Como se celebra a passagem-de-ano no resto do mundo?

Por cá, a noite de passagem-de-ano implica roupa interior nova e azul, deve subir-se para uma cadeira, bater-se as tampas das panelas e na manhã seguinte mergulha-se no mar. Lá fora, há mais tradições que são mantidas e seguidas com a mesma convicção das portuguesas para assegurar saúde, amor, sorte e dinheiro no novo ano.

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Conheça algumas curiosidades do resto do mundo que pode adotar esta segunda-feira, dia 31, mesmo sabendo que raramente muda alguma coisa entre a noite de 31 e a manhã de dia 1. As boas notícias são que tem 12 meses para tornar realidade os desejos pedidos com as passa de uva durante as 12 badaladas.

Os “trapinhos” da meia-noite

Não consegue encontrar roupa interior azul? Não desespere pois as opiniões quanto à cor ideal variam de país para país. Pode imaginar-se em Itália ou nas Filipinas se preferir a cor vermelha ou no Equador se a escolha recair no amarelo. O azul traz sorte, mas é o vermelho que assegura amor e paixão e o amarelo atrai prosperidade financeira.

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Se preferir bolas fique a saber que nas Filipinas vestir uma peça de roupa com este padrão é o “dress-code” da última noite do ano pela forma estar associada a moedas. Em alguns pontos do país, o tecido decora as ruas para garantir que no ano seguinte se fazem contas positivas. No Brasil e noutros países, vestir de branco é garantir que a entrada no novo ano é feita com pureza.

Dar o salto

Tal como em Portugal, no resto do mundo há quem goste, literalmente, de dar o salto para o ano seguinte e para que a tradição se cumpra apenas precisa de uma cadeira. Os dinamarqueses fortalecem a crença com a tentarem saltar o mais alto possível para espantar a má sorte e em alguns países acredita-se que o segundo adereço do momento, além da cadeira, é uma nota na mão durante o pulo da meia-noite.

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Sorte e fortuna para mastigar e beber

Porque o azar dá azia, são muitos os locais onde se tenta evitá-lo no ano seguinte com o doce sabor da sorte. À meia-noite, os gregos partilham “vasilopita”, um tipo de pão com uma moeda no seu interior. As fatias são servidas pelo anfitrião de acordo com a idade dos convidados, do mais velho para o mais novo, e todos esperam ser o sortudo que recebe a parte especial.

Na Estónia, assegura-se a abundância com… abundância! O último dia do ano quer-se de boca cheia entre as sete e doze refeições “obrigatórias” para que o futuro seja risonho. No entanto, o passado não é esquecido e deve deixar-se comida no prato para os espíritos e os antepassados que, supostamente, fazem uma visita nessa data.

Em algumas mesas espanholas e em muitas italianas e brasileiras são as lentilhas que garantem fortuna, seja acompanhadas por arroz ou num belo ensopado. No Brasil, há quem prefira guardar a leguminosa no bolso, como se uma moeda fosse. A forma redonda associada ao dinheiro também partilha a ceia dos filipinos noutros alimentos escolhidos especialmente para o efeito, juntamente com frutas variadas.

No “Õmisoka”, nome pelo qual é conhecida a passagem-de-ano no Japão Japão, não há prato sem “Toshikoshi Soba”, um macarrão de trigo sarraceno que deve ser comido antes da meia-noite que traz a prosperidade e longevidade desejadas. Os russos preferem simplificar e afastar o azar com “água suja”, a bebida feita com vodka, sumo de limão e água da torneira que se bebe no momento em que o calendário muda.

2019 sempre a somar

Dizem que o dinheiro não traz felicidade, mas a verdade é que ajuda e há quem não contorne o desejo de ter a conta bancária ou o colchão mais “recheados” no ano seguinte. Uns tentam atrair riqueza através das cores da indumentária e da ementa, e outros assumem abertamente a vontade de enriquecer.

Tocar em dinheiro ou passar a meia-noite com uma nota na mão são tradições de alguns países e os chineses, apesar de comemorarem a passagem de ano mais tarde, preferem guardar os “tostões” nos sapatos.

Azar atirado pela janela

No “lar doce lar” não fica o azar e os italianos e os cubanos atiram-no, literalmente, pela janela. No ano seguinte querem-se coisas e experiências novas por isso os primeiros livram-se dos objetos que os prendem ao passado, como roupas ou loiças, e os segundos atiram água com um balde à meia-noite. Na Dinamarca, a loiça fica dentro de casa, mas também não escapa e partem-se pratos para atrair boas energias.

Uma vez limpo o interior é necessário assegurar que o azar se mantenha fora de casa nos 12 meses seguintes. Apesar de existirem diversos países onde as portas ficam abertas para convidar a sorte a entrar, os polacos preferem jogar pelo seguro e colocar alcatrão nas janelas e nas maçanetas para que os maus espíritos não entrem. Por seu lado, os mexicanos fazem-no ao pendurar nas maçanetas bonecos em forma de ovelha.

Com o fogo não se brinca

Uma das tradições portuguesas que perdura são as fogueiras que se acendem na noite da passagem-de-ano, mas há quem leve o fogo mais a sério. Se deste lado da fronteira, na zona de Bragança, é criado um boneco de trapos e palha para queimar, algo semelhante acontece no Panamá, onde os “muñecos” de papel inspirados em figuras públicas simbolizam as más recordações do ano anterior e se transformam em cinzas.

No festival das cidades escocesas de Stonehaven e Comrie o ano novo é purificado pelos bastões com bolas de fogo, numa alusão ao sol, que os habitantes locais balançam em torno das cabeças. Pela Finlândia, concentram-se as chamas para derreter uma ferradura de estanho e aguarda-se pela forma adquirida depois desta solidificar, revelando sorte ou azar ao amor e ao dinheiro.

Dicas para “jovens casadoiras”

As jovens que anseiam encontrar a cara-metade na Irlanda e a prosperidade em Portugal ao longo de 2019 podem ficar descansadas. O amor será encontrado pelas irlandesas se seguirem a tradição de dormir com azevinho debaixo da almofada nas primeiras horas do ano novo e na aldeia de Rio de Onor (Bragança) recolhem-se chouriça e salpicão para compor um ramo que é leiloado no primeiro dia de janeiro.

Uma passagem espiritual

Em todo o mundo existem crenças associadas a rituais que se praticam durante o ano e nesta época ganham especial relevo no Japão e no Brasil, por exemplo. No primeiro país, a tradição “Joya No Kane” ajuda os japoneses a afastar os 108 pecados da alma humana e a desejar boa sorte para si e as pessoas de que mais gostam através das 108 badaladas que ecoam a partir dos templos budistas.

Os crentes brasileiros da religião Umbanda, que junta o catolicismo e o espiritismo com traços das culturas africana e indígena, homenageiam Iemanjá ao saltar sete ondas. O número sete está associado a Exu, o filho da divindade associada à água, e cada salto é acompanhado por um desejo que não se realizará se depois do ritual se virarem as costas ao mar.

Depois da meia-noite

As curiosidades não se esgotam depois da meia-noite e em alguns países os primeiros minutos são fundamentais. A tradição inglesa conhecida por “First Footing” é um desses casos e quem a segue tenta ser a primeira pessoa a visitar os familiares acompanhado por uma prenda que pode ser dinheiro ou pão para garantir que não lhes farão falta.

Na Escócia aguarda-se a chegada dos visitantes e a primeira pessoa a entrar deve fazê-lo com o pé direito, igualmente, sem esquecer um presente que assegure boa sorte. Por aqui, dinheiro e pão também são bem-vindos, mas a preferência recai num bom uísque.

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