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Terça-feira, Dezembro 7, 2021
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Constância | Anabela e João Paulo na Vila Poema transformada em Vila Amor (c/ vídeo)

A história, ou melhor, o conto de tágides que une Anabela e João Paulo tem pormenores únicos que se misturam com a própria História da vila de Constância. Foi ali que escolheram viver e a Vila Poema depressa se revelou para ambos a “Vila Amor”, inspirando um casamento quinhentista com convidados vestidos a rigor e trazendo até Camões os cadeados que prendem quem quer “estar preso por vontade”.

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Anabela Ferreira (42) e João Paulo Morais (44) encontraram-se, apaixonaram-se, juntaram-se, tiveram filhos, casaram e são felizes na terra onde moram. Até aqui a história parece semelhante a muitas que vamos conhecendo pela vida fora. No entanto, este conto de fadas tem contornos camonianos, tornando-se num conto de tágides sobre o casal de cabeleireiros que trabalha nas aparências alheias, mas mostra que importante é o que vem de dentro.

Deixemos o primeiro encontro em Constância para os rios Zêzere e Tejo. O de Anabela e João Paulo deu-se durante uma viagem organizada entre colegas de profissão. Conheceram-se e a partir daí o conto desenrola-se de cinco em cinco anos. Cinco anos até ela lhe dizer o primeiro “sim”. Cinco anos até ao “sim” abençoado e cinco anos até ficarem eternamente presos pelo amor.

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Para conseguir o primeiro, João Paulo percorreu quilómetros entre Tomar, a terra natal, e perto de Sacavém, onde Anabela trabalhava. Pelo meio havia a passagem por Constância, no salão que abriu há 17 anos, e acabaria por motivar a mudança. Pensaram “aqui ou lá em baixo, havemos de ser felizes” e a zona da capital acabou por ser relegada para segundo plano por outro local bem conhecido do grande poeta. A espera compensou e foi encarada por João Paulo como um desafio pois “o que fácil se consegue, fácil se perde”.

Fotos: mediotejo.net

Se Luís Vaz de Camões pediu inspiração às tágides para escrever a sua obra épica, os Lusíadas, quase meio milénio depois foi ele quem serviu de inspiração para o segundo “sim”. Anabela e João Paulo juntaram História à própria história e organizaram um casamento quinhentista durante as Pomonas Camonianas, em 2011. Os cerca de 150 convidados que apareceram vestidos a rigor, aos quais se juntaram milhares de visitantes e turistas, viram a chegada da noiva de barco e o passeio do casal de charrete pelas ruas.

Ninguém foi recebido em casa dos pais dos noivos, como manda a tradição, mas sim num buffet ao ar livre confecionado pelos alunos do Núcleo de Hotelaria e Restauração do Agrupamento de Escolas de Constância. Juntaram-se antes e depois do casamento para apreciarem a vista para o rio Zêzere, de manhã no miradouro sob o olhar atento de Camões e à tarde no Centro Náutico.

Do último local a vista para a vila é privilegiada para as ruas calmas, tantas vezes vazias de gente, mas cheias de recantos que ambos consideram únicos e convidam outros a ir conhecer. Sim, porque Constância “prende” pelo romantismo e se Camões dizia que o amor é “querer estar preso por vontade” a melhor forma que Anabela e João Paulo encontraram para o demonstrar foi através dos “cadeados do amor”, inspirados nos de Verona (Itália), terra imortalizada pela obra shakespeariana sobre Romeu e Julieta.

Fotos: mediotejo.net

É nesta parte do conto que damos o último salto temporal de cinco anos, por ocasião do quinto aniversário de casamento, em que Anabela e João Paulo fecharam o primeiro cadeado na vedação do Jardim-Horto Camoniano. A chave está guardada, mas a água do(s) rio(s) aguarda-a no dia em que a câmara municipal decidir o local onde irá colocar um coração “oficial” para receber as provas de amor eterno dos (e)namorados.

Seguindo a lógica temporal, uma nova ideia deverá ganhar forma em 2021. Até lá, Anabela e João Paulo pretendem continuar a dar motivos aos que os rodeiam para que tenham a oportunidade de se apaixonar, a dois e pela terra, que mais do que Vila Poema, dizem sentir como “Vila Amor”. O futuro também passa por “criar laços” entre si e “reforçá-los” com os dois filhos com quem partilham casa numa das ruas em que apenas é possível perder-se… de amores.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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