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Quinta-feira, Junho 17, 2021

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“Comer com os olhos”, por Armando Fernandes

O livro, cujo título é o deste escrito, saiu em 2006 e adquiri-o em 2007 durante uma estada em Madrid. Por alguma desatenção escondeu-se no emaranhado de biblioteca compartimentada e veio agora à superfície, muito por culpa da capa – a mesma revela o torso nu de uma mulher a beijar e abraçar um homem de olhos fechados para melhor sentir o amplexo da senhora bem fornida de carnes.

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Comer con los ojos, assim se intitula em espanhol, é “uma viagem culinária pelo mundo do cinema”, por isso a actriz e o actor inseridos na capa animaram luxuriosamente o filme ‘A Grande Farra’, lembram-se?

O livro é composto por 10 capítulos, inserindo ainda as fichas dos filmes seleccionados e algumas receitas. Não procurei saber se esta obra está referenciada na Internet. Para lá da valia cultural, da amplitude geográfica dos realizadores e talento dos actores na interpretação da tríade – comer, beber e amar – esta obra permite ao leitor recordar-se de obras cuja adaptação ao cinema possibilitaram torná-las melhor conhecidas constituindo-se como ícones de povos, de regiões e génios nas várias áreas do conhecimento.

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Por ser assim, convido os leitores a elaborarem listas de referências a produtos e a comeres cuja representação é testemunho de uma época, um clima, uma paisagem, um equipamento, um artefacto, um produto, artistas que lhe deram corpo e forma na tela, no teatro, nas faianças, nos vidros, nas panelas e, finalmente, a deliciarem palatos por via das usanças culinárias.

Porque peço aos leitores semelhante exercício? Porque todos nós guardamos imagens de “comermos com os olhos”. Não por acaso se diz: tens mais olhos que barriga!

Os leitores, certamente, já utilizaram telemóveis a fim de registarem imagens de uma refeição, um brinde, um bolo, ou um fruto pronto a ser degustado. Pois é! Nós gostamos de registar imagens, mormente de convivialidades bem comidas, bem bebidas, bem pródigas e beijos e abraços que um dia podem alegrar mesmo no carpir de saudades dos entes queridos.

Não vale a pena sugerir a leitura de Susan Sontag e Claude Lévi-Strauss (acho-os lapidares) acerca da fotografia e das imagens, no entanto, já julgo interessante lembrar a miríade de pinturas, gravuras e fotografias existentes nas Igrejas, Capelas, Museus, Centros de Arte, que aguardam os nossos olhares, exclamações e interrogações relativamente à mostra de comeres e beberes, muitas vezes a suscitarem um crescendo de saliva ao modo do célebre cão de um cientista russo.

Desde a Antiguidade, comer, beber e amar impregnam a vida quotidiana das Comunidades. A sétima arte concedeu, e concede, e bem, ampla atenção a todos os documentos de interesse histórico e científico que tragam lastro a novas películas e conservação das antigas. Nenhum público fica de fora – só para ajudar trago à ribalta Marcelino, pão e vinho. Dos portugueses Pão, Amor e Totobola. Já ajudei demasiado. Os leitores façam o favor de continuar!

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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