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Segunda-feira, Outubro 18, 2021

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Constância | A noite em que o concelho gostou (mais) de si mesmo (c/ fotos e vídeo)

A noite desta quinta-feira, dia 7, estava propícia à observação de estrelas e o Centro de Ciência Vida de Constância teve enchente. No entanto, os visitantes não ficaram na rua a olhar para o céu, mas sim para o palco do anfiteatro Rómulo de Carvalho onde a Associação Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro, a Associação Casa-Memória de Camões e o Rancho Folclórico “Os Camponeses” de Malpique brilharam no “Gostar de Constância”.

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Os três foram selecionados para a sétima edição da iniciativa que, ano após ano, aumenta a constelação de pessoas e entidades distinguidas pelo contributo na unicidade do concelho. A data 7 de dezembro não surge por acaso uma vez que o “Gostar de Constância” assinala, igualmente, o dia em que Dona Maria II definiu por decreto real: “Hei por bem que a mencionada Villa se denomine d’ora em diante Notavel Villa de Constancia”.

Passados 181 anos, a antiga “Villa de Punhete” voltou a escolher um “Notável” de cada freguesia e foi na música, na memória de Camões e na etnografia local que decidiu mostrar orgulho. Sérgio Oliveira esteve presente no evento pela primeira vez enquanto presidente da Câmara Municipal e expressou a felicidade por ver o auditório completo: “um sinal de que o concelho está vivo, as pessoas estão aqui e responderam ao desafio que lançámos”.

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Gostar de Constância 2017

Publicado por mediotejo.net em Quinta-feira, 7 de Dezembro de 2017

O mediotejo.net acompanhou em direto os primeiros momentos do “Gostar de Constância 2017”

Satisfação partilhada minutos antes do início das apresentações individuais e atuações de cada homenageado, tendo o autarca sublinhado ao mediotejo.net o “sentimento de felicidade e orgulho por tudo aquilo que o concelho tem neste momento a nível de associações, coletividades e das pessoas”. Questionado sobre o que torna Constância “notável”, apontou a gastronomia, pontos de interesse turístico e a proximidade de eixos rodoviários estratégicos (A23 e A1).

Motivos “válidos” que considera justificarem visitas e investimento num município que tem confimado a notabilidade atribuída por decreto real através da “força do nosso povo”. Segundo o presidente, “as terras são feitas de pessoas e aquilo que tornou Constância notável foram efetivamente as pessoas que nunca desistiram perante as dificuldades que enfrentaram ao longo destes quase 200 anos”, nomeadamente na altura da “decadência da atividade marítima”.

Num passado mais recente surgiram as “estrelas” do sétimo “Gostar de Constância”. Em 2017, a Associação Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro celebrou o seu 31º aniversário, a Associação Casa-Memória de Camões o 40º e o Rancho Folclórico “Os Camponeses” de Malpique o 32º e os seus responsáveis falaram sobre a História, o presente e o futuro das respetivas entidades.

Atuação da banda da Associação Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro. Foto: mediotejo.net

Máximo Ferreira, presidente da associação criada na freguesia de Montalvo com o objetivo de ensinar e divulgar a música, falou sobre a motivação dos fundadores e a importância do trabalho desenvolvido na Escola de Música, atualmente com mais de 100 alunos distribuídos pela sede, o polo cedido pela Junta de Freguesia de Santa Margarida da Coutada, no Coro Adulto, no Ensino Articulado, assim como no projeto “ABC da Música”.

A Associação Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro desempenha o seu papel de embaixador do concelho apesar das dificuldades financeiras com que se depara na medida em que o instrumento musical mais barato custa cerca de 700 euros. No entanto, o lema de que “ninguém deixa de estudar música poque não tem dinheiro” não esmorece os planos para o futuro que incluem novas instalações e a gravação de um cd.

A Associação Casa-Memória de Camões recebeu uma ofertas entregues aos homenageados. Foto: mediotejo.net

A música deu lugar à memória do poeta que António Matias Coelho disse ser hoje “sinónimo” do concelho. O presidente da Associação Casa-Memória de Camões, sediada na freguesia de Constância, passou de entrevistador a entrevistado no momento em que a associação idealizada por Manuela de Azevedo na década de 70 do século passado foi reconhecida no “Gostar de Constância 2017”. Helena Calhau questionou o historiador sobre as dificuldades, desafios e expetativas da entidade empenhada em “entranhar Camões” na memória coletiva, sobretudo das gerações mais jovens, e tornar Constância no “centro da atividade camoniana em Portugal” com o reconhecimento da Casa-Memória enquanto espaço de “dimensão nacional”.

Uma missão “gigantesca” perante o cenário que descreveu ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, por ocasião do 105º aniversário de Manuela de Azevedo (entretanto falecida): “precisamos de tudo, menos da casa”. Os contactos desenvolvidos junto das instâncias governamentais começaram surtir efeito e António Matias Coelho anunciou que na próxima semana chegará a Constância o documento com o “o comprometimento do Ministro da Cultura quanto a esta tarefa”.

Atuação do Rancho Folclórico “Os Camponeses” de Malpique. Foto: mediotejo.net

Igualmente associado à memória, mas das gentes de Constância do início do século XX, está o Rancho Folclórico “Os Camponeses” de Malpique, da freguesia de Santa Margarida da Coutada. A representá-lo esteve o seu presidente, João Maria Varino, que destacou a “obrigação de trazer para os dias de hoje as vivências de outrora” marcadas pela ruralidade e as tarefas agrícolas identificadas através da pesquisa e recolha rigorosas de dados históricos e etnográficos.

A noção de que o folclore se trata de um mero espetáculo de dança e música foi afastada pelo responsável do grupo instalado na antiga escola primária de Malpique, recentemente rebatizada como “Oficina da Cultura”. Para João Maria Varino cada subida ao palco é uma “demonstração” e as atuações deste rancho incluem quadros vivos que espelham a unicidade do folclore português e perpetuam um legado que “não voltará a aparecer”.

O presidente da última entidade homenageada esta quinta-feira acrescentou que “um povo sem passado, naturalmente não terá futuro” e as suas palavras acabam por traduzir o mote do “Gostar de Constância”. Neste evento, o concelho faz a ligação entre o que foi e o que será ao mostrar os motivos pelos quais gosta de si mesmo no presente e traçando o caminho notável que pretende seguir.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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