Constância | Maria João Lopo de Carvalho, uma das mulheres de Camões

Maria João Lopo de Carvalho apresentou o seu romance literário sobre as mulheres de Camões. Foto: mediotejo.net

A Casa-Memória de Camões recebeu a escritora Maria João Lopo de Carvalho na quarta-feira, dia 30, para a apresentação do seu último livro “Até que o Amor me Mate”. O romance histórico mostra Luís de Camões pelos olhos das mulheres que o amaram de várias formas, desde a platónica à carnal, e a conversa para a plateia repleta de alunos do secundário revelou que afinal não foram cinco, mas seis mulheres pois ela própria se apaixonou pelo poeta.

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O último livro da escritora Maria João Lopo de Carvalho foi apresentado na quarta-feira na Casa-Memória de Camões no âmbito da XXXI Feira do Livro de Constância. O romance histórico “Até que o Amor me Mate” revela Luís de Camões pelos olhos de cinco mulheres que o amaram de várias formas, desde a platónica à carnal.

Violante de Andrade (Condessa de Linhares), Catarina de Ataíde, Francisca de Aragão, a macaense Dinamene e a escrava Bárbara foram as cinco mulheres escolhidas para “contar” a história do poeta depois da escritora ter investido as poupanças pessoais numa viagem solitária para fazer pessoalmente o itinerário de Luís de Camões.

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"Até que o Amor me Mate" foi apresentado na Casa-Memória de Camões. Fotos: mediotejo.net
“Até que o Amor me Mate” foi apresentado na Casa-Memória de Camões. Fotos: mediotejo.net

Maria João Lopo de Carvalho partiu de Lisboa em outubro de 2015, depois de uma passagem por Constância para pedir a “bênção” do poeta, e só parou em Macau depois de recordar Camões na Ilha de Moçambique, Melinde, Ormuz, Mascate, Diu, Damão, Goa, Cochim, Taprobana (Sri Lanka), Malaca, Ilhas Molucas e a foz do rio Mekong.

A apresentação dinâmica que a escritora já realizou em Macau, Canadá e Toronto cativou o público, maioritariamente constituído por alunos do secundário da Escola Luís de Camões através da união dos dados históricos – recolhidos durante três anos junto de estudiosos do poeta – e os relatos das experiências vividas na sua aventura camoniana.

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A autora confessou-se “apaixonada” pelo homem que, nas suas palavras, teve tanto de génio como de boémio e gostava, acima de tudo, de Portugal, mulheres, poesia e “andar à pancada”. As restantes personagens do novo romance histórico, por seu lado, tornaram-se as companhia do seu dia-a-dia enquanto escrevia romance. A primeira parte foi criada antes da partida e as restantes três depois da chegada.

A apresentação foi dinâmica e cativou a plateia. Fotos: mediotejo.net
A apresentação foi dinâmica e cativou a plateia. Fotos: mediotejo.net

Questionada pelo mediotejo.net sobre a sensação de regressar à casa do “amado” para apresentar o livro que lhe é dedicado, Maria João Lopo de Carvalho respondeu que depois de ter percorrido o mundo inteiro por ele, estar na Casa-Memória de Camões “é voltar a casa”, acrescentando “casa no sentido de Pátria, poesia, encanto, esta paisagem maravilhosa, esta inspiração… é como chegar ao ponto de partida”.

Para a escritora, Luís de Camões é mais do que palavras, é “um homem de corpo, alma, nervos, sangue, coração… e um génio” e a decisão de investir tudo numa viagem pelo mundo em busca do poeta do século XVI é justificada com a “grande responsabilidade” que tem perante os seus leitores e o querer dar “o melhor por este homem” sentindo “os azuis do mar, provar aqueles sabores e sentir aqueles cheiros a 500 anos de distância”.

No final houve sessão de autógrafos. Fotos: mediotejo.net
No final houve sessão de autógrafos. Fotos: mediotejo.net

A conversa desta quarta-feira integrou as sessões “À Conversa com…” da XXXI Feira do Livro de Constância, uma das muitas atividades previstas no programa de sete dias que termina no próximo domingo, dia 4. Esta edição da iniciativa é organizada em conjunto pelo município e a TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior e, além da literatura, inclui teatro, gastronomia, oficinas, seminários, música e atividades lúdico-pedagógicas.

O feriado do dia 1 de dezembro começou com a demonstração culinária “Entradas para a Mesa de Natal” por Isabel Zibaia Rafael, autora do blog “Cinco Quartos de Laranja” e a tarde é dedicada a um torneio do jogo gigante “A Descoberta do Natal”, animação musical infantil com Helena Mortágua e a peça teatral “Agarra que é Milionário” do Grupo de Teatro da Sociedade Artística Tramagalense (SAT). Os escritores convidados deste dia para as conversas literárias foram Emílio Miranda (“Linhagem de Bravos”) e Domingos Amaral (“Assim Nasceu Portugal”).

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A despedida da semana fez-se na sexta-feira, dia 2, com a conversa literária com Nazaré Lobato, autora de “Uma Aventura na Quinta dos Malmequeres” e os seminários “Gestão de Bibliotecas: O que podemos aprender com a Psicologia Positiva” e “E depois da pergunta? Interação, oralidade e referência: Boas práticas no atendimento em bibliotecas”, ambos na Biblioteca Municipal Alexandre O’Neill.

A escritora recebeu livros dos alunos e da Casa-Memória de Camões. Fotos: mediotejo.net
A escritora recebeu livros dos alunos e da Casa-Memória de Camões. Fotos: mediotejo.net

No sábado as sessões de “À Conversa com…” focam-se nas obras “O Outro Lado do Obscuro”, de Catarina Lino, “A Professora dos Olhos Tristes”, de Nazaré Lobato, “Foi Só Um Sonho”, de Leonor Salgueiro, e no blog “Por Falar Noutra Coisa”, de Guilherme Duarte. Os maestros juntam-se aos escritores numa conversa que tem como convidado António Victorino d’Almeida e a oficina de música “Primeira Aula de Música” de José Rodrigues. O programa inclui ainda as demonstrações culinárias “Sinfonia de Sabores de Natal” e “Bebidas com Arte – Aromas de Constância”.

A XXXI Feira do Livro de Constância termina no domingo com a conversa literária dedicada ao livro “O Último Adeus”, da escritora Li Marta, a apresentação do audiolivro “Os Lusíadas como nunca os ouviu”, de António Fonseca (Casa-Memória de Camões) e o regresso do maestro António Victorino d’Almeida no concerto em que apresenta a “Sinfonia Nº 6”. O Constância d’Honra na Escola Luís de Camões assinala o fim da iniciativa.

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