Constância | Em dia de homenagem, António Mendes pede mais “garra” aos autarcas e exorta população a lutar pela nova ponte em Constância (C/VIDEO)

Em dia de homenagem pelos seus 40 anos de vida autárquica em Constância, sempre eleito pela CDU, António Mendes pediu mais “garra” à atual geração de autarcas, denunciou o alegado funcionamento “ilegal” do Ecoparque do Relvão, com os camiões a continuarem a passar com resíduos perigosos por dentro das localidades em direção à Chamusca, e exortou a população a lutar pela nova ponte em Constância. A homenagem da CDU de Constância foi dirigida a António Mendes e este, hoje mais resguardado por questões de saúde, num gesto cavalheiresco, destacou o papel das populações, das várias equipas que consigo trabalharam e, em especial, deu destaque a uma equipa que esteve sempre do seu lado em todas as horas e ao longo dos 40 anos de exercício do poder local: a sua família.

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Em declarações ao mediotejo.net, (ver vídeo) António Mendes falou da sua resistência a  homenagens, falou dos desafios que se levantam hoje ao poder local e ao desenvolvimento económico da região, disse que um autarca jamais se divorcia da politica, e lamentou as reivindicações e intervenções algo “amorfas” dos eleitos de hoje e a “timidez com que apregoam as coisas”, tendo destacado a forma “ilegal” como funcionam os CIRVER e o Ecoparque do Relvão, e a falta de cumprimento da construção de uma ponte em Constância para evitar a passagem de camiões pelas povoações, não escondendo a “estranheza” por ver como os autarcas “toleram” e “encaram isto”, a par de alguma “tristeza” por ver que a “população não se revolta”.

António Mendes disse que lhe causa estranheza e indignação ver que autarcas e população não sejam mais reivindicativos pela nova ponte de Constância. Foto: mediotejo.net

O antigo presidente de Câmara partilhou uma reflexão sobre a ponte sobre o Tejo, “a de Constância e não outra”, afirmando que a mesma “está definida por lei”. Mais disse que o Eco Parque do Relvão, na Chamusca, está a funcionar “ilegalmente” e manifestou a sua indignação por ver que autarcas e população “não falam disto, não se revoltam, não protestam e não exigem a construção da ponte sobre o Tejo, em Constância”, lembrando o traçado aprovado em Lei para evitar que os lixos de todo o país circulem por dentro das povoações em direção aos CIRVER, no Ecoparque do Relvão.

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A “estranheza, revolta, e indignação”, concluiu António Mendes, é “não ouvir os autarcas a falar disto e a população não protestar nem se revoltar”.

Na sua intervenção, António Mendes referiu-se também a esta homenagem: “resisti bastante e não se encaixava em mim uma homenagem cujo significado não fosse bem compreendido por todos. Parece que é isso que sucede com os órgãos oficiais do concelho. Descansem. Nunca comprarei qualquer ato que me evidencie ou àquilo que ao longo destes anos todos nós fizemos”, afirmou.

Dando conta do “orgulho” pelos “níveis de desenvolvimento alcançados por trabalho coletivo” que “transformou um concelho pobre nos anos 80 num dos municípios mais desenvolvidos do meio rural”, Mendes alertou para “algum marasmo que parece estar a instalar-se”.

“Oxalá não se percam dinâmicas que empurrem o concelho e as freguesias, em especial Santa Margarida, para o subdesenvolvimento e marasmo que parece estar a instalar-se. O que se vê, não e de facto, animador”, afirmou, dando como exemplo a freguesia de Santa Margarida da Coutada.

António Mendes não esqueceu o papel importante da sua família ao longo dos 40 anos de autarca. Foto: mediotejo.net

Ao discurso de alerta e reivindicativo, António Mendes juntou mais uns calorosos aplausos dos presentes ao lembrar uma equipa “tão ou mais importante que todas as outras” e que estava em casa enquanto exercia as responsabilidades autárquicas ao longo de várias décadas.

Referia-se à sua família, a quem foi abraçar, tendo entregue à sua esposa o bonito ramo de flores que lhe havia sido oferecido. Com a saúde fragilizada, as lutas de António Mendes hoje são de outra índole, mas da política, assegura, “um autarca nunca se divorcia”.

 

António Mendes foi eleito pela primeira vez em 1979 para a Assembleia de Freguesia de Santa Margarida da Coutada. O antigo eletricista iniciaria aí um percurso de 40 anos de autarca, dos quais se destacam 24 anos como presidente da Câmara de Constância, tendo sido eleito em seis mandatos consecutivos, num trabalho e postura elogiado por vários quadrantes políticos e que mereceu mesmo a distinção de Comendador atribuída pelo então Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e que guindou a CDU ao poder em Constância durante várias décadas, percurso interrompido em 2017, com a vitória do PS e das equipas de Sérgio Oliveira no concelho e nas várias freguesias.

Antes de dizer ao que vinha, ou seja, ao balanço do trabalho feito pela oposição e divulgado de porta em porta pela CDU através de boletim da secção local, Joaquim José Santos, eleito da CDU que substituiu António Mendes enquanto vogal na Assembleia Municipal, destacou a “herança” que o histórico autarca deixou, falando de um homem “íntegro, honesto, competente, capaz, dedicado e humilde”.

Em declarações ao mediotejo.net, e questionada sobre António Mendes, a coordenadora do PCP de Constância e atual vereadora eleita pela CDU, Júlia Amorim (ex-presidente de Câmara), destacou as características de um homem “determinado, muito organizado, pragmático, disciplinado e que ia sempre à luta”, o rosto de um “autarca com prestígio nacional (…) e que dedicou os anos melhores da sua vida, com prejuízo pessoal e familiar, ao desenvolvimento do concelho”.

Coube a Sónia Varino, também vereadora da CDU na Câmara de Constância, fazer a apresentação do percurso do homenageado, não sem uma ponta de emoção e de ter lembrado que, se hoje está na política, foi António Mendes o “grande culpado”.

“Foi…porque há cerca de 24 anos me convidou para fazer parte da sua lista e é por tudo o que me ensinou e por tudo aquilo que fez pelo nosso concelho, que me faz querer cá viver e continuar a acreditar que é este o caminho”, disse, fazendo de seguida a leitura do percurso autárquico do homenageado, desde 1979, então com 29 anos, eleito como vogal da Assembleia de Freguesia de Santa Margarida da Coutada, passando pelos cargos de vereador (1982-1985) até presidente de Câmara, cargo para o qual foi eleito em dezembro de 1985 e que desempenhou durante 24 anos, até outubro de 2009.

Em 2009 foi eleito presidente da Assembleia Municipal de Constância, cargo que manteve até outubro de 2017, altura em que foi eleito vogal da Assembleia Municipal. Após 40 anos de atividade autárquicas, António Mendes renunciou no final de 2019 ao seu mandato na Assembleia Municipal.

Sónia Varino frisaria ainda que a António Mendes se deve o período mais intenso do desenvolvimento do concelho, dando como exemplos o abastecimento regular de água de qualidade em todo o território municipal e a total remodelação da respetiva rede, a construção de grande parte da rede de esgotos e a totalidade do seu tratamento efetivo, a construção de muitas dezenas de fogos habitacionais e várias urbanizações distribuídas por todas as freguesias, a construção da Escola Luís de Camões, o ordenamento das margens dos rios Tejo e Zêzere, extensões de saúde, o atual edifício dos Paços do Concelho, Zona Industrial de Montalvo, Centro de Ciência Viva, Parque Ambiental de Santa Margarida, Biblioteca, Arquivo, Piscinas e Pavilhão Municipal, entre muitos outros.

Sónia Varino destacou ainda a “relação de grande proximidade com os munícipes” (…), a gestão pautada por “grande rigor financeiro e especial capacidade de atrair financiamentos para o concelho”, e uma “notável capacidade de diálogo com todos os governantes, de todos os governos, qualquer que fosse a sua cor partidária” numa vida politica sempre pautada pelos “princípios do serviço e da modéstia, nunca fazendo alarde das realizações a que esteve ligado (talvez porque nessa altura não havia Facebook)”, notou.

Na declaração de “homenagem e agradecimento por tudo o que fez pelo concelho, pelas pessoas e pelas referências que todos nós guardamos” Sónia Varino recordaria ainda que “António Manuel dos Santos Mendes, a 13 de fevereiro de 2015, foi condecorado pelo então presidente da Republica com o grau de Comendador da Ordem de Mérito, numa cerimónia que teve lugar no Palácio de Belém”.

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