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Terça-feira, Dezembro 7, 2021
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Constância | Celebrar a poesia com a revista NERVO na Casa de Camões

Durante cerca de duas horas da tarde de domingo, dia 5 de maio, a Casa-Memória de Camões, em Constância, respirou poesia. O pretexto foi a apresentação do nº 5 da revista NERVO – Coletivo de Poesia, publicação literária iniciada em janeiro de 2018 com o objetivo de divulgar os poetas contemporâneos das diferentes gerações, desde os consagrados aos que publicam pela primeira vez, reunindo, numa comunidade poética diversas linhas estéticas, unidas apenas pela qualidade e sensibilidade poéticas.

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Coube a Maria de Fátima Roldão, editora da revista, apresentar a mais recente edição que reúne poemas de Ana Paula Inácio, David F. Rodrigues, Edgardo Xavier, Eduarda Chiote, Emanuel Matos-Drago, Francisca Camelo, João Paulo Esteves da Silva, Miguel Filipe Mochila, Paulo José Costa, Pedro Mexia, Pedro Seabra, Zetho Cunha Gonçalves.

Para além dos poetas portugueses, a revista tem sempre uma secção de poesia de autores estrangeiros (de países de língua oficial portuguesa e de outros idiomas). Neste número são publicados poemas dos espanhóis Jesús Jiménez Domínguez e Luis Muñoz, com tradução de André Domingues.

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Na publicação, com ilustrações e a capa do artista plástico Emerenciano Rodrigues, inclui-se uma referência ao centenário do nascimento de Sophia de Mello Breyner e de Jorge de Sena.

Foto: mediotejo.net

Para Maria de Fátima Roldão, o percurso da revista, que “surgiu pelo amor à poesia”, “tem sido muito motivador”. O objetivo é “mostrar o que se está a fazer em termos de poesia, ser uma montra da literatura, da poesia”.

A editora sublinha que “os fins lucrativos da revista são os fins culturais”. Até agora, ao longo dos cinco números, a publicação contou com a colaboração de 74 poetas, dos quais 20 em idiomas que não o português. Participaram ainda oito artistas plásticos e cinco tradutores.

Fátima Roldão explica que tem a preocupação de estar o mais próximo possível dos leitores com quem contacta regularmente por email ou pelas redes sociais.

N° 5 da revista NERVO. Foto: mediotejo.net

O poeta linhaceirense Nuno Garcia Lopes, vizinho da Vila-Poema, ávido leitor de poesia e ex-professor na Escola Luís de Camões (há 25 anos), fez uma intervenção sobre o estado da poesia desde os anos 80 anos nossos dias. Uma das publicações em que começou a colaborar, alfobre de uma geração de poetas, foi o suplemento DN Jovem, do Diário de Notícias, publicado nos anos 80.

“Nunca se publicaram tantos livros de poesia como hoje, mas de poesia a sério saem poucos livros”, disse Nuno Garcia Lopes enumerando algumas pequenas editoras que continuam a trabalhar e a revelar autores emergentes. Acrescentou que hoje em dia assumem papel importante na divulgação da poesia os blogues e as redes sociais.

O historiador e poeta Henrique Leal, que é vereador na Câmara do Entroncamento eleito pelo Bloco de Esquerda, fez uma intervenção sobre a poesia em Portugal no séc. XX (até aos anos 80) a que denominou “do modernismo e outros ismos”.

Num século considerado “o maior da poesia portuguesa”, não podiam faltar as referências às várias correntes literárias que surgiram em Portugal a partir dos anos 20, em que o modernismo e o surrealismo pontuaram.

Com recurso a uma projeção, Henrique Leal referiu-se às revistas e aos poetas que marcaram o século XX português.

A sessão foi aberta pelo anfitrião, António Matias Coelho, presidente da Associação Casa-Memória de Camões que, depois dos agradecimentos, se mostrou satisfeito por ver o auditório “composto” num dia de sol mais convidativo a passear. Entre a assistência estavam poetas participantes na revista NERVO que vieram de várias partes do país.

António Matias Coelho aproveitou a oportunidade para dar a conhecer a génese da Casa-Memória, sublinhando a ligação que Constância tem ao poeta Luís de Camões, e o papel que desempenharam Adriano Burguete e Manuela de Azevedo para que hoje existissem na Vila-Poema o Jardim-Horto de Camões, o monumento ao poeta, a Casa-Memória e as Pomonas Camonianas.

Tudo isto, numa tarde inspiradora durante a qual se lembrou que “há coisas que só acontecem quando há poetas por perto” e que “a poesia é a única prova concreta da existência do homem”.

António Matias Coelho, presidente da direção da Associação Casa Memória de Camões. Foto: mediotejo.net

A revista quadrimestral de poesia contemporânea NERVO pode ser encomendada pelo email nervo.colectivodepoesia@gmail.com

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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