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Quarta-feira, Julho 28, 2021

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Constância: “Estamos a introduzir as crianças numa vida com uma voracidade imensa”

A falta de tempo para refletir e a ausência de conversas sobre as emoções, são alguns dos problemas que afetam a sociedade atual e que estiveram em debate durante a tertúlia que se realizou em Constância com a psicóloga Cristina Valente e o pediatra Mário Cordeiro.

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Inserida na “Semana dos Afetos”, iniciativa promovida pela Unidade de Saúde Pública do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Médio Tejo, em parceria com a Câmara Municipal de Constância e o Agrupamento de Escolas de Constância, decorreu esta sexta-feira, dia 13 de maio, uma tertúlia com as presenças de Cristina Valente, psicóloga, e Mário Cordeiro, pediatra, que falaram sobre os afetos e a sua importância no desenvolvimento humano e em especial dos jovens.

O espaço da Casa Memória de Camões, em Constância, foi pequeno para acolher todos aqueles que quiseram ouvir as opiniões e ensinamentos de Cristina Valente e Mário Cordeiro, durante uma sessão que acabou por se focar na necessidade de mudança de atuação e mentalidades de alguns pais e educadores.

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A sessão começou com um desafio lançado por Cláudia Brandão, psicóloga do Agrupamento de Escolas de Constância: que cada um dos presentes cumprimentasse a pessoa que se encontrava ao seu lado.

Questionada por Cláudia Brandão, Júlia Amorim, presidente da Câmara Municipal de Constância, referiu que “esta terceira edição da Semana dos Afectos é importante porque o ser humano não se pode desenvolver em termos intelectuais sem ter afetos” e que esta reflexão é essencial para a comunidade “numa altura em que a parte material às vezes se sobrepõe aos afetos”.

“Para educar, é preciso ter afeto”. Quem o defende é Olga Antunes, vice-presidente do Agrupamento de Escolas de Constância, referindo que “temos o Gabinete do Otimismo, valorizamos a afetividade, que é o trabalho fora da sala de aula para melhores resultados e termos crianças e jovens mais saudáveis”.

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O piso -1 da Casa Memória de Camões, em Constância, foi pequeno para acolher todos os que quiseram ouvir falar de afetos com Cristina Valente e Mário Cordeiro (Foto: mediotejo.net)

Cristina Valente, psicóloga que desenvolve um trabalho de apoio aos pais, com visitas domiciliárias, onde aconselha os educadores, começou por referir que “as emoções é algo que está a faltar muito, em muitos lados” e que “falta muito falar de emoções porque a maior parte de nós não foi ensinado para falar delas”.

A este propósito, Cristina Valente defende que “a raiva, o medo, a tristeza e a alegria são emoções com as quais não nos ensinam a lidar” e que “três destas emoções são atiradas para debaixo do tapete porque são negativas” e dá o exemplo: “se uma criança chega triste a casa e que fazemos é ir comer um gelado para fazê-la esquecer a situação”.

“Quando morrem familiares, há que deixar as crianças falar sobre as suas emoções”, defende Cristina Valente dizendo que “é uma incrível falta de respeito não deixar uma criança exteriorizar a sua tristeza pela morte de uma pessoa que lhe é querida”.

Ainda sobre as emoções, esta psicóloga defende que “eu não posso dizer ao meu filho para não ter raiva, tenho é de lhe dizer para ir correr ou dar murros na almofada para exteriorizar esse sentimento”.

Mário Cordeiro, pediatra, concorda com estas afirmações dizendo que “temos sentimentos, não somos robôs, nem feitos de plástico” e deixa uma sugestão para pais ajudarem os filhos a conter a sua raiva: “comprem uma almofada, desenhem uma cara feia nessa almofada e depois deem-na aos filhos para eles canalizarem para ali a sua raiva”.

Para este médico, os pais têm de saber ter a coragem para dizer “não” mas alerta para o facto de “para a pessoa poder dizer ao filho que não vai para o computador, por exemplo, os pais têm de apresentar uma alternativa”.

A ausência de tempo para refletir, é um dos grandes males que a sociedade de hoje vive, defende Mário Cordeiro. “O trabalho é importante, mas está a assumir uma proporção tal na vida das pessoas, com uma pressão imensa, em que os verbos ser e estar são vistos de soslaio”, refere o pediatra, acrescentando que “as crianças apanham por tabela”.

“Precisamos de um pólo de repouso e este é um dos pontos principais”, defende Mário Cordeiro sugerindo que haja organização para que o tempo seja bem distribuído porque “estamos a introduzir as crianças numa vida com uma voracidade imensa e isto é trágico”.

Para Cristina Valente, “as crianças não precisam de consultas com psicólogos, o que é preciso é aconselhar os pais”.

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A Casa Memória de Camões acolheu uma mostra de trabalhos elaborados por alunos de diversos Agrupamentos de Escolas do Médio Tejo sobre a temática dos afetos (Foto: mediotejo.net)

E neste ponto, é introduzida a questão das horas de sono que uma criança deve de fazer em média: “nós temos a responsabilidade de evangelizar os pais para as questões do sono porque as crianças estão destruturadas porque não dormem o suficiente”, refere Cristina Valente chamando também a atenção para o facto de “muitas crianças antes de irem para a cama mexem no computador ou no tablet e está comprovado cientificamente que a luz emitida pelos écrans retarda o sono”.

“A adição à televisão e ao computador é algo que está entranhado nos pais”, refere o pediatra Mário Cordeiro que defende que “temos de entrar em casa ao final do dia e sentir que é um momento libertador, sem televisão que nos traz doses de agressividade”.

“Vejo com algum receio que o gosto pela leitura, por ouvir música e por passear se esteja a perder”, lamenta o pediatra dizendo ainda que “quando vejo uma criança de três anos com um tablet, isso preocupa-me”.

“Somos um animal tátil e olfativo e estamos a transferir a nossa vida cada vez mais para o audiovisual”, refere Mário Cordeiro que defende que é essencial “meter as mãos na terra, colocar as mãos nas folhas”.

No âmbito da “Escola dos Afetos”, a Casa Memória de Camões acolheu uma mostra de trabalhos elaborados pelos alunos do diversos Agrupamentos de Escolas do Médio Tejo sobre a temática dos afetos.

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Trabalhos elaborados por alunos de diversos Agrupamentos de Escolas do Médio Tejo sobre a temática dos afetos (Foto: mediotejo.net)

Entrou no mundo do jornalismo há cerca de 13 anos pelo gosto de informar o público sobre o que acontece e dar a conhecer histórias e projetos interessantes. Acredita numa sociedade informada e com valores. Tem 35 anos, já plantou uma árvore e tem três filhos. Só lhe falta escrever um livro.

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