Conferências do Liceu: O CEO que lançou a moda do papel higiénico preto

Foto: mediotejo.net

Paulo Pereira da Silva, um homem da física, que fez a maior parte do seu percurso académico no estrangeiro, é natural de Alferrarede, Abrantes. É o CEO da empresa Renova, com sede em Torres Novas. Durante a sua participação no ciclo de conversas/debates promovidos pelas Conferências do Liceu, do Agrupamento de Escolas nº 2 de Abrantes, referiu que “vive no presente” e acredita num mundo em constante mudança e que exige criatividade e capacidade de adaptação, caso contrário, afirma, “estamos mortos”.

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A sala do piso superior, no edifício Sr. Chiado, encheu para ouvir Paulo Pereira da Silva, depois do CEO da Renova ter participado durante a tarde na conferência dirigida aos alunos da escola Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes, o liceu onde estudou.

Depois de feita uma viagem pelo seu percurso, passando pelo momento em que ingressou na empresa Renova, o engenheiro físico, apaixonado por física quântica, respondeu ainda a algumas questões de quem assistia, e que procurou saber mais sobre a ideologia do CEO.

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Em conversa com o mediotejo.net, Pereira da Silva referiu não gostar de fazer balanços de vida: “Gosto de viver no presente. Não me interessa muito estar a falar do passado, gosto de viver o ‘agora’ em plenitude. Gosto de fazer coisas diferentes, tenho muita dificuldade em fazer as mesmas coisas todos os dias da mesma maneira. Gosto de estudar assuntos diferentes, gosto de estar com pessoas diferentes, com idades diferentes, e a fusão dessas coisas todas é importante para o meu equilíbrio como pessoa. E acho que teria muita dificuldade em viver de outra maneira.”

Paulo Pereira da Silva fica com o seu nome ligado à invenção do papel higiénico preto. Não só preto, mas de tantas outras cores, que passaram também para outros produtos, desde rolos de cozinha a guardanapos.

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104 milhões de euros, em 2015, foi o mais recente recorde alcançado com as vendas destes rolos de papel, sendo que é o papel higiénico que concentra metade das vendas da empresa.

A Renova, em 1963, pertencia a sete famílias, sendo que o avô de Paulo Pereira da Silva foi um dos fundadores. Ainda assim, Pereira da Silva foi o único da sua família a chegar à gestão da empresa, tendo começado como engenheiro assistente do director de transformação de papel, em 1984, depois de regressar da Suíça com o curso de Engenharia Física pela École Polytechique Fédérale de Lausanne.

Em 1991 foi eleito para o conselho da fábrica situada junto à nascente do rio Almonda, e eleito CEO em 1995, cargo que exerce até hoje.

Muitas vezes, em tom de brincadeira, e depois de atirar dois rolos de papel higiénico – um branco, e outro preto – para a audiência, o CEO referiu que vender e trabalhar um produto como o papel higiénico não é desprestigiante. “O papel higiénico e o leite são dos produtos que mais preenchem os carrinhos de supermercado”, referiu, depois de assumir que tem hábitos de trabalho muito próprios, que passam por estar atento em grandes superfícies e em não-lugares, e chegando a fotografar os movimentos e as experiências dos cidadãos. “Não gosto da palavra consumidores”, assumiu.

Paulo Pereira da Silva diz procurar fotografar em pormenor e observar o comportamento das pessoas, tentando perceber porque compram determinado produto em detrimento de outro, como fazem essa escolha, acreditando que é determinante para o desenvolvimento de qualquer empresa, que é influenciada pelos milhares de escolhas que são efetuadas diariamente pelos cidadãos.

Quanto à inovação e criatividade que se exige hoje em dia, o responsável foi taxativo: “O mundo está a mudar com uma velocidade tal que, se nós não temos essa capacidade de criar e de nos adaptarmos e recriarmos a nós próprios, estamos mortos”.

A Renova é uma marca portuguesa, “da região centro, familiar e que se tenta internacionalizar o mais possível”, descreve. “Não é possível internacionalizar uma marca sem inovação e sem criatividade, isso para nós é uma questão perfeitamente essencial e tem que estar inserida na nossa cultura, no nosso ADN. Eu diria que é essencial para o nosso desenvolvimento”, vincou.

Por fim, o diretor do Agrupamento de Escolas nº 2 de Abrantes, Alcino Hermínio, referiu, em declarações ao mediotejo.net, que este ciclo que inicia a 5ª edição das Conferências do Liceu é de extrema importância para a formação dos alunos, dotando-os de competências e ferramentas que possam ser usadas no futuro. “Ao terminarem o 12º ano, além de terem bons conhecimentos (…) o que interessa é que também saiam com uma cultura geral mais sólida, e que sejam capazes de falar em público, de ganhar experiência, que depois lhes é útil para a universidade”, defendeu.

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