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Sábado, Outubro 23, 2021

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Constância | “Exploradores do mundo” encantados com Vila Poema

Uma família sul-africana que anda a viajar pelo mundo há sete anos, descobriu Constância e ficou encantada com a sua localização e qualidade de vida. É aqui que pretendem instalar a sua base para continuar a explorar os cinco continentes e continuar a sua segunda volta o mundo. Em caravana.

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Se há 500 anos Luís de Camões se perdeu de amores por estas bandas, também esta família se sentiu atraída pela vila-poema e aqui tenciona voltar sempre, não se cansando de elogiar a vila e sobretudo o seu parque de campismo.

Fomos encontrar Graeme, de 42 anos, e Luisa, de 41, acompanhados pelos seus dois filhos, Jessica, de 12 anos, e Keelan, de 18, no hostel 18 em Constância, poucos dias antes de regressarem à estrada desta vez tendo como destino o norte de África.

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Numa mistura de português (do Brasil), espanhol e inglês relataram ao mediotejo.net a sua aventura, que encaram como filosofia de vida, pelos quatro cantos do mundo.

No primeiro livro relatam algumas das peripécias que tiveram de enfrentar (Foto: DR)

“Estamos a explorar o planeta para nos educarmos a nós mesmos e aos nossos filhos. Acreditamos que só temos uma vida e queremos aproveitar ao máximo o pouco tempo que temos neste planeta”, explica Graeme com a aquiescência da sua mulher, Luisa. Outro argumento é que adoram passar o tempo com os seus filhos, vendo-os a crescer e a mudar. Eles já visitaram tantos países e ficaram a conhecer tantas culturas diferentes que isso “tornou-os seres humanos incríveis”.

A aventura destas viagens pelo mundo começou em 2010 quando fizeram a sua primeira expedição da África do Sul ao Quénia, na África Central.

A família Bell numa das suas viagens (Foto: DR)

Tomaram-lhe o gosto, regressaram ao seu país e em 2012 venderam tudo o que tinham, compraram um Land Rover e pensaram iniciar uma viagem pelo mundo começando com uma volta à América do Sul.

A viatura foi de barco e a família de avião. Chegados ao Brasil, estes “exploradores do mundo” viajaram depois por países como Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Paraguai, Equador, Colômbia e Venezuela. Numa rota circular passaram pelo Brasil (na altura da Copa do Mundo), Guiana, Suriname, Guiana Francesa e regressaram ao Brasil. E assim passaram três anos.

A questão da segurança nestes países era um tema incontornável. Graeme revela que, em alguns sítios, sentiam mais receio mas, para quem nasceu e viveu na África do Sul, um dos países com maior índice de criminalidade, lidar com o problema era uma prática diária. “Temos de ter o máximo de cuidado, sempre olhando para todo o lado, sempre com atenção”, relata.

Por isso também é que a escolha dos locais onde acampam não é aleatória. Por exemplo, no Brasil, fizeram campismo junto ao Pão de Açúcar numa zona militar, onde se sentiam seguros.

O jipe como era inicialmente (Foto: DR)

E depois da adaptação feita por Graeme (Foto: DR)

Quando lhes perguntamos o que visitam nesses países, o que procuram, a resposta vem a duas vozes. Luisa é a “turista perfeita” que faz os percursos turísticos normais visitando monumentos e locais emblemáticos de cada país. Mas Graeme não gosta nada disso e prefere descobrir a “real culture of the country”, a verdadeira cultura do país, falar com o povo, conhecer os seus hábitos e tradições, fora das zonas turísticas. E o casal acaba por fazer “um mix” destas duas diferentes formas de visitar os países.

Voltando à estrada, três anos depois da viagem circular pela América do Sul, a família Bell sai da Argentina em direção ao Alaska onde chega no fim de verão e já preparada para o frio. Regressam os quatro aos Estados Unidos e ao México desta vez explorando as montanhas.

Pelo meio viveram inúmeras peripécias sobretudo relacionadas com problemas mecânicos da viatura que Graeme, qual MacGyver, resolvia de forma muito expedita.

As aventuras em livros

Com tanto para contar, Graeme e Luisa decidiram passar para o papel as suas aventuras. Foi em 2015 que lançaram o primeiro livro de viagens com o relato das suas deambulações por África e América do Sul.

Em 2016, no México, a família mudou de jipe e Graeme, praticamente sozinho, fez a adaptação transformando a parte de trás do veículo num espaço habitável para a família, com quatro camas, cozinha e mesa.

Durante os oito meses que estiveram no México aproveitaram o facto de viverem numa zona isolada a três horas da localidade mais próxima, e escreveram o segundo livro. Neste explicam “como fazer o que nós fazemos”, ou seja, uma espécie de manual de sobrevivência para aventureiros em duas e quatro rodas.

Profusamente ilustrado, o livro dá dicas para quem viaja pelo mundo com conselhos como acampar, como reparar as viaturas, cozinhar, utilizar o dinheiro, entre outras dicas. Explicam também como adaptaram o Land Rover na sua “casa ambulante” para quatro pessoas.

Capa do segundo livro (Foto: DR)

Graeme esclarece que, consoante o veículo que os exploradores utilizam, são diferentes as suas necessidades. São essas “differents ways to travel” que compõem o livro. E os autores garantem que é possível viajar pelo mundo, por exemplo, de bicicleta praticamente sem dinheiro.

Os dois filhos do casal, Jessica, de 12 anos, e Keelan, de 18, acompanham desde o início os pais nesta aventura e estudam nas localidades onde param e também através de ensino à distância.

Estavam nos Estados Unidos, onde só podiam permanecer seis meses seguidos, quando decidiram mudar de planos. Em fevereiro deste ano, atravessaram o Atlântico de barco e visitaram Inglaterra, país onde também têm nacionalidade. Alemanha, Suíça, França, Espanha e Portugal foi o roteiro mais recente.

O “encanto” de Constância

Chegaram a Constância atraídos pelo parque de campismo. Ouviram falar no parque, fizeram uma pesquisa na internet e rumaram até à vila ribeirinha onde tencionavam passar apenas uma noite mas acabaram por ficar quatro.

A família ficou encantada com a localização do parque à beira rio. Quando aqui chegaram, os Bell dizem que “foi melhor do que esperavam”. Graeme revela que já visitou centenas de parques de campismo em vários pontos do globo e garante que o de Constância é dos melhores que encontrou. Limpo, bem gerido, seguro e barato são alguns dos adjetivos que utiliza para qualificar o parque de campismo da Vila Poema.

Depois de quatro dias em Constância seguiram viagem até Tomar, Leiria, Fátima, Figueira da Foz e Coimbra, entre outras cidades. Decidiram regressar a Constância para passar aqui mais um mês. À chegada, uma “celebridade local”, a fadista Tina Jofre, foi quem encontraram no supermercado e perguntaram por um apartamento para arrendar. Depois de várias visitas, foram parar ao único hostel da vila.

O jipe foi adaptado para caravana (Foto: DR)

Entretanto, já seguiram para outras paragens mas, os Bell dizem que querem voltar e aqui permanecer mais tempo

Em outubro tencionam lançar o seu terceiro livro de viagens dedicado às suas aventuras no Equador, Alasca, México e Estados Unidos da América.

Diariamente milhares de pessoas acompanham as suas viagens através do facebook (www.facebook.com/a2a.expedition), Instagram e outras redes sociais onde têm muitas interações, seja em “gostos”, comentários ou partilhas. O site www.a2aexpedition.com concentra toda a informação.

A seguir pensam ir até Inglaterra e descer até ao norte de África para uma viagem ao longo do mar Mediterrâneo. Marrocos e Turquia são destinos que estão nos seus planos. Mas a família Bell quer fazer de Portugal a sua base. Aqui sentem-se confortáveis, dizem que as pessoas são muito simpáticas e afetuosas como se todos pertencessem à família.

Até quando pensam andar em viagem pelo mundo? “Não temos um prazo definido para deixar de viajar, mas queremos explorar a Europa, a Ásia, a África e a Austrália e, em seguida, talvez façamos tudo de novo. Nós adoramos viajar! O nosso objetivo é criar uma base em Portugal para explorar o mundo”, reafirmam.

Não terminam a entrevista sem agradecer ao ex-vereador Daniel Martins que acompanhou a conversa. Elogiam o seu trabalho, disponibilidade e dedicação e dão os parabéns a Constância pelo acolhimento e pela qualidade de vida que oferece.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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