Sábado, Dezembro 4, 2021

“Condimento”, por Armando Fernandes

A palavra fala latim, seja na sua amplitude, seja na forma mínima de palavrinha, ou meio-termo virtuoso do conceito de “nem demais, nem de menos”, como deixou para a posteridade o célebre bispo liberal (pululam por aí liberais de meia-tigela), o príncipe da Igreja Dom António Alves Martins, foi de tigela inteira, daí ter advertido os filhos da Igreja que a religião devia ser utilizada/seguida como o multi-usado condimento – o SAL – empregue em milhares de receitas e outras funcionalidades do nosso quotidiano.

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No princípio da arte da cozinha, condimentar significava conservar em molhos, pastas e demais genialidades das Mães (perdão, das Matriarcas), posteriormente o vocábulo trespassou o conceito inicial passando a representar o Mundo no fluir dos dias, a toda a hora e momento, por que condimentamos as linguagens, os gestos, as músicas, melhor dito: Tudo.

Uma cozinheira experimentada no fazer/fazendo sabe de cor e salteado que condimento – os tais molhos, as tais pastas, as ervas aromáticas, os óleos vegetais e de extracção animal  – a empregar nas múltiplas composições alimentares.

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As mestras cozinheiras gostam de preparar os seus condimentos de moda a se tornarem famosas em virtude da sua suculência, também os cozinheiros de grande talante, por assim ser e é, os receituários aludem a condimentos que ao longo dos séculos passaram à condição de património (até mundial) residindo no tempero o segredo esquisito, delicado, acre, vigoroso, picante, delicado, substancial, sumarento, profundo, leve, sensual, do prato apresentado.

Os condimentos líquidos de enorme utilização vão desde os vinhos e vinagres a outras bebidas alcoólicas, no México o cacau entra em inúmeras preparações, os meninos amigos da comida fast-food nutrem apreço pelo ketchup e a mostarda, os donos disto tudo não dispensam a champanhe nas essência condimentares, tal como elegantes senhoras pedem açúcar em pó afim de condimentarem pratos de feijão e arroz. A razão desta prática não me foi dita, no meu entender é porque a harmonia palatal lhes traz felicidade.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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