Com 20.000 pessoas diagnosticadas, Médio Tejo não tem estruturas de apoio a doentes mentais

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A região do Médio Tejo, onde perto de 20.000 pessoas estão diagnosticadas como sofrendo de doença mental, não dispõe de nenhuma estrutura de apoio na comunidade, revela um estudo realizado pelas Plataformas Supraconcelhias da Lezíria e do Médio Tejo.

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O estudo, a que o mediotejo.net teve acesso, indica que a única unidade sócio ocupacional da região, existente em Torres Novas e com capacidade para 10 pessoas, embora esteja equipada há três anos, continua sem licenciamento e sem acordo com o Estado.

Realizado por uma equipa que envolveu representantes de 15 entidades, este estudo conclui que as perturbações depressivas são as de maior prevalência na região do Médio Tejo, com cerca de 17.000 casos diagnosticados, a maioria dos quais em Tomar (3.369), Torres Novas (2.936), Abrantes (2.850), Ourém (2.289) e Entroncamento (1.894).

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No geral as mulheres são as mais afetadas, à exceção da esquizofrenia, abuso no consumo de álcool e drogas, com mais casos entre os homens. Nos mais jovens, a maioria dos casos refere-se a abuso agudo de álcool e drogas, suicídio ou tentativa de suicídio, e problemas de anorexia e bulimia.

Já nos mais velhos, a maioria das situações são de demência e alteração de memória. Na idade adulta (45-65 anos) predominam as psicoses, as perturbações depressivas e o abuso crónico de álcool.

O estudo aponta para um “significativo desfasamento entre as necessidades identificadas e as estruturas de apoio especializado”, já que, em todo o distrito, apenas a Farpa – Associação dos Amigos e Familiares dos Doentes Psicóticos possui, em Santarém, um fórum socio ocupacional com 10 vagas e uma lista de espera de 16 pessoas.

As respostas sociais existentes, nomeadamente no apoio a idosos, deficientes e apoio domiciliário “vão dando a resposta possível”, mas não específica e “claramente insuficiente”, sendo as situações de crise encaminhadas para as estruturas hospitalares, realça.

O documento alerta que, à medida que os familiares vão envelhecendo, “não resta rede de suporte, o que a breve prazo poderá aumentar o número de pessoas sem-abrigo, sem adesão ou controlo de medicação e com eventuais comportamentos considerados de perigo para a comunidade, criando um maior sentimento de insegurança social”.

Os técnicos consideram imprescindível a implementação de uma rede integrada de cuidados em saúde mental, numa linha de maior proximidade das pessoas com o seu meio e uma intervenção comunitária e de reabilitação que permita a redução dos internamentos e reinternamentos, diminuindo os custos mas sobretudo o estigma social de que estes doentes são alvo.

No estudo estiveram envolvidos os Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) da Lezíria e do Médio Tejo, as duas comunidades intermunicipais, o Hospital de Santarém e o Centro Hospitalar do Médio Tejo, o Centro de Respostas Integradas (CRI) do Ribatejo, o Centro Distrital de Segurança Social, as Câmaras Municipais de Santarém, Constância e Azambuja, a Farpa, a Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Santarém, O Centro de Integração e Reabilitação Torrejano e a Unidade de Cuidados na Comunidade da Azambuja.

O levantamento procurou responder à solicitação feita pelas comunidades intermunicipais da Lezíria e do Médio Tejo em 2013 aos Conselhos Locais de Ação Social (CLAS), no âmbito da preparação dos Investimentos Territoriais Integrados para candidatura a fundos do Portugal 2020, pedido reforçado em 2014 pelo Centro Distrital de Segurança Social.

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