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Sábado, Julho 31, 2021

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“Colheita da Azeitona”, por Sartagografia

A colheita da azeitona é uma das tradições seculares do concelho da Sertã. Perde-se no tempo a introdução da oliveira na região, porém a sua importância na economia local é um facto. A produção de azeite encontra-se no topo da cadeia produtiva, sendo também de destacar a curtição da azeitona para uso alimentar.

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O azeite figurou, desde sempre, entre as principais produções do município sertaginense. No século XIX, a Sertã era responsável por metade de toda a produção de azeite do distrito de Castelo Branco. Hoje em dia, a produção caiu, devido ao predomínio dos óleos, mas com o início do Outono continuam a ser centenas os que anualmente insistem na colheita deste fruto.

Mas como é feita a colheita? Jaime Lopes Dias, na «Etnografia da Beira», mostra-nos como se fazia a colheita na década de 1940: “Como no comum das povoações da Beira Baixa, a azeitona é, na Comarca da Sertã, colhida para mantas, toldos ou panais estendidos no chão, pelos homens que sobem por altas escadas (chegam a atingir 18 e mais banzos), até aos últimos crutos das oliveiras.

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Cada rancho traz consigo um ou mais maquieiros, rapazes ou raparigas, encarregados de transportarem, em cestos ou maquias, a azeitona que vai sendo colhida ou apanhada, para o carro que a transporta à povoação ou ao lagar.

Depois de colhida, a azeitona é limpa no próprio olival, aguada de uma para outra manta, ou escolhida ou separada à noite, ao serão, à luz da candeia ou de candeeiros, na casa para onde durante o dia foi transportada.

No Rio (termo do antigo concelho de Álvaro, Sobral, Madeirã, Amieira e Cambas), a azeitona, por a inclinação do terreno não permitir que se segure nas mantas, é arripinhada directamente para cestas suspensas por correias ou baraças, do pescoço dos colhedores. Chama-se a este sistema de colheita apanhar para a borracha.

Os ramos mais altos ou mais afastados, onde o braço dos homens não chega, são puxados por ganchos de madeira ou de ferro.

Tem particular interesse na Madeirã a constituição dos ranchos da azeitona.

Antes da maturação, geralmente no dia de Todos-os-Santos, os proprietários preparam um magusto e convidam para ele os trabalhadores – homens e mulheres – mais do seu agrado. Uns comparecem e outros faltam.

Os que comparecem consideram-se obrigados a fazer parte do rancho.

Se posteriormente outrem os chama para o seu magusto ou para o seu trabalho, a resposta é sempre invariavelmente a mesma:

– Fui ao magusto a casa do sr. F., não posso mudar.

À colheita da azeitona e trabalhos do lagar chamam safra, que só termina quando todo o azeite está recolhido nos potes ou talhas.

Durante a azeitona os ranchos cantam, entre outras, as seguintes quadras:

 

Apanhai, apanhadeiras,

Varejai, varejadores,

Que o dinheiro do nosso amo

Não se ganha a pisar flores.

(Cernache do Bonjardim)

 

Texto disponível em: http://www.sartagografia.pt/index.php/sociedade/usos-e-costumes/88-a-colheita-da-azeitona

 

 

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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