Sexta-feira, Fevereiro 26, 2021
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Constância: A I Guerra Mundial recordada por populares e historiadores

O concelho de Constância contribuiu para o contingente militar português que participou na I Guerra Mundial. O montalvense Manoel Rodrigues Silva foi um dos soldados enviados para a frente de batalha e registou a vida das trincheiras na sua agenda de algibeira. Essas memórias e os factos históricos associados ao conflito ocorrido há um século foram o tema da iniciativa “O Ribatejo e a Grande Guerra” realizado esta sexta-feira e sábado, 28 e 29, na Quinta Dona Maria (Museu Quintas do Tejo).

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As memórias e os factos históricos relacionados com a participação militar portuguesa na I Guerra Mundial, nomeadamente os associados à região do Ribatejo e ao concelho de Constância, foram o tema da iniciativa “O Ribatejo e a Grande Guerra”. O evento promovido pelo município e o Fórum Ribatejo decorreu na Quinta Dona Maria (Museu Quintas do Tejo), em Montalvo, e envolveu uma sessão com a população na noite do dia 28 e um colóquio com diversos historiadores durante o dia 29.

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Sessão com a população. Foto: mediotejo.net

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No primeiro momento estiveram presentes familiares de alguns dos 56 combatentes naturais do concelho de Constância (14 de Constância, 19 de Montalvo e 23 de Santa Margarida da Coutada) que integraram o contingente de 20.000 homens preparado em tempo recorde no Campo de Instrução e Manobra de Tancos, Vila Nova da Barquinha. A Alemanha declarou guerra a Portugal em 9 de março de 1916 e a 22 de julho os soldados portugueses mostravam o seu poderio naquela que ficaria conhecida como a Parada de Montalvo.

Entre eles encontrava-se Manoel Rodrigues Silva, natural de Montalvo, que registou a vida das trincheiras na sua agenda de algibeira e cujos relatos se juntam às memórias de familiares dos combatentes – recolhidas por Anabela Cardoso e Susana Silva ao longo de dois anos – num livro editado pela Câmara Municipal.

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A agenda de algibeira de Manoel Rodrigues Silva. Foto: mediotejo.net

A obra “As Memórias da Grande Guerra em Montalvo” foi apresentada na noite de sexta-feira e Júlia Amorim, presidente da autarquia, anunciou que será oferecida às bibliotecas do concelho, incluindo as escolares. A mesma pode ser encomendada por e-mail enviado para o município ou adquirida no Posto de Turismo, Parque Ambiental de Santa Margarida e Museu dos Rios.

Alguns interessados tiveram a oportunidade de a adquirir durante a sessão com a população. Além das investigadoras, na mesa moderada por Manuela Arsénio, estiveram igualmente presentes Isabel Pestana Marques, investigadora da Universidade Nova de Lisboa, e António Matias Coelho, coordenador do Fórum Ribatejo, que fizeram uma contextualização histórica da participação portuguesa na I Guerra Mundial.

Anabela Cardoso e o familiar de um antigo combatente. Sessão com a população. Foto: mediotejo.net
Anabela Cardoso pediu aos familiares de antigos combatentes para partilharem memórias. Foto: mediotejo.net

No sábado realizou-se o colóquio com oito historiadores e uma homenagem a João Moreira, personalidade ribatejana ligada às áreas da comunicação, cultura e património. A primeira apresentação “Montalvo e a Grande Guerra” foi feita por António Matias Coelho, seguida de Anabela Cardoso com as “Memórias de Guerra de Manoel Rodrigues Silva – Um Militar do Corpo expedicionário Português de Montalvo” e um período de debate.

O primeiro debate da tarde realizou-se depois das intervenções de Aurélio Lopes, Fernando Rita e Gabriel Feitor. O primeiro analisou “A Grande Guerra e as Aparições de Fátima”, o segundo abordou “O Concelho de Santarém na Grande Guerra” e o terceiro apresentou “Anastácio Gonçalves e a Grande Guerra”.

Pormenor da exposição temática. Foto: mediotejo.net
Pormenor da exposição temática. Foto: mediotejo.net

O segundo grupo de convidados integrou Maria Manuel Simão, Luís Batista e Mariana Gregório, que falaram sobre “A Grande Guerra – Os cartaxenses e e a sua participação dentro e fora do país”, “Padre Manuel Caetano – Um capelão militar ribatejano do CEP na Flandres (1917/18)” e “Os boches deram-nos um ataque… A Batalha de La Lys nas palavras do 2º Sargento Rodrigo António Rodrigues”, respetivamente.

Ao longo dos dois dias o público pode conhecer a exposição temática “Do Campo de Manobras de Tancos ao Campo Militar de Santa Margarida”, organizada pela Brigada Mecanizada e o Museu Nacional Ferroviário, que esteve recentemente neste museu do Entroncamento.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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