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Terça-feira, Outubro 19, 2021

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“Comeres na quadra natalícia”, por Armando Fernandes

Não, não vou aborrecer os leitores lembrando os comeres ditos tradicionais de Natal, tais comeres foram obrigados pelas circunstâncias produtivas e pela globalização a adaptarem-se soa tempos modernos (revejam Chaplin) levando-nos à procura das raridades também salpicadas pela evolução às quais chamamos caseiras, do campo, artesanais, de tratamento especial, obrigando-nos a calcorrear quilómetros e entrar ali e acolá na procura das referidas especialidades. Sobre estas representações voltarei a aludir num próximo texto.

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Este é o dos almoços, merendas e jantares anunciados como de… Natal.

As transformações sociais ocorridas nos últimos quarenta anos trouxeram-nos a constância do açúcar, do cremoso, do macio e das convivialidades a propósito de tudo e do querido consumismo, muito à custa da construção de «gostos» remetidos dos Estados Unidos como há anos Roland Barthes teorizou em acerado ensaio.

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Os leitores conhecem a minha mania de referir autores e livros na esperança de algum ficar curioso de maneira a procurar os livros nas Bibliotecas que não foram exterminadas através de eufemismos, refiro-me às de Alferrarede, Mouriscas, Rossio e Tramagal. A história dessas localidades registará o nefando crime.

Sendo assim e é, multiplicam-se as ditas refeições inçadas de sorrisos postiços, palavras cínicas (leiam Albino Forjaz Sampaio), presentes comprados na loja chinesa e comida a encher sem gastos a ultrapassarem os quinze euros incluindo vinho ou cerveja e café. E, o que se come?

Come-se imensa conversa conservada desde há meses, croquetes e rissóis após a descongelação, creme de legumes e polpa de batata (pode-se repetir), peru gigante assado de forma a ser fatiado finamente, vitela (vaca) preparada do mesmo modo, sem esquecer o tamboril (outrora para a lagosta fingida), os acompanhamentos são à base de batatas assadas ou fritas e arroz.

O complemento costuma ser salada de alface e fiapos de cenoura, mais as rodelas de cebola. A finalizar um doce dos muitos existentes na panóplia industrial. E, para o ano há mais…

Bem sei, há excepções o que só confirmam a regra, o dinheiro não abunda, um refeição barata junta as pessoas cantando todas juras de aproximação a relembrar pró ano cá estaremos se tudo correr bem.

PS: Na próxima semana trarei ao conhecimento dos leitores (dos que não sabem) uma ementa apresentada no dia de Natal há 60 anos.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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