Constância | Jardim-Horto de Camões, maior monumento vivo ao poeta

Entrada do Jardim-Horto de Camões. Foto: mediotejo.net

Inaugurado há mais de 27 anos, o Jardim-Horto de Camões em Constância está pela primeira vez a ser alvo de trabalhos de intervenção, com vista à sua reabilitação, para “devolver-lhe o encanto e a força que Manuela de Azevedo sonhou e melhorar as condições de vida das plantas, de trabalho da funcionária e de fruição dos visitantes”.

Os trabalhos estão a ser executados pela empresa Opengreen – Arquitectura Paisagista, de Vila Nova da Barquinha, principiaram em setembro, e vão prolongar-se, previsivelmente por seis meses, ou seja, estará em fase de conclusão.

Projetado pelo arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles, o Horto, além de ser o único jardim temático em Portugal, é considerado “o mais vivo e singular monumento erguido no mundo a um poeta”.

Desde que foi inaugurado em 1990, nunca foi objeto de beneficiação significativa. Com o passar do tempo, como é natural, foi-se degradando, tanto no tocante às espécies vegetais como no que diz respeito aos elementos construídos.

Há 52 espécie de plantas no Jardim-Horto (Foto: mediotejo.net)

Para inverter este cenário, a Direção da Associação Casa-Memória de Camões em Constância, que gere o Jardim-Horto, decidiu proceder a um trabalho profundo de reabilitação ao nível da jardinagem, contratando para o efeito uma empresa da especialidade, sob a coordenação de um arquiteto-paisagista, com o objetivo de, até esta primavera, o Jardim-Horto estar recuperado, com outra apresentação e outra dignidade.

Em setembro de 2017, o Jardim-Horto foi visitado pelo prestigiado botânico e camonista professor Jorge Paiva, da Universidade de Coimbra, e por Armando Tavares da Silva, da Secção Luís de Camões da Sociedade de Geografia de Lisboa. Ambos se disponibilizaram a vir a Constância para conhecer melhor o Jardim-Horto e apoiar o processo de reabilitação do espaço.

Nesta altura, já decorreu o processo com vista à substituição das placas informativas das espécies vegetais por outras mais modernas e com mais informação, estando já assegurados os custos desta operação através do patrocínio de uma grande empresa do concelho.

Jorge Paiva, Matias Coelho e Tavares da Silva (Foto: mediotejo.net)

Segundo a associação, na primeira metade de 2017 foi substituída a parte mais degradada do piso de tijoleira por calçada à portuguesa e construído o tabuleiro de xadrez ao ar livre, o único elemento imaginado por Manuela de Azevedo que não pôde ver concretizado (faleceu o ano passado). Concretizou-se e constituiu também uma forma de homenagem à jornalista do Diário de Notícias, grande impulsionadora da Casa-Memória de Camões.

Quanto ao edificado, já existe um projeto para ampliação do edifício minúsculo da entrada submetido a concurso aos fundos comunitários e decorrem contactos com empresas da especialidade e com instituições com vista à recuperação, muito necessária e urgente mas também muito complexa, do Pavilhão de Macau.

“Muito há a fazer” no Jardim-Horto de Camões

Em declarações ao mediotejo.net, o botânico Jorge Paiva começou por dizer que não conhecia a Casa-Memória de Camões mas que já conhecia o Jardim-Horto. Da visita que fez ao local, e quando lhe perguntamos a sua opinião sobre o espaço, responde que concorda com alguns aspetos mas com outros não.

Defende que algumas plantas podem estar isoladas e outras, por exemplo as herbáceas, podem estar espalhadas até no meio da relva. Reconhece que não é fácil manter um jardim temático como este “não só por causa dos cuidados que tem de ter como pelas necessidades económicas para o manter”.

Seja como for, é de opinião que muito há fazer e que é possível potenciar o Jardim-Horto.

O mais prestigiado botânico português ressalva que há plantas citadas na obra de Camões que é praticamente impossível serem cultivadas ali: “Não nos podemos esquecer que os Lusíadas foram escritos na Ásia”.

Atualmente podem ser apreciadas 52 espécies mas “podem estar lá muitas mais”, ou seja, poderia haver um número maior de exemplares de algumas espécies.

Pavilhão de Macau está a necessitar de recuperação (Foto: mediotejo.net)

Armando Tavares da Silva nunca tinha visitado o Jardim-Horto e é de opinião que é um projeto muito interessante para ensinar botânica e, através dele, conhecer a obra de Camões. Reconhece, no entanto, que “há muito trabalho para fazer e muito a estudar”.

António Matias Coelho, presidente da Direção da Associação Casa-Memória de Camões, agradeceu “humildemente” a visita e o apoio dos dois especialistas e deixou um apelo a quem goste de Camões, de Constância e da Língua Portuguesa: que adira à Associação e ajude nas suas atividades. “Somos muitíssimo poucos e temos poucos recursos”.

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