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Domingo, Julho 25, 2021

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Trincanela

“Comemorar a Floresta autóctone”, por José Alho

O Dia da Floresta Autóctone comemorou-se no passado 23 de Novembro, na Península Ibérica,  Esse dia foi estabelecido para promover a divulgação da importância económica e ambiental da conservação das florestas naturais e a necessidade de as salvaguardar da destruição. Nesta altura do ano as condições climatéricas são mais favoráveis para se proceder à sementeira ou plantação de árvores em alternativa ao Dia Mundial da Floresta criado inicialmente para os países do Norte da Europa cuja data não se adapta à necessidade das espécies autóctones,

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Muitas das acções simbólicas despoletadas nas comemorações de 21 de Março redundam em insucesso frustrando as boas intenções que estavam na sua incrementação e levando a uma desmotivação dos agentes e cidadãos envolvidos.

O aumento significativo das temperaturas e redução das chuvas que se faz sentir com a proximidade do Verão, acentuadas pelo efeito já sentido das alterações climáticas, diminui significativamente a probabilidade de sucesso dessas iniciativas relacionadas com a sensibilização para a florestação no nosso País.

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Em Portugal, de acordo com o último inventário florestal nacional em 2010 (ICNF) o uso florestal do solo continental correspondia a 35,4% do território, ao nível da média dos países europeus, e dentro dessa área cerca de 34% é composta por montados de sobreiros e azinheiras, que estão protegidos por lei, mas outras ocupadas também por espécies autóctones estão ainda desprotegidas pese embora a sua importância em temos ambientais e económicos.

Os carvalhais de outras espécies autóctones, que de acordo com o referido inventário ocupam cerca de 2% da área florestal, não têm qualquer proteção legal e por isso estão sujeitos a inúmeras agressões, por vezes injustificadas, acentuando-se o seu declínio.

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A comemoração do Dia da Floresta Autóctone contribui de forma simbólica de apelar à atenção de todos para a necessidade de olhar para essas relíquias da nossa Floresta com sentido de inverter o estado de esquecimento a que têm estado votadas e lançar ações que permitam relançar a sua importância nas comunidades que ainda detêm esses tesouros naturais.

Para além do seu valor ambiental, grande parte das manchas de floresta criam condições para uma elevada densidade florística, proporcionam importantes locais de refúgio e reprodução para grande número de espécies autóctones de fauna e suportam actividades fundamentais para a manutenção e revitalização do mundo rural como o pastoreio, a actividade apícola e outras.

São importantes porque desempenham importantes serviços nos ecossistemas, como a produção de alimento, protecção do solo, regulação do ciclo da água e nos últimos tempos ganham uma importância fundamental pelo seu papel no sequestro de carbono.

A componente paisagística e o acolhimento de actividades de recreio e lazer potenciam a importância da Floresta Autóctone para os cidadãos que olham esses espaços como oportunidades de garantir uma melhor qualidade de vida e de desenvolvimento sustentável.

Na região da Estremadura assume especial relevância o Carvalho Cerquinho cuja presença na paisagem contribui para a afirmação da identidade associada aos calcários, mas que nos últimos anos tem sofrido um decréscimo assinalável. Importante será que a comemoração Dia da Floresta Autóctone possa contribuir para a tomada de medidas concretas que garantam a sua sobrevivência nestas paisagens mobilizando cidadãos e entidades em torno deste símbolo da nossa identidade.

José Manuel Pereira Alho
Nasceu em 1961 em Ourém onde reside.
Biólogo, desempenhou até janeiro de 2016 as funções de Adjunto da Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Foi nomeado a 22 de janeiro de 2016 como vogal do Conselho de Administração da Fundação INATEL.
Preside à Assembleia Geral do Centro de Ciência Viva do Alviela.
Exerceu cargos de Diretor do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, Coordenador da Reserva Natural do Paúl do Boquilobo, Coordenador do Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, Diretor-Adjunto do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste, Diretor Regional das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo na Autoridade Florestal Nacional e Presidente do IPAMB – Instituto de Promoção Ambiental.
Manteve atividade profissional como professor convidado na ESTG, no Instituto Politécnico de Leiria e no Instituto Politécnico de Tomar a par com a actividade de Formador.
Membro da Ordem dos Biólogos onde desempenhou cargos na Direcção Nacional e no Conselho Profissional e Deontológico, também integra a Sociedade de Ética Ambiental.
Participa com regularidade em Conferências e Palestras como orador convidado, tem sido membro de diversas comissões e grupos de trabalho de foro consultivo ou de acompanhamento na área governamental e tem mantido alguma actividade editorial na temática do Ambiente.
Foi ativista e dirigente da Quercus tendo sido Presidente do Núcleo Regional da Estremadura e Ribatejo e Vice-Presidente da Direcção Nacional.
Presidiu à Direção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza.
Foi membro da Comissão Regional de Turismo do Ribatejo e do Conselho de Administração da ADIRN.
Desempenhou funções autárquicas como membro da Assembleia Municipal de Ourém, Vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Presidente do Conselho de Administração da Ambiourem, Centro de Negócios de Ourém e Ouremviva.
É cronista regular no jornal digital mediotejo.net.

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