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Domingo, Julho 25, 2021

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Constância | Jogou-se futebol de rua pelas pessoas e não pelos números

A tarde desta sexta-feira, dia 7, no Pavilhão Desportivo Municipal de Constância parecia ser igual a tantas outras. Jogadores, taças, bolas, balizas… tudo preparado para uma final. No entanto, o evento desportivo diferenciou-se por envolver valores diferentes dos que costumam associar à competição. As quatro linhas receberam o Torneio Distrital de Santarém de Futebol de Rua, organizado pela Associação CAIS, em que o mais importante é quem joga e não como joga.

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O projeto internacional arrancou no país em 2004 com o objetivo de promover a inclusão social e chegou ao concelho este ano através da parceria com o Projeto Ganhar Asas E6G, que assumiu o papel de promotor distrital. O torneio concelhio decorreu no passado dia 1 de julho e Constância estreou-se em força levando Gonçalo Santos, da CAIS, a considerar que a Vila Poema pode passar a ser também sinónimo de “sede” distrital.

O apuramento para a final nacional, que terá lugar na Batalha entre 19 e 23 de julho – os jogos de 21 e 23 são abertos ao público – foi disputado por nove equipas locais, duas do Projeto Faz Eco E6G (Tomar) e uma convidada da Casa de Acolhimento de Jovens de Castelo Branco. As 12 integraram a lista das mais de 100 inscritas nesta edição em representação de IPSS de todo o território nacional, ilhas incluídas.

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As taças existem, mas o fair-play é o mais premiado. Foto: mediotejo.net

A iniciativa integra o trabalho desenvolvido ao longo do ano por essas entidades, a quem competem os treinos e a seleção dos participantes com base em critérios que vão muito além da técnica e tática desportivas. Segundo Gonçalo Santos, em evidência estão as “competências pessoais e sociais” e o “projeto de vida” dos jogadores. As taças existem, mas os prémios distinguem o fair-play, o Jogador Mais Valioso (ou MVP- Most Valuable Player) e o treinador que melhor assumiu o “espírito do projeto”.

Critérios que também orientam a seleção dos oito atletas para a Comitiva Nacional que irá participar no Mundial de Futebol de Rua (Homeless World Cup) em Oslo, Noruega, entre 28 de agosto e 6 de setembro. Para o representante da CAIS “o que está na base da criação do grupo não são as suas competências desportivas, é sim a sua história de vida”, acrescentando que tanto pode ser convocado um jogador que tenha melhorado o seu percurso pessoal, como aquele que está no início do processo ou se tenha sentido desmotivado a meio.

Mais do que uma equipa vencedora, diz, cria-se um “grupo que possa aprender com os seus pares e crescer em conjunto”. Princípio partilhado por Cláudia Amoedo, técnica do projeto Ganhar Asas E6G, que também destaca o contributo da iniciativa para aumentar o espírito de equipa e valorizar os percursos de vida, tratando-se de uma forma de “incluir mais jovens em atividades e experiências que de outra maneira não poderiam usufruir”.

O torneio distrital foi disputado por 12 equipas. Foto: mediotejo.net

Um desses jovens é Marcos Fortes, de 27 anos, que salientou o fair-play presente nos jogos do projeto da CAIS premiado em março deste ano pela Federação Portuguesa de Futebol na Gala Quinas de Ouro 2017 (Prémio Futebol Inclusivo) e, no final de junho, levou ao reconhecimento da associação nos UEFA Foundation For Children Awards como uma das 23 organizações europeias que se destacaram ao nível da inclusão social.

Para o jogador oriundo da freguesia de Santa Margarida da Coutada o mais importante é o convívio, o espírito desportivo e a “amizade sem olhar às diferenças em termos de cor, estrutura social e por aí fora”. Questionado se não deveriam ser esses os principais valores das outras competições, afirma que “isso tem de vir desde miúdos, temos que ser educados para ter desportivismo e conviver bem com as derrotas porque fazem parte da competição e são elas que nos fazem ter as vitórias de amanhã”.

A expetativa para o torneio distrital desta sexta-feira, revelou, não era ganhar, mas sim participar. Um sentimento partilhado pelos outros participantes nesta competição que terminou com a atribuição da taça de fair play à única equipa feminina, as do primeiro e segundo lugares a duas equipas de Constância e a do terceiro lugar a uma equipa de Tomar.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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