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Sábado, Setembro 18, 2021

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Constância | Aniversário de Alexandre O’Neill comemorado com prémios, poesia e cinema

O 93º aniversário de Alexandre O’Neill foi comemorado esta terça-feira, dia 19, na Biblioteca Municipal da qual é patrono. O momento realizou-se no Espaço Memória Alexandre O’Neill, um ano depois da sua inauguração, e juntou as palavras do escritor, poeta, tradutor e publicitário às que granjearam a Célia Chamiça e José Martinho Gaspar o primeiro lugar do concurso literário.

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A cerimónia teve início com a sessão de poesia promovida pelo Centro de Estudos de Comunicação e Cultura da Universidade Católica Portuguesa no âmbito do protocolo assinado entre a autarquia e este estabelecimento de ensino superior no passado dia 20 de junho. As últimas palavras declamadas foram as do poema “O Barqueiro de Constância”, seguindo-se a exibição do documentário “Mural dos Poetas”, realizado por Madalena Jorge, aluna da ESTA – Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (Instituto Politécnico de Tomar).

O filme coproduzido pela Biblioteca Municipal Alexandre O’Neill apresentou a intervenção artística em que Alexandre O’Neill, Camões e Vasco de Lima Couto ganharam forma através da arte do pintor Massimo Esposito, apoiado por alunos do Agrupamento de Escolas de Constância e da Associação Entroncartes.

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Os três poetas passaram a marcar presença regular em frente à biblioteca municipal no mural de arte urbana com cerca de 50 metros de comprimento e três metros de altura desde o dia 14 de setembro.

Sessão de poesia promovida pelo Centro de Estudos de Comunicação e Cultura da Universidade Católica Portuguesa. Fotos: mediotejo.net

O programa comemorativo reservou para o último momento a entrega dos prémios do Concurso Literário Alexandre O’Neill 2017. O prazo de entrega dos trabalhos terminou no passado mês de julho e o júri composto pela vereadora Ana Filipa Montalvo, António Gomes (Agrupamento de Escolas de Constância) e Manuela Arsénio (Associação Casa-Memória de Camões) reuniu no dia cinco deste mês para escolher os vencedores nas modalidades de poesia e conto do escalão “comunidade adulta”.

Célia Chamiça e José Martinho Gaspar conquistaram o primeiro lugar com o poema “Segredos do Além” e o conto “Espinho ou pétala, rosa?”, respetivamente. A escritora de Lisboa juntou o prémio a outros e, no caso do concurso literário Alexandre O’Neill, revelou que o poema selecionado foi escrito há mais de 40 anos e é dedicado “à memória de um amigo”, uma criança com leucemia cuja luta acompanhou. Um elemento comum com o autor de Abrantes que venceu este prémio pela segunda vez, depois de o ter conquistado na segunda edição com o conto “Os Sonhos de Alexandre”.

Exibição do documentário sobre o “Mural dos Poetas”. Fotos: mediotejo.net

José Martinho Gaspar revelou ao mediotejo.net que a história premiada este ano é de “amizade e superação” e se inspira em Rosa Barralé, antiga presidente da Junta de Freguesia de Tramagal, a quem foi diagnosticada poliomielite (paralisia infantil) quando tinha cerca de dois anos de idade.

O apoio incondicional dos pais numa aldeia pequena “onde nem sequer havia escola” é um dos factos reais que se misturam com a ficção naquilo que o autor abrantino diz ser uma “homenagem a uma grande mulher” com uma vida inspiradora.

A conquista do primeiro lugar nesta quarta edição é encarada com satisfação “sobretudo pelo reconhecimento”, que diz considerar muito importante na medida em que aumenta a “vontade de continuar” esta ocupação “de tempos livres”. Questionado se tal como o conto “Os Sonhos de Alexandre” foi integrado na obra “Histórias de Ter de Ser”, lançada a 9 de novembro, também “Espinho ou pétala, rosa?” surgirá num novo livro, respondeu que o mesmo “chegará a seu tempo, mas não é para já”.

Célia Chamiça e José Martinho Gaspar foram os vencedores da quarta edição do concurso literário Alexandre O’Neill. Fotos: mediotejo.net

Para já, é suficiente o destaque que obteve entre os 44 trabalhos apresentados por 25 concorrentes que, segundo, Rui Duarte, técnico superior do município ligado à biblioteca, este ano ultrapassaram fronteiras continentais com a participação de um concorrente brasileiro. Nas suas palavras, o concurso literário contribui para fortalecer “a ligação de Alexandre O’Neill ao concelho” e “reforçar a marca «Vila Poema»”. Um elo que também vai sendo reforçado através do Espaço Memória que partilha alguns dos 3461 títulos da biblioteca pessoal do poeta doados pelo filho no ano em que este faleceu (1986), procurado por “um público mais restrito” que tentam alargar através de iniciativas dirigidas a outros públicos específicos.

A marca “Vila Poema” continua a ser trabalhada e o presidente da Câmara Municipal de Constância partilhou com o mediotejo.net que o cenário é “ideal” para quem procura inspiração poética, nomeadamente pela “própria fisionomia da vila”.

Segundo Sérgio Oliveira, a promoção da poesia e da literatura são fundamentais e constituem uma “obrigação da câmara municipal enquanto entidade promotora da cultura junto dos nossos munícipes e da população em geral”.

O presidente da autarquia, Sérgio Oliveira, e alguns elementos do executivo municipal estiveram presentes. Fotos: mediotejo.net

A participação de autores estrangeiros na edição de 2017 do concurso literário é encarada com “orgulho”, referindo que o atual executivo pretende dar continuidade a este trabalho iniciado pelos seus “antecessores”. Para o autarca, a literatura e a poesia “fizeram o nosso país avançar e que diversos hábitos se mudassem” e podem projetar o concelho “no exterior”, tal como atrair “aqueles que nos queiram visitar e investir nas várias vertentes e também todos os escritores e poetas que queiram vir e fixar-se em Constância”.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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