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Domingo, Novembro 28, 2021

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Constância | Jantar de homenagem ao médico Fernando Siborro juntou perto de 200 amigos (c/vídeo)

“Aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós, deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”. Estas foram as palavras que iniciaram o discurso escrito pelos utentes de Fernando Siborro no jantar organizado, esta sexta-feira, em sua homenagem, em Santa Margarida da Coutada, no concelho de Constância.

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Um jantar que marcou a passagem do médico pelo concelho de Constância durante 32 anos. Na verdade, o médico trabalhou em vários outros concelhos do Médio Tejo, mas os utentes de Santa Margarida da Coutada, onde Siborro como médico de família auscultou quatro gerações, organizaram-se para homenagear aquele que, querido pela maioria e menos querido por alguns, ali deixa de exercer medicina. Alguns ‘desaires’ profissionais e a ‘necessidade de ver as netas crescer’ levam-no no próximo dia 2 de outubro até Sintra para ‘possivelmente’ nunca mais voltar enquanto clínico de medicina geral.

Fernando Siborro acompanhado por Leonor Moreira do lado direito

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O que importa é “tudo o que fez por nós enquanto médico de família, por isso estamos neste jantar que não pretende ser de despedida mas de agradecimento e de reconhecimento pelos muitos anos da sua vida profissional que nos dedicou. O seu modo de estar, o seu profissionalismo, o saber ouvir, o estar sempre disponível levou-nos a gostar de si. Foram muitos anos a ouvir as nossas lamentações, as nossas dores, mas sempre pronto para resolver os nossos problemas de saúde com uma palavra amiga, com a boa disposição que o caracteriza”, foi lido durante o jantar.

Durante o jantar de homenagem em Santa Margarida da Coutada

Sem contar com esta homenagem, Fernando Siborro, visivelmente emocionado, confessou que há três décadas quando chegou a Constância “não era a mesma pessoa” que é hoje, referindo-se ao homem mas principalmente ao médico. Em parte, “a pessoa que sou agradeço a todos vocês” acrescentou.

E todos eram cerca de 180 pessoas que no Centro Escolar de Santa Margarida de Coutada fizeram questão de estar presentes para um abraço sentido ou um beijo carinhoso numa manifestação e partilha de afetos. Na frente da organização do evento Virgílio André e Leonor Moreira, esta última foi a primeira pessoa que o médico contactou quando chegou a Santa Margarida.

Eram quase 200 as pessoas que compareceram no Centro Escolar de Santa Margarida da Coutada para homenagear Fernando Siborro

“Era a funcionária do Centro de Saúde que na altura funcionava na Casa do Povo” explica Leonor, contando que “nesse dia almoçou em minha casa juntamente com o seu pai e a partir daí ficámos amigos”. Mais tarde Leonor conviveu com a mulher do médicos e depois com os filhos, numa amizade trintona que ficará para sempre.

“No inverno, a chover, eu e o Dr. Siborro íamos pôr os utentes a casa, porque não havia autocarros e as pessoas não tinham transporte próprio. Nós dividíamos os doentes e íamos levá-los a Pucaríça, a Eira, a Constância sul, a Malpique… guardo na memória essa bondade” que o médico nunca recusou, sempre com boa disposição.

Esta semana foi a primeira vez que Leonor viu Fernando Siborro “maldisposto” por ter “60 pessoas para atender” dos 2100 utentes que são da responsabilidade do médico.

Por seu lado, Virgílio André atribui-lhe a característica de “símbolo”. Uma daquelas pessoas que “estão lá quando precisamos” considerando “não ser muito normal num médico” uma vez que por questões de saúde diz conhecer muitos. Falou de “um acompanhamento correto que fazia seguir a resolução do nosso problema com uma palavra de estímulo”. Essa foi a principal razão que levou a um jantar “de apreço” pelo clínico com uma capacidade “invulgar de servir os seus doentes”.

O abraço de Adilia Veiga ao médico Fernando Siborro

Adilia Veiga, residente em Santa Margarida, também deixou o seu testemunho. Lembra um médico “jovem, descontraído e bem disposto” que se instalou em Tramagal e ali construiu a sua vida. “Sempre acompanhámos o Dr. Fernando que sempre acompanhou nos nossos problemas de saúde. Éramos devidamente encaminhados e tratados” assegura “sem dramatizar, por pior que a situação pudesse ser, encaminhando e dando resposta como se o tratamento fosse completamente banal”, disse, referindo-se a Fernando Siborro como “um amigo que fica no nosso coração” principalmente por tratar os utentes “de igual para igual, com muito empenho e dedicação”.

Fernando Siborro na altura que foi presenteado com um relógio

A noite foi de muitas emoções mas também de animação. As lágrimas não impediram Fernando Siborro de brincar e soltar os habituais gracejos. E os utentes quiseram presentear o homenageado com um relógio para que o médico nunca se esqueça dos 32 anos que passou em terras do Médio Tejo.

 

Jantar de homenagem ao médico Fernando Siborro, em Santa Margarida da Coutada, que após 32 anos a trabalhar em vários concelhos do Médio Tejo decidiu regressar à Grande Lisboa de onde é natural.

Publicado por mediotejo.net em Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017

 

Virgílio André, um dos organizadores da homenagem a Fernando Siborro visivelmente emocionado fala das razões desta iniciativa e a importância do médico de família na comunidade de Santa Margarida da Coutada.

Publicado por mediotejo.net em Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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