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Quinta-feira, Outubro 21, 2021

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Constância | CDU faz balanço do 1° ano de mandato e lança duras críticas à gestão PS

Tal como fazia quando estava no poder, a CDU de Constância realizou no domingo, dia 18 de novembro, o Encontro Concelhio da coligação, no qual participaram cerca de 30 pessoas, nomeadamente os eleitos na Assembleia Municipal, Câmara Municipal e nas três Assembleias de Freguesia [Constância, Montalvo e Santa Margarida].

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“Refletir sobre a evolução ou não do concelho neste primeiro ano de mandato de gestão do Partido Socialista”, bem como “sobre as linhas de trabalho futuro” e “prestar conta aos seus eleitores” foram os dois principais objetivos do encontro que decorreu na antiga cadeia. As palavras são de Júlia Amorim, atual vereadora e ex-presidente da Câmara, para quem “o concelho não está no bom caminho”.

No texto final do encontro, a CDU classifica a gestão Socialista do município como “errática, improvisada e sem estratégia”, sublinhando os comunistas que não conseguem vislumbrar a prometida mudança. “A completa ausência de estratégia de intervenção do município é gritante”, denunciam.

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Encontro Concelhio da CDU de Constância. Foto: DR

Em resposta à afirmação do atual presidente da Câmara, [o socialista Sérgio Oliveira] segundo a qual a atual gestão camarária de maioria PS fez “mais num ano de mandato do que nos últimos quatro anos”, Rui Ferreira, eleito da Assembleia Municipal, respondeu com um comentário que terá sido feito durante o encontro: “o PS fez mais disparates num ano do que em 32 anos de gestão da CDU”.

Rui Ferreira acusa o PS de “falta de saber ouvir sobre questões fundamentais” e deu como exemplo a eleição dos representantes para a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens na Assembleia Municipal em que era proposta “uma pessoa qualificadíssima”. Segundo criticou Ferreira, “depois prevalece a lógica partidária e coloca-se no lugar pessoas sem qualquer experiência só por serem de outra fação política”, tendo acusado ainda os eleitos do PS por “não prepararem as reuniões, sobretudo na Assembleia Municipal”.

Os eleitos da CDU afirmam estar nos diferentes órgãos autárquicos “não para o bota-abaixo mas sim em defesa do desenvolvimento do concelho”, afirmou o vogal da CDU.

Júlia Amorim, por sua vez, afirmou que “estar na oposição é continuar a trabalhar sob o mesmo lema: trabalho, honestidade e competência”. “O que nos move nas nossas posições é o interesse das populações e do concelho, o nosso foco é o bem estar das populações é isso que nos move”, sublinhou.

Quando questionados sobre se a CDU já está a pensar nas eleições autárquicas de 2021, Júlia Amorim responde que a campanha eleitoral começou logo no dia a seguir às eleições de 2017. A um ano de distância sobre o resultado eleitoral que deu a vitória ao PS e afastou a CDU após décadas de governação, Júlia Amorim, ex-presidente do município, diz que hoje em dia faz “uma análise com mais desprendimento emocional”, aceitando os resultados eleitorais e respeitando a decisão do povo.

Rebatendo o slogan socialista da mudança, os eleitos da CDU concluíram que “não existiu qualquer mudança para melhor, na organização das Festas do Concelho e Pomonas Camonianas, nas atividades culturais e desportivas promovidas pelo município e freguesias e na relação destas com o movimento Associativo”.

Consideram que “não melhorou a  limpeza dos aglomerados urbanos  nas  freguesias de Montalvo e Santa Margarida da Coutada onde, durante o verão,  uma invasão de ervas predominou pelas ruas  e em que espaços emblemáticos como o açude [de Santa Margarida] foi abandonado e desprezado”.

Para os comunistas “o  encerramento e reabertura do Centro Escolar de Santa Margarida, sem os pareceres autorizados dos serviços de Saúde, ou mesmo no encerramento completo do Parque Infantil em Montalvo sem providenciar a utilização de parte dos equipamentos para as crianças poderem continuar a divertir-se, são elementos preocupantes que refletem a improvisação da gestão municipal”.

Ponte da Praia – “o maior estrangulamento do Concelho”

A CDU denuncia que a maioria socialista que governa o concelho não tenha conseguido até hoje “convencer o seu governo central, nem tão pouco o município de Abrantes, para a urgência da nova travessia que sirva a margem esquerda do Tejo”. Ao mesmo tempo, lamenta a CDU que o atual executivo votasse favoravelmente, no âmbito da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, “como primeira prioridade a construção da Ponte da Chamusca ficando em segunda prioridade o alargamento da Ponte de Constância, em pé de igualdade com uma nova travessia em Tramagal”.

Para a CDU “fica claro que a posição do nosso município perdeu peso, e muito, na reivindicação da  solução do nosso maior e  mais grave problema”.

A “falta gritante de Estratégia” no município está patente em setores como o turismo onde “não existe qualquer rumo”, sendo “inexistente” a promoção do concelho, criticam ainda.

Outro setor referido pela CDU é a educação, onde “a medida tomada de não pagar passes a alunos de outros  concelhos levará certamente, num futuro próximo, a colocar em causa a existência do Ensino Secundário” no município de Constância.

Encontro Concelhio da CDU de Constância. Foto: DR

Como forma de combate à desertificação sobretudo na Freguesia de Santa Margarida da Coutada, a CDU defende a venda, a preços simbólicos, dos lotes de terrenos municipais.

A criação de uma empresa intermunicipal de abastecimento de água e de saneamento é outra das preocupações da CDU. Os eleitos criticam a passagem da gestão direta destes serviços básicos para essa empresa que vai definir os tarifários a praticar no concelho e criar um oneroso Conselho de Administração.

“Nós gostávamos que tivesse sido feito mais, melhor e diferente, como foi prometido pelo PS durante a campanha eleitoral, mas tal não aconteceu”, segundo Júlia Amorim.

Apesar de todas as críticas, a CDU reconhece como positivos aspetos como “a criação de uma zona de estacionamento junto à Sociedade da Portela (ideia e negociação de terrenos que vinham do anterior mandato), o arranjo em frente ao Cemitério da Portela,  o concurso 7 Maravilhas à Mesa e algumas pequenas obras”.

Na parte final do Encontro Concelhio da CDU, usou da palavra Diogo d’Ávila, membro do Comité Central do PCP, o qual teceu algumas considerações sobre a importância da realização desta jornada de reflexão e apresentou a exposição evocativa do II centenário do nascimento de Karl Marx – Legado, Intervenção e Luta, Transformar o Mundo -, a qual pode ser visitada até domingo, dia 25, entre as 15h e as 17h, no edifício da antiga Cadeia.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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