“Comportamento gera comportamento”, por Vânia Grácio

Na maioria dos casos, os pais são responsáveis pelos comportamentos dos filhos. Ora porque são demasiado permissivos e deixam fazer tudo, ora porque são demasiado autoritários e não deixam fazer nada. O comportamento das nossas crianças é resultado dos ensinamentos, dos valores, das regras, dos limites, do afeto e, principalmente, do exemplo que damos.

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As crianças são seres em “construção” e portanto vão absorver tudo aquilo que o meio onde estão inseridas lhes transmite. Seja segurança, medo, autoritarismo, solidariedade, partilha ou exclusão. Por exemplo, muitas vezes quando uma criança chega a casa, vinda da escola, e diz que um amiguinho lhe bateu, os adultos têm tendência para perguntar porque não lhe bateu também. Ou seja, se levou, também tem o direito de dar. Nada mais errado. Que mensagem estamos a passar às nossas crianças quando lhe dizemos isto?

Que a violência deve ser resolvida com violência. Alguns de vós dão dizer “então se levou, vai dar a outra face?” Também não, responderei. Há outras formas de resolver a situação.

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Se uma criança foi agredida por outra na escola, por exemplo, o mais correto é dizer ao seu filho para contar à professora. É ao adulto que cabe resolver a situação, conversar com os dois, perceber o que levou àquele comportamento e aplicar medidas correctivas adequadas, conversando com as crianças. E agora vão dizer-me “mas o meu filho não é queixinhas e tem de aprender a resolver os seus problemas”. Responderei que não é assim. Não está a ser queixinhas, está apenas a pedir ajuda. Uma ajuda que é responsabilidade de alguém, que é o seu filho. E sim, ele está a resolver o problema, está a procurar uma solução que não passa por ter também, ele, um comportamento agressivo.

O que muitas vezes acontece é que uma criança bate a outra na escola, a professora chama a atenção dos pequenos e os pais e as mães vêm no final do dia dizer que ninguém ralha com o seu filho. Direi novamente que isso não está correto. Os pais, professores e auxiliares devem ser aliados na educação da criança. Se eu como mãe tenho esta atitude, a mensagem que estou a passar é que a minha criança pode fazer tudo, mesmo que esteja errado, porque ninguém pode ralhar com ela senão eu. E como eu não o faço, está tudo bem.

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As crianças precisam de exemplos, de regras e limites para se sentirem seguras. Quando estou a definir regras e até onde ele ou ela podem ir, estou a passar-lhe segurança. Estou a criar a pessoa que espero que o meu filho ou filha venham a ser. Mas atenção, uma criança não precisa apenas de regras e exemplos, precisa de amor para que também possa dar amor aos outros. Só assim teremos adultos mais felizes, tolerantes e integrados amanhã.

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Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos. Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos. Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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