Constância: Aprendeu-se Camões com Guilherme d’Oliveira Martins

Aula Aberta com Guilherme d'Oliveira Martins. Foto: mediotejo.net

A casa onde se defende que Luís de Camões ficou durante a sua passagem pela vila de Constância transformou-se em sala de aula na manhã desta quarta-feira, dia 19, para os alunos do ensino secundário que ouviram Guilherme d’Oliveira Martins falar sobre o poeta e a sua obra. A iniciativa realizou-se na Casa-Memória de Camões, um projeto de Manuela de Azevedo com mais de meio século que a Associação Casa-Memória de Camões pretende tornar num polo dinamizador da cultura camoniana a nível nacional.

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O “Ano de Camões”, celebrado em 2016/17, assinala os 40 anos da Associação Casa-Memória de Camões e os 25 anos da Escola Secundária Luís de Camões. É o ano do poeta por excelência em Constância e entre as diversas iniciativas programadas encontrava-se a Aula Aberta com Guilherme d’Oliveira Martins para os alunos do ensino secundário do concelho que teve lugar esta quarta-feira na Casa-Memória de Camões.

Os sessenta e cinco lugares do auditório do edifício classificado como Imóvel de Interesse Público em 1983 foram insuficientes para os representantes da comunidade escolar, cultural e política que, entre outros pontos da “matéria” – por exemplo, a influência da “Odisseia” (Homero) e da “Eneida” (Virgílio) na obra ou o foco na ideia de viagem – conheceram o Velho do Restelo desmistificado por Guilherme d’Oliveira Martins. Para o jurista e político, camoniano confesso, a figura da praia representa não o pessimismo a que muitas vezes é associada, mas o sentido crítico do poeta ao avisar para os perigos da “cobiça”.

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Luís de Camões foi apresentado como “um autor que podia ser do nosso tempo” e a obra “Os Lusíadas” enquanto “a primeira referência poética da maturidade da língua portuguesa”. Língua essa destacada por Guilherme d’Oliveira Martins como uma entre as cinco que atualmente se encontram em crescimento no mundo, a par do mandarim, do hindi, do inglês e do espanhol.

fotos: mediotejo.net
fotos: mediotejo.net

No final da aula, que também incluiu questões e declamações de de trechos da obra épica do poeta por parte dos alunos, o “professor” voltou a salientar ao mediotejo.net a expressão universal da língua portuguesa. Uma “língua viva que tem Camões como grande referência e devemos vanglorizar”, acrescentando que “Constância, a Casa-Memória e tudo aquilo que aqui está representado deve ser visto num contexto mais alargado que é a projeção da língua portuguesa no mundo. Língua de várias culturas, culturas de várias línguas”.

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Um legado deixado por Luís de Camões e sonhado por Manuela de Azevedo que a recente Direção da Associação Casa-Memória de Camões pretende perpetuar na antiga Casa dos Arcos. António Matias Coelho, presidente da associação, partilhou com o mediotejo.net as dificuldades com que se depararam há meio ano e os esforços que estão ser desenvolvidos junto de líderes de opinião e instâncias políticas para tornar a Casa-Memória de Camões num espaço de referência a nível nacional.

fotos: mediotejo.net
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Nas suas palavras, a “obra grandiosa deixada por Manuela de Azevedo há meio-século”, tal como o Monumento a Camões de Lagoa Henriques e o Jardim-Horto Camoniano, demorou mais de vinte anos a ser construída e representou um investimento de milhares de euros para o Estado Português. No entanto, cerca de uma década depois de concluídas as obras projetadas pela Faculdade de Arquitetura de Lisboa, o sonho da jornalista apenas se materializou em alvenaria.

Para António Matias Coelho, o espaço que materializa a “relação profunda” de Constância com “a memória de Camões” deve ser igualmente uma “casa de Camões de Portugal, como Espanha tem uma casa de Cervantes, Inglaterra tem uma casa de Shakespeare e Itália tem uma casa de Dante”. A casa existe, mas é “preciso dar-lhe conteúdos para se falar de Camões, relevar a importância da literatura portuguesa, da língua portuguesa, da cultura portuguesa, da universalidade portuguesa”.

O trabalho, destaca, não deve ser feito unicamente pela associação devido às limitações de “recursos humanos, materiais e financeiros” ou pelo município, mas também pelo próprio Estado para evitar “o desperdício que está a acontecer em Constância”. A par dos alertas, a Associação Casa-Memória de Camões pretende promover atividades que contribuam para a afirmação do espaço enquanto polo dinamizador da cultura camoniana em Portugal.

fotos: mediotejo.net
fotos: mediotejo.net

A próxima, o colóquio “A Biblioteca e o Património Cultural Imaterial – Memória e Identidade” acreditado para formação de professores, realiza-se nos dias 18 e 19 de novembro. A iniciativa está a ser organizada numa parceria com a Câmara Municipal, a rede de bibliotecas do concelho e a Rede de Bibliotecas Escolares e inclui uma manhã dedicada à relação de Luís de Camões com Constância, assim como uma visita guiada ao Jardim-Horto Camoniano por Ana Maria Dias, da Casa-Mémória de Camões, e Máximo Ferreira, do Centro Ciência Viva de Constância.

Uma semana depois, às 10h15 de dia 28, é lançado o livro “Até que o Amor me mate – As Mulheres de Camões”, de Maria João Lopo de Carvalho. A autora vem até à Casa-Memória de Camões durante a Feira do Livro para apresentar o seu romance histórico, publicado no passado mês de junho, que mostra o poeta na perspetiva de sete mulheres que o amaram durante a vida.

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