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Segunda-feira, Setembro 20, 2021

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Constância | Filarmónica Montalvense sonha com uma escola de música gratuita

Fundada em 1986, a Associação Filarmónica Montalvense 24 de janeiro faz da música a sua razão de existir há 35 anos. Do clarinete ao saxofone, do trompete ao trombone, da flauta à guitarra, e até do violino ao piano, sem esquecer a voz, aqui existe lugar para miúdos e graúdos. Em entrevista ao mediotejo.net, a presidente da direção, Joana Bispo, fala do passado, do presente e do futuro da associação, cujo sonho é o de ter um dia uma escola de música gratuita, que honre a memória daqueles que já partiram.

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Da porta número 35 da Rua Circulação de Montalvinho, em Montalvo, Constância, ouve-se o ecoar de notas musicais com vontade de sair à rua e espalhar a música pela comunidade. É assim desde o dia 24 de janeiro de 1986, data em que a Associação Filarmónica Montalvense 24 de janeiro, sem fins lucrativos, dava os primeiros passos com os primeiros executantes daquela que viria a ser “a” filarmónica do concelho de Constância.

Com o foco de promover a educação musical junto da população e também de dar cultura à comunidade através das suas atuações onde a diversidade de instrumentos capta a atenção de qualquer um, a filarmónica é presença “obrigatória” nas Festas do Concelho de Constância, nas Pomonas Camonianas e em tantas outras iniciativas do Município e da freguesia em que se insere.

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Hoje, 35 anos depois, a associação tem duas valências: a banda e a escola de música, num total de cerca de quatro dezenas de membros, entre executantes e alunos. Números que a atual presidente da direção, Joana Bispo, queria que fossem muito mais.

Sede da A Associação Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro, em Montalvo. Foto: mediotejo.net

Tomou posse em dezembro de 2020, em plena pandemia, mas conta ao mediotejo.net que já pertence à associação desde 1995, altura em que entrou como executante da banda. Chegou aos órgãos sociais em 2000 e, após um período de interrupção, regressou o ano passado para a assumir o atual cargo numa associação onde os jovens predominam mas fazem cada vez mais falta.

“Fazendo uma retrospetiva dos últimos 35 anos, os elementos que iniciaram a banda neste momento já não fazem parte dela como executantes da banda. Houve aqui uma grande mudança: a banda é constituída maioritariamente por crianças e jovens, dos 10 anos para cima. Temos alguns adultos mas não são muitos”, reflete.

Guiados pelas mãos do maestro Miguel Alves, são atualmente 25 os executantes da banda. Paralelamente e com ligação à banda, a Associação Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro tem ainda uma Escola de Música (desde 1995) que conta hoje com cerca de duas dezenas de alunos.

“A partir de certa altura a direção que estava na altura decidiu que apenas a banda não era suficiente (…) decidiu que era preferível investir no conhecimento e na aprendizagem dos elementos e resolveu investir numa escola de música, então foram contratados professores” refere Joana Bispo, que sublinha no entanto o papel importante da banda nas festas de verão, arruadas e procissões.

“Até hoje, a escola de música funciona para todos, mediante o pagamento de uma mensalidade. Os meninos aprendem formação musical e aprendem um instrumento que depois poderão, então, passar para a banda”, diz.

Atualmente com seis professores, divididos pelas áreas das madeiras, metais, percussão e voz, na Escola de Música da Associação Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro é possível aprender clarinete, saxofone, trompete, trombone, toda a percussão, flauta, e até instrumentos que não é comum encontrar numa banda filarmónica, como o violino, a guitarra e o piano. Existe ainda a possibilidade de ter aulas de canto.

O número de alunos na escola de música tem sido instável, muito por culpa da pandemia, afirma Joana Bispo. “Antes da pandemia, calculo que fosse mais do que aqueles que são hoje. No entanto, o facto de termos uma mensalidade associada à escola de música se calhar afasta algumas famílias”, admite.

ÁUDIO | Joana Bispo, presidente da direção da AFM24JAN

“Este ano, conseguimos já recuperar alguns, porque este ano letivo não parámos. Conseguimos arranjar condições para fazer as aulas online e houve muita colaboração por parte dos professores e encarregados de educação”, acrescenta a presidente da direção.

Associação Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro. Foto: mediotejo.net

Joana Bispo assumiu o cargo em plena pandemia. Ainda hoje, confessa que não têm sido dias fáceis para quem está aos comandos da associação. Na altura, as aulas da Escola de Música já decorriam via online, por via do esforço encetado pela direção anterior. As aulas à distância permitiram manter os executantes por perto.

“Houve um bocado esse receio – como as pessoas tinham aquele tempo que dedicavam à banda a ficar livre, que o começassem a dedicar a outra coisa. Então, para não afastarmos as pessoas, decidimos que devíamos fazer alguma coisa online. E também, principalmente, para que as pessoas que nos ouvem e que nos veem nos continuassem a ver a ouvir porque nós dependemos também disso”, defende.

E é também da comunidade que em muito depende a existência da banda. “Quando a associação foi criada foi com o objetivo de promover a música junto da comunidade, e ainda hoje, só para frequentar a banda não há lugar a mensalidade. Ninguém paga nada para andar na banda”, explana Joana Bispo. Parada desde o confinamento em janeiro e com a retoma aos ensaios apenas no final de abril, o regresso foi “uma grande felicidade”.

“É muito bom. No primeiro dia, após confinamento, tínhamos todos saudades uns dos outros, de seguir as mãos do maestro. Houve uma grande felicidade em voltarmos e já fizemos um concerto, no dia 23 de maio, no Centro Ciência Viva”, recorda Joana Bispo com um sorriso vincado na voz. Entretanto, com o agravamento da situação pandémica, a 22 de junho a associação anunciou novamente a suspensão dos ensaios presenciais da banda. Um dia antes, foi anunciada a suspensão das aulas presenciais na escola de música.

Associação Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro. Foto: AFM24JAN

E em contexto pandémico, não há como fugir à realidade: com os eventos reduzidos, as receitas não entram como outrora. “A minha maior preocupação, que muitas vezes me tira o sono, prende-se com a área financeira”, aponta a responsável da direção da filarmónica. “Esse é o nosso maior desafio”, diz.

ÁUDIO | Joana Bispo, presidente da direção da AFM24JAN

No âmbito dos apoios da Covid-19, a Câmara Municipal de Constância tem vindo a cobrir o pagamento das despesas fixas (água, eletricidade, comunicações e maestro), num valor que em 2020 superava os quatro mil euros. Já este ano, no âmbito do Programa Municipal de Apoio ao Associativismo 2021, o Município aprovou a atribuição à Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro de 11.757,83€. Apoios que são fundamentais, mas que não são suficientes para tirar as “dores de cabeça para conseguirmos que nada falte”, diz Joana Bispo.

“É muito difícil para uma direção trabalhar sozinha. Somos sempre poucos. Precisamos muito dos pais, dos amigos, da comunidade, de toda a ajuda humana para que possamos desenvolver as atividades”, apela.

Com o objetivo de continuar a lutar pela dinamização do seu projeto, a associação apresentou recentemente uma candidatura ao programa “Garantir Cultura”, do Governo, na qual a filarmónica pretende realizar uma atuação nas comemorações do 5 de outubro totalmente financiada pelo Estado.

ÁUDIO | Joana Bispo, presidente da direção da AFM24JAN

Atrair jovens para a banda e para a escola são também objetivos da direção da Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro, e, para os mais curiosos, basta aparecer. “Podemos dizer que quase basta aparecer com vontade de tocar”, refere Joana Bispo.

Mas o sonho por cumprir é maior: uma escola de música gratuita.

“Faria uma belíssima homenagem a todos os que já não estão cá e que fundaram a banda – recentemente, perdemos um dos sócios-fundadores, que foi dos que nos acompanhou até não poder mais [referindo a Reinaldo Ferreira].Por ele e por todos os outros, acho que ficariam muito contentes que nós conseguíssemos que a escola de música passasse a funcionar de forma gratuita. Sei que é um desafio enorme, mas é um desejo grande”, afirma, rematando que a “situação ideal” seria conseguir alguma entidade que apadrinhasse a escola, para que a Associação Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro pudesse oferecer as aulas de música à comunidade.

Abrantina mas orgulhosa da sua costela maçaense, rumou a Lisboa com o objetivo de se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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