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Segunda-feira, Dezembro 6, 2021
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Constância | Atrasos na vacinação originam ajuntamentos e confusão à porta do Centro de Saúde (C/VIDEO)

Uma concentração inusitada de pessoas entupiu esta manhã a entrada do Centro de Saúde de Constância, com dezenas de utentes a aguardar pela sua vez na rua e em pé para o processo de vacinação, tanto para a gripe como para a covid-19. Apesar dos agendamentos, os períodos de espera ultrapassaram uma hora e o descontentamento com o confusão instalada era bem visível.

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Os cidadãos, pacientemente, esperaram, mas não não calaram a indignação, tendo Máximo Ferreira, ao fim de quase uma hora de espera na rua, dado conta na sua página pessoal do que se estava a passar: “Confusão no Centro de Saúde de Constância! A “hora marcada” não vale! É por “ordem de chegada”, diz uma funcionária. É por “ordem alfabética”, diz outra”, relatou o cidadão. 

Os atrasos no processo de vacinação levaram a um aglomerado de pessoas à porta do Centro de Saúde de Constância. Foto: mediotejo.net

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Quando o mediotejo.net chegou ao local, estavam a ser chamadas pessoas às 11h23, que tinham marcação para as 10h30. Estes atrasos levaram à concentração de um aglomerado significativo de pessoas à porta do Centro de Saúde, a grande maioria das quais de idade avançada e todas em pé, onde esperavam pela sua vez e recebiam as folhas para preencher. O descontentamento era visível. 

“A minha marcação foi-me feita por telefonema, pelo SNS, e foi marcada para as 10h17. Devo ter levado a vacina uma hora depois”, disse-nos o utente Máximo Ferreira, depois de já ter sido vacinado.

VIDEO | MAXIMO FERREIRA, UMA HORA DE ESPERA COM VACINAÇÃO AGENDADA:

Máximo Ferreira, astrónomo e ex-autarca de Constância, acrescentou que o pior da situação foi o facto de as funcionárias que controlavam as entradas – embora depois tenha havido uma correção – não terem na sua posse a listagem das pessoas marcadas para determinadas horas, o que gerou alguma confusão.

Esta confusão foi-se depois atenuando quando apareceu uma listagem já com os horários marcados, tendo as funcionárias tentado recuperar quem estava há mais tempo à espera, o que “desanuviou” um pouco a situação.

Atrasos na vacinação originam ajuntamentos e confusão à porta do Centro de Saúde de Constância. Foto: mediotejo.net

Um certo desfasamento entre a decisão central e a realidade local foi também um dos fatores considerados na origem da decisão: “suponho também que o SNS fará as marcações a partir de um ponto central, como não podia ser de outra forma, mas talvez não tenha em atenção as particularidades de cada centro que estão longe dos pontos de decisão. Mas a realidade que podemos constatar é que isto aconteceu”, disse Máximo Ferreira. 

“Nestas circunstâncias, de questões de saúde, somos todos tolerantes, mas enfim, nem sempre temos a tolerância suficiente para passar ao lado destas coisas que julgamos que podem e devem ser melhoradas”, afirmou. 

Atrasos na vacinação originam ajuntamentos e confusão à porta do Centro de Saúde de Constância. Foto: mediotejo.net

O mediotejo.net tentou pedir um esclarecimento a algum responsável sobre a situação e os motivos que originaram este constrangimento no processo de vacinação, mas ninguém se mostrou disponível para prestar declarações.

Covid-19 | Investigador avisa para urgência da vacinação antes do Natal

O investigador do INSA Baltazar Nunes estimou hoje que para evitar que se atinja o limiar das 255 camas em cuidados intensivos é preciso vacinar praticamente toda população com mais de 65 anos até ao final de dezembro.

Na sua intervenção na reunião de peritos no Infarmed, em Lisboa, Baltazar Nunes apresentou vários cenários, afirmando que, na maior parte deles, “o pico de maior pressão sobre o sistema nacional de saúde em camas ocupadas em unidades de cuidados intensivos é o período entre final de janeiro e princípio de fevereiro”.

“Para não atingirmos o limiar de 255 camas em cuidados intensivos, que é o nível de alerta que definimos para não começar a afetar o funcionamento normal dos serviços de saúde, precisamos de vacinar praticamente toda a população elegível para vacinação (mais de 65 anos) antes do período em que irá haver uma maior transmissibilidade que é o período de finais de dezembro”, disse o responsável da unidade de investigação epidemiológica do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

Observou, contudo, se o país tiver “uma situação bastante mais favorável”, com “uma perda de efetividade mais lenta” todos os cenários estão abaixo da linha vermelha.

Por isso, defendeu, “é muito importante” atingir elevados níveis de cobertura vacinal na dose de reforço na população elegível, afirmou, sublinhando que existe claramente uma correlação entre a cobertura vacinal, a incidência e a mortalidade.

Baltazar Nunes salientou que as simulações apontam que a redução da efetividade da vacina no tempo vai-se traduzir, provavelmente, numa onda epidémica e com a intensidade de impacto que poderá ultrapassar as “linhas vermelhas”.

No entanto ressalvou, há uma medida que está a ser implementada e que vai ter um efeito claro: “Se conseguirmos vacinar grande parte da população que é elegível antes do Natal podemos claramente evitar uma onda epidémica que ultrapasse as ‘linhas vermelhas’ e sem impacto significativo no Serviço Nacional de saúde”.

“À medida que a cobertura vacinal aumenta, a incidência a 14 dias diminui e Portugal coloca-se claramente como o país com maior cobertura vacinal e numa situação bastante confortável a nível de impacto em termos de incidência”, vincou.

Esta relação torna-se ainda “mais clara” tendo em conta a mortalidade.

Fazendo a comparação com a situação há um ano, apontou que nessa altura Portugal estava com uma taxa de 700 casos por 100 mil habitantes a 14 dias e atualmente com 190.

“vemos agora uma maior transmissibilidade do que há um ano, mas nessa altura também tínhamos medidas não farmacológicas implementadas, estávamos naquela fase em que estávamos com um confinamento aos fins de semana e o índice de confinamento na altura já era de cerca de 36%”, rematou.

c/LUSA

Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo. Ávido leitor, não dispensa no entanto um bom filme e um bom serão na companhia dos amigos.

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