Conferência: Pensar Abrantes enquanto centro estratégico, lugar de encontros e decisão

Foto: mediotejo.net

“Abrantes, tudo como dantes, um centro estratégico” é o mote para a conferência que está a decorrer ao longo de quinta-feira, na Igreja de Santa Maria do Castelo. Maria do Céu Albuquerque fez a abertura da sessão, frisando ações de futuro que pretendem “devolver à comunidade um conjunto de equipamentos e património, que seja requalificado e colocado ao serviço da nossa memória e da nossa identidade coletiva”. A autarca pretende este seja um “alicerce para aquilo que todos nós aspiramos, que é um concelho e uma cidade que se afirma no contexto local, regional e nacional com uma sociedade competitiva, capaz de atrair mais iniciativa, mais pessoas, mais turistas e com isso possamos criar as melhores condições para estimular a qualidade de vida dos cidadãos”.

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Maria do Céu Albuquerque fez notar, durante o seu discurso, que espera que no final do dia todos os participantes e a comunidade em geral sigam “com sentimento de que pertencemos a uma comunidade viva, dinâmica, que quer construir os próximos 100 anos com empenhamento que também os nossos antecessores colocaram neste empreendimento”, disse.

Através desta conferência de “abrangência temática”, onde se discutirão temas inseridos na história, defesa, geopolítica e geoestratégia, vias de comunicação e planeamento regional”, Maria do Céu Albuquerque espera ser possível “tornar a nossa cidade, o concelho e a região mais competitiva, e os nosso cidadãos mais esclarecidos, mais preparados para a vivência do próximo centenário”, alicerçando o futuro.

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A autarca salientou um conjunto de outras iniciativas que irão decorrer, de forma descentralizada, estando incluídas na programação, nomeadamente uma visita orientada à exposição Abrantes, um Centro Estratégico na Biblioteca Municipal António Botto, inauguração do mural 100 anos, 100 rostos junto ao Jardim da República, com “as primeiras 25 figuras propostas pelos cidadãos face ao desafio que foi lançado para serem remetidas fotografias daqueles que marcaram este centenário”, caracterizado como um “projeto de identidade da nossa comunidade”, acrescentou Maria do Céu Albuquerque.

Haverá ainda um percurso por algumas das Pop Up’s de Abrantes, “um trabalho muito importante, desenvolvido por três comissárias, Isilda Jana, Isabel Cavalheiro e Liliana Vasques”, consistindo em “apontamentos que ficarão no espaço público para lembrarem os cidadãos e quem nos visita, mostrando os marcos da nossa história, que compõem a identidade colectiva”, explicou.

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No final do dia, pelas 17h00, vai acontecer o momento inaugural da requalificação do Monumento a D. Nuno Álvares Pereira. “É para a autarquia um momento muito marcante, é um monumento que tem sido alvo de muitos momentos de vandalismo, nomeadamente com o furto da peça do escultor Lagoa Henriques, que não conseguimos ainda recuperar. Mas que temos esperança de conseguir encontrar desenhos ou os próprios gessos que nos permitam fazer uma réplica, qualquer coisa que para além das fotografias que temos possamos efetivamente devolver à comunidade esta obra de arte”.

Foi desenhado pelo arquiteto Duarte Castelo Branco, cuja filha, Catarina Castelo Branco, “tem ajudado neste processo para a sua requalificação”. Também Matilde Marçal, artista plástica abrantina, tem colaborado e “ajudou a chegar ao promotor /mentor dos vitrais que hoje devolvemos em grande qualidade ao monumento”.

A presidente da CM Abrantes lançou ainda um desafio à comunidade, para “ajudar a defender de eventuais atos de vandalismo que venham a acontecer naquela peça. É um momento muito importante, uma peça muito bonita e vamos todos trabalhar para a sua valorização”.

Relembrou-se ainda o lançamento de concurso de ideias, em cooperação com a Ordem dos Arquitetos, de onde surgirão projetos de requalificação do espaço” intramuros e extramuros”, que inclui o Outeiro de S. Pedro, o acesso dos Quinchosos, “toda a envolvente de maneira a podermos qualificar aquele que é ícone da nossa história e identidade”, concluiu.

Programa da Conferência «Abrantes Tudo como Dantes, um Centro Estratégico». Foto: CM Abrantes
Programa da Conferência «Abrantes Tudo como Dantes, um Centro Estratégico». Foto: CM Abrantes

 

Abrantes na História: factor de unidade, por José Martinho Gaspar

O primeiro painel desta conferência ficou a cargo do Professor e historiador, José Martinho Gaspar, que fez uma breve passagem pelos marcos de história local não só da cidade, mas também do concelho.

Fazendo referência à origem de Abrantes e do seu nome, relembrando as descobertas/estudos que têm sido efetuados e que são de importância histórica como é caso dos frescos do século XV e torre islâmica e outros estudos arqueológicos recentes.

O historiador, recorrendo a projeção de imagens ilustrativas, desde fotografias antigas, mapas e publicações, mencionou ainda a colina/outeiro, a fortaleza e o Tejo, enquanto elementos-chave na Linha de defesa do rio Tejo.

Também a família dos Almeidas, sepultada precisamente na Igreja de Santa Maria do Castelo, foi referenciada, na pessoa de D. Lopo de Almeida, 1º Conde de Abrantes, e do descendente D. Francisco de Almeida, vice-rei da Índia, ambos figuras incontornáveis da história da cidade.

Tempo também para redescobrir outros elementos de história local, como o Canal de Alfanzira, em Mouriscas, uma obra encomendada por Filipe II de Espanha a Antonelli, que pretendia tornar o rio Tejo navegável até Espanha.

O percurso pela história local prosseguiu entre as Invasões Francesas e a vinda de Junot e as suas tropas, passando pela expressão “Tudo como Dantes, Quartel-General em Abrantes” que José Martinho Gaspar acredita significar “garra, determinação e dever cumprido”, disse.

Avançando no tempo, falou-se na importância dos Conventos e da doçaria conventual, na construção da Ponte Rodoviária e da Ponte Ferroviária, bem como da Estação de Alferrarede, chegando-se à Implantação da República e a luta pelo reconhecimento de Abrantes como cidade.

O despoletar de empreendimentos a nível industrial, saúde e educação apontou para momento como a criação da Metalúrgica Duarte Ferreira, em Tramagal, a Casa de Saúde, o Colégio La Salle e a Escola Industrial e Comercial de Abrantes, a construção da barragem de Castelo do Bode criando, em 1951, o maior lago artificial da época, e a importância da estrada Nacional 2, projeto a que o concelho aderiu recentemente como Rota Turística.

O associativismo e os movimentos culturais, nomeadamente no pós-25 de Abril de 1974 também foi ilustrado pelo historiador, que chegando à atual Cidade Centenária, concluiu a sua apresentação dizendo ter “uma certeza” quanto à importância da história, especialmente a local, sendo “um fator de unidade, de valorização e um fator que nos faz sentir abrantinos”.

 

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