“Cloe”, por Vasco Damas

Cloe. Foto: Vasco Damas

Três anos. Faz hoje precisamente três anos que te conhecemos.

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Três anos que passaram a correr e que, como dizia há dias à tua mana num comentário a uma memória fotográfica que ela partilhou e que registava a vossa primeira sesta na praia, “aquela” memória já tinha “tanto tempo” que a tua mana ainda era uma menina e tu ainda usavas chucha.

É, três anos que passaram efetivamente a correr mas que estão cheios de memórias bonitas que ficarão para sempre gravadas nos nossos corações.

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Recuemos a novembro de 2016, a primeira memória bonita contigo. Foi nessa altura que soubemos que vinhas a caminho. A tua mamã não queria acreditar quando o teste de gravidez deu positivo. E sabes porquê? Porque dois meses antes ela tinha sido operada e a probabilidade de realizarmos este sonho era relativamente baixa. E sim, era um sonho muito desejado, materializarmos em ti, o fruto do nosso amor.

As primeiras semanas foram de felicidade, mas deixa-me dizer-te, era uma felicidade desconfiada. Desejávamos-te muito, mas, devido ao quadro clínico da tua mamã que já partilhei contigo, as dúvidas eram muito maiores que as certezas.

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Nas primeiras consultas havia sempre muita ansiedade mal disfarçada com receio igualmente mal disfarçado de ouvir algo que não queríamos ouvir. Felizmente nunca o ouvimos e no fim de cada consulta regressávamos sempre mais tranquilos porque, aparentemente, parecia que estava tudo bem.

Os dias iam correndo e chegámos a março de 2017, mês em que estava marcada a consulta em que, se colaborasses, ficaríamos a conhecer-te um “pouquinho” melhor. Estávamos ainda mais ansiosos que nas consultas anteriores, mas desta vez, por bons motivos. A tua mana acompanhou-nos porque ela também queria saber se ias ser uma mana ou um mano. Colaboraste e logo no início da ecografia a senhora doutora disse qualquer coisa parecido com “já vi o sexo do bebé, também querem saber?”. “Estamos a rebentar de ansiedade. Claro que queremos saber” e foi nesse 23 de março de 2017 que começaste a ser oficialmente e sem dúvidas, a nossa Cloe.

Os nossos receios iniciais acabaram por nunca se confirmar, a nossa felicidade foi ganhando confiança e a tua mamã ia exibindo com orgulho a sua barriguinha que lentamente se foi transformando numa enorme barrigona. E já agora, deixa-me contar-te um segredo. Durante esse tempo a tua mamã continuou linda e foi sem dúvida a grávida mais bonita de sempre.

As últimas semanas foram difíceis de gerir. Queríamos conhecer-te mas parece que nunca mais chegávamos a esse dia até que numa das últimas consultas ficou combinado que o teu nascimento ia ser induzido e a data marcada para sábado, 22 de julho.

Esse sábado foi um dos dias mais longos da minha vida. Chegámos cedo ao hospital e deu-se seguimento aos procedimentos habituais de internamento. Atribuíram-nos um quarto e instalámo-nos no espaço que teria o privilégio de te ver pela primeira vez.

Recordo que o dia foi pesado e que as horas demoravam a passar. Tu estavas preguiçosa, os registos não tinham a atividade que seria suposto e a tua mamã não tinha a dilatação suficiente para te conhecermos. Mas apesar de tudo e do peso das horas que se iam arrastando e tornando mais pesado ao longo do dia, há algo que recordo com enorme nitidez.

O sorriso da tua mamã nunca abandonou o seu rosto e essa era a forma mais bonita e natural de mostrar a sua felicidade e o seu amor incondicional por ti.

Por volta das 21 horas foi tomada a decisão que ao longo do dia foi ganhando forma. Afinal não ias nascer naquele quarto e terias que descer com a tua mamã ao bloco operatório. Por causa desta decisão, o papá não vos pôde acompanhar e tive que gerir as emoções à distância.

Nasceste às 22h15 e tive o privilégio de te conhecer 30 minutos depois. A enfermeira que te trouxe para cima demonstrou uma enorme dimensão humana e teve um gesto brutal de amizade porque, depois de te vestir, chamou-me, permitindo que às 22h50 já estivesses ao meu colo e assim ficássemos juntos enquanto a mamã recuperava da cesariana.

Por volta da uma da manhã, a tua mamã subiu e regressou ao quarto para finalmente te conhecer, mas, apesar das dores provocadas pelos cortes e do atordoamento provocado pela anestesia, aquele sorriso luminoso e feliz continuava no seu rosto.

Nesse dia começou a tua vida que veio dar mais felicidade à nossa vida. Hoje, a tua vida pequenina completa o seu terceiro aniversário e mostra que há espaço ilimitado para guardar todas as memórias bonitas que nos tens trazido.

O primeiro sorriso, o primeiro riso dobrado, a primeira palavra dos dias do princípio têm vindo a ser substituídos pela construção da tua personalidade. Estás na fase do teu sorriso traquina, das frases e das associações, da tua personalidade de princesa e da tua meiguice crónica que te “obriga” a estar em cima de mim a dar abracinhos e beijinhos enquanto escrevo estas linhas.

És uma criança feliz e estás feliz com a chegada deste dia. Eu e a tua mamã também estamos felizes. Já o éramos mas somos ainda mais felizes desde que fazes parte das nossas vidas. 3 anos. Faz hoje 3 anos que a nossa felicidade ganhou outra dimensão. A dimensão dos sentimentos que não se explicam, simplesmente sentem-se, vivem-se e desfrutam-se.

Parabéns, meu Amor mais pequenino!

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