“Comunicação Social em Abrantes”, por José Martinho Gaspar

Os anos já transcorridos neste século XXI desencadearam inusitada azáfama ao nível da comunicação social local/regional. Quando as edições on-line convertem cada vez mais leitores, os jornais de papel, com novos ou renovados títulos, continuam a lutar pela sobrevivência.

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Abrantes foi a quarta localidade do distrito de Santarém onde surgiu um jornal com publicação regular, depois da capital de distrito e de Torres Novas e Tomar. O Jornal de Abrantes nasceu em 1884, num momento em que o incontornável José Tengarrinha, na sua História da Imprensa Periódica Portuguesa, considera que entrávamos na fase industrial da imprensa lusa (o grande marco para a transição foi o Diário de Notícias, fundado em 1865, há 150 anos).

Esta experiência que constituiu o Jornal de Abrantes sobreviveu sete meses, entre março e outubro. O seu homónimo, que continua a vir a público mensalmente, surgiu em 1900, numa fase em que o republicanismo, em crescendo na região, se socorreu da imprensa periódica para divulgação do seu ideário. Esta característica de agente de propaganda, assumida por muita da imprensa periódica do começo do século XX, perdurou mesmo para lá de 1911, com o Partido Republicano Português já fragmentado. Ora, para além do Jornal de Abrantes, de Manuel de Oliveira Neto, assumiram esta faceta os periódicos O Abrantes (1892-1914), Progresso de Abrantes (1913), Ecos de Abrantes (1914-15), O Povo de Abrantes (1915-26), A Foice (1922-23) e O Baluarte (1924-26).

A partir de 1926, a Ditadura Militar e depois o Estado Novo, colocaram restrições significativas à imprensa, através da censura, que apenas permitia que se publicasse aquilo que os poderes constituídos consideravam adequado. Os periódicos abrantinos sobreviventes acomodaram-se aos novos tempos, enquanto despontavam publicações ligadas à situação. É paradigmático o caso do Correio de Abrantes (1926-77), que aproveitou o título da folha progressista dirigida, na última década do século XIX, por Solano de Abreu e que, a partir de 1934, se passou a subintitular “órgão oficial da União Nacional”. Durante o regime salazarista, é ainda digna de destaque a emergência do Nova Aliança, em 1952 (ainda em publicação), pertença da Igreja, e a generalização dos boletins editados por diversas instituições locais.

A abertura propiciada pela Primavera Marcelista acabou por consentir que, no começo da década de 70, o Correio de Abrantes, filho do salazarismo, se tenha transformado num espaço em que se fez jornalismo inteligente, de qualidade e de oposição ao regime moribundo.

Os anos 80, ficariam marcados pelo fenómeno das rádios piratas, depois rádios locais, e também neste domínio o concelho de Abrantes viu nascer dois projetos de inegável força e qualidade, a RALRádio Antena Livre (1981) e a Rádio Tágide (1987). Se a primeira se encontra transmutada em Antena Livre, vivendo em estreita parceria com o atual Jornal de Abrantes (mensal e de distribuição gratuita), a segunda fechou portas em 2014.

No final do século passado, surgiram projetos, no concelho de Abrantes, projetos fortes na área da imprensa escrita, como Abarca, o Primeira Linha  e a Gazeta do Tejo. Os dois últimos, entretanto, fecharam portas, enquanto o Abarca se encontra a funcionar como mensário, num formato de revista, onde predomina a crónica. O Jornal de Alferrarede, já com algumas décadas, continua a viver da carolice do seu diretor, Manuel Martinho, e a defender intransigentemente a antiga freguesia.

Já durante 2015, veio a público o Terra a Terra, o único semanário do concelho, que, sob o ponto de vista e desenvolvimento de conteúdos também parece ficar aquém do que Abrantes mereceria.

Muito recentemente, surgiu on-line o mediotejo.net, nascido no concelho de Abrantes, mas que pretende cobrir todos os concelhos do Médio Tejo. Trata-se de um projeto ousado, que será aquilo que jornalistas, colaboradores, leitores e tecido empresarial quiserem.

 

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