Terça-feira, Março 2, 2021
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Constância | Assembleia Municipal aprova voto de pesar pela morte de Manuela de Azevedo

A Assembleia Municipal de Constância aprovou por unanimidade um voto de pesar pela morte de Manuela de Azevedo, aos 105 anos, primeira mulher jornalista em Portugal e que dedicou boa parte da sua vida à divulgação da obra camoniana, tendo sido uma das fundadoras da Associação Casa-Memória de Camões, em Constância.

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A declaração da bancada da CDU, lida pelo vogal Rui Ferreira, com voto de pesar e sentidas condolências, foi transformada em moção por sugestão do presidente da Assembleia Municipal, António Mendes, tendo sido aprovada por unanimidade.

Rui Ferreira, da CDU, apresentou a moção por voto de pesar pela morte de Manuela de Azevedo. Foto: mediotejo.net

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Antes, o vogal Carlos Dias, do PS, leu uma declaração escrita sobre dois assuntos: a poluição no rio Tejo e um voto de pesar da sua bancada pela morte de Manuela de Azevedo, fundadora da Associação Casa Memória de Camões, e Mário Soares, ex-primeiro-ministro e ex-presidente da República, fundador do PS. A declaração não foi apresentada como moção para poder ser votada pelos membros da Assembleia Municipal.

Manuela de Azevedo, a primeira jornalista mulher a ter carteira profissional em Portugal e fundadora da Associação Casa-Memória de Camões, em Constância, morreu este mês de fevereiro, no Hospital de S. José, em Lisboa, aos 105 anos.

Além da obra literária e jornalística, Manuela de Azevedo deixa a sua marca na Casa-Memória de Camões, em Constância, projeto que fundou e em que trabalhou durante 40 anos, sendo sócia nº1 e presidente honorária.

Manuela de Azevedo, fundadora da Associação Casa-Memória de Camões, morreu a 10 de fevereiro, aos 105 anos. Foto: DR

A centenária foi romancista, ensaísta, poeta e contista, tendo escrito também peças de teatro, uma delas censurada pelo regime de Salazar, tendo ainda enfrentado a censura num artigo que escreveu em 1935 sobre a eutanásia. O Museu Nacional da Imprensa lembrou como a jornalista conseguiu a primeira entrevista do ex-rei Humberto I de Itália, que se exilara em Lisboa, após a implantação da República. Manuela de Azevedo fez-se passar por criada para conseguir a entrevista, que foi publicada no Diário de Lisboa, em junho de 1946.

António Mendes (ao centro) é o presidente da Assembleia Municipal de Constância. Foto: mediotejo.net

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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