“Comida e cinema”, por Armando Fernandes

Um dos trabalhos que tenho entre mãos e nos olhos é o de preparar conteúdos onde a comida esteja associada à criação artística, o construtor dos conteúdos é talentoso e exigente, logo obrigo-me a ultrapassar a nota do bom. Tenho revisto documentos relativos à sétima arte – o cinema – logo me lembrei de Jorge Brum do Canto, autor de um documentário sobre Abrantes, e coautor do exitoso e volumoso Pantagruel receituário registador de centenas e centenas de receitas.

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Dos filmes portugueses o filme A Comédia de Deus, do controverso João César Monteiro, retrata-o a fritar peixe e elaborar um arroz a escorregar pelo prato fora, peixe frito e sardinhas assadas entram noutros, mas não me lembro de nenhum a representar receitas de recorte burguês e/ou da alta cozinha. Na fita O Delfim os patos da lagoa não aparecem no prato, julgo não estar enganado, será que só olhei para Alexandra Lencastre? Também gastei olhares a contemplar a bem entrada nos anos Isabel Ruth.

A sério, a sério, filmes de fazerem crescer água na boca devido às pitanças apresentadas, no meu entender, são a Grande Farra, a Andréa Ferréol é soberba, e a comida também de excelente catadura, Comer, Beber, Homem e Mulher, é hino exaltante do amor e da comida, deixo ao cuidado do leitor o imaginar se não puder ver o filme de Ang Lee, A Festa de Babette, sabedora e requintada a cozinheira a provar quão excelsa é a alta-cozinha francesa, continua a ser notável apesar dos avanços dos espanhóis e italianos, e o Cozinheiro, o Ladrão, a sua Mulher e o Amante dela, depois de delicadezas culinárias o fremente preparado culinário, o amante da senhora por ele mandado assassinar. Um prato da cozinha canibal, a mesma não entra neste escrito, sim, noutro a escrever proximamente.

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Existem milhares de filmes onde surgem referências a produtos e comida, Arroz Amargo com a sensual Ana Mangano, claro as bojudas Gina Lolobrígida, Sofia Loren e Cláudia Cardinale mais o esparguete, nos filmes de Mestre Alfredo dos policiais e do terror as mulheres aparentam não gostar de comer, ele famoso e conhecedor glutão/gourmet.

Nos filmes dos realizadores da Nova Vaga só comeres sem representação adequada, nos americanos de agora as actrizes mostram-se à beira de um ataque de anorexia envoltas em comida rápida, sobram as coboiadas de feijão e toucinho assados mais a caneca de café, ou será uísque de centeio?

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O requinte gastronómico anda arredio da generalidade dos filmes, sublinho os referidos quatro, sem esquecer o aparato de Charlot a manjar a bota na Quimera do Ouro, um dos filmes da minha vida parafraseando o estimado e erudito cinéfilo João Bénard da Costa.

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