvores que estavam mais próximas das habitações e em perigo de queda.

No final da reunião, o atual presidente mostrou-se satisfeito com o acordo alcançado com os moradores.

Contactada pelo mediotejo.net, fonte oficial da Infraestruturas de Portugal assegurou que a empresa “vai desenvolver uma empreitada em que está prevista a colocação de barreiras acústicas em vários troços, entre eles do Km 26,600 ao km 29, 400, abrangendo a zona da localidade de Constância (que se localiza sensivelmente entre o Km 27, 600 e o Km 27, 900)”.

O plano de intervenção prevê a aplicação de uma camada de desgaste com características de absorção acústica e a colocação de barreiras de insonorização para abafar o ruído do trânsito na A23, tendo a mesma fonte assegurado que os trabalhos vão ter lugar em 2020.

Com José Gaio

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