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Quarta-feira, Agosto 4, 2021

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Comissão parlamentar de Ambiente preocupada com central nuclear de Almaraz, Espanha

O presidente da comissão parlamentar de Ambiente, Pedro Soares, disse hoje que este organismo manifestou a sua preocupação ao Governo português sobre a central nuclear espanhola de Almaraz e que a resposta obtida “não tranquiliza a comissão”.

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“Logo que houve o incidente mais recente em Almaraz, que foi denunciado por inspetores da própria autoridade espanhola, a comissão enviou uma carta ao ministro [do Ambiente] manifestando as suas profundas preocupações e pedindo esclarecimentos sobre a capacidade do Governo português de enfrentar uma situação de risco, que existe efetivamente”, disse o presidente da comissão parlamentar do Ambiente, Pedro Soares.

Segundo este responsável, a resposta obtida “não tranquiliza” a comissão parlamentar do Ambiente.

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Em declarações à agência Lusa no final de um encontro realizado com ambientalistas portugueses e espanhóis que entregaram um dossiê sobre a central nuclear espanhola de Almaraz, Pedro Soares adiantou que a resposta do governo português “foi transmitir a resposta das autoridades espanholas, que é dizer que está tudo bem, não há problema nenhum, a central é perfeitamente segura”.

O deputado bloquista e presidente da comissão parlamentar de Ambiente sublinhou que vão continuar a insistir com a questão de Almaraz e mostrou-se otimista de que haverá iniciativas parlamentares no sentido de aumentar a capacidade de exigência relativamente a estas questões.

A comissão parlamentar de Ambiente iniciou hoje uma visita de quatro dias ao longo do rio Tejo.

O objetivo passa pela recolha de informação sobre as várias situações de relato de focos de poluição ao longo do rio.

Pedro Soares disse ainda que a comissão parlamentar de Ambiente colocou como seu desígnio para esta sessão legislativa contribuir para a melhoria da qualidade do rio Tejo.

“Têm chegado várias denúncias e relatos de várias situações de focos de poluição, de preocupações, como ficou aqui claro e o pior que podia acontecer era a comissão ficar indiferente”, sustentou.

Este responsável sublinhou que o problema do Tejo é uma questão central, pois trata-se do principal curso de água em Portugal e tem um impacto decisivo em termos nacionais e internacionais.

“Queremos que todo este trabalho em conjunto com as várias autoridades portuguesas tenha uma conclusão, que é a melhoria efetiva” da qualidade do rio Tejo, concluiu.

Ambientalistas consideram central nuclear de Almaraz um “risco inaceitável”

O membro do Movimento Ibérico Antinuclear (MIA) Francisco Castrejón disse hoje que a central nuclear espanhola de Almaraz “é um risco inaceitável” para as pessoas, para o ambiente e para o rio Tejo.

Este responsável, também físico nuclear espanhol, falava hoje em Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, durante um encontro entre ambientalistas portugueses e espanhóis e a comissão parlamentar de Ambiente, à qual foi entregue um dossiê sobre a central nuclear de Almaraz.

Antes, Francisco Castrejón fez uma pequena intervenção onde abordou os riscos e as preocupações com a central nuclear espanhola, cujo encerramento defende.

“A central, hoje, funciona com segurança degradada. Trata-se de um sistema de baixa cultura de segurança que foi denotada ao longo dos anos”, adiantou.

Em declarações à agência Lusa, o físico nuclear explicou ainda que a central de Almaraz não é encerrada porque já está amortizada e os seus proprietários obtêm 161 milhões de euros por ano em benefícios, antes de impostos.

“As empresas proprietárias são a Iberdrola, Endesa e Unión Fenosa. Estas três empresas são as proprietárias de Almaraz e recebem, antes de impostos, 161 ME por ano. Este é o motivo porque Almaraz não fecha e não se pára para reparar”, afirmou.

Segundo este responsável, uma paragem de seis meses para reparação da central nuclear representaria uma “perda de 80 ME de benefícios”.

Apesar disso, o físico adiantou que já falaram com o conselho de segurança nuclear espanhol, entidade responsável pela supervisão de Almaraz e que é a autoridade que devia parar a central.

“O conselho diz que não existe risco. Diz”, conclui o membro do MIA.

Agência de Notícias de Portugal

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