Segunda-feira, Dezembro 6, 2021

“Chumbado o orçamento da recuperação económica”, por Hugo Costa

A política tem destas coisas, incompreensíveis: o Orçamento do Estado mais à esquerda, que a atual solução governativa tinha apresentado foi chumbado, numa coligação de alguma “dita” esquerda com a direita parlamentar. O Orçamento em causa era um bom orçamento de recuperação económica para as famílias e para o desenvolvimento do país, mas o taticismo à esquerda e à direita imperou. Um taticismo, diga-se, sem soluções.

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 Não obstante, é importante que todos saibam que era o Orçamento e o que permitia. Comecemos pelo ponto de partida. Era um orçamento que estimava o crescimento económico em 4,8% para este ano (possível, tendo em vista o crescimento de 4,2% deste trimestre, segundo o INE), para além de prever 5,5% no ano de 2022. Era igualmente um orçamento que estimava o mercado de trabalho no ano de 2022 com uma taxa de desemprego inferior a 2019. Relembrando que neste período, já temos mais população empregada do que no pré-pandemia.

Era igualmente um orçamento amigo das famílias, onde era previsto um reforço de 578 milhões de euros nas contas das famílias portuguesas, nomeadamente no alívio fiscal do IRS com o desdobramento dos escalões, o aumento das pensões mais baixas e o apoio à natalidade e infância. Este era, igualmente, o Orçamento que tinha como premissa o maior aumento de sempre do Salário Mínimo Nacional, que muitos, na direita parlamentar, consideram como elevado. Era igualmente o Orçamento que permitia voltar a existir aumentos na Administração Pública.

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Do ponto de vista do estado social, era o Orçamento do Estado que permitia um reforço na aposta no Serviço Nacional de Saúde em 700 milhões de euros. É importante relembrar para que não existam dúvidas, que o mesmo era de cerca de 7,8 mil milhões de euros em 2015, e em 2021 já estávamos a falar de 10,4 mil milhões de euros. É importante relembrar estes números. Até porque uma das primeiras coisas que a direita fez no poder foi reduzir o Orçamento do Serviço Nacional de Saúde. E, a nível de educação, este era o Orçamento com mais 900 milhões de euros na educação pública.

 A nível das empresas, relembrar que no contexto da pandemia foram mais de 8 mil milhões de euros em medidas de emergência económica e social, e que tinha mais 2,6 mil milhões de euros em medidas de apoios às empresas. Relembrar que o chumbo do documento faz, por exemplo, com que o Pagamento Especial por Conta não seja abolido.

 Era igualmente o Orçamento que permitia mais 30% de investimento público e execução do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência. Então, como é possível a esquerda parlamentar ter chumbado este orçamento? Uma opção que é deles, mas que é incompreensível.

Em democracia todos somos responsáveis pelos atos e agora não adianta dizer que não quiseram crise, quando foram os seus causadores.

 Sempre defendi o diálogo à esquerda, mas todos temos de ser responsáveis pelas nossas opções. Os portugueses vão ter a sua palavra.

Deputado na Assembleia da República e membro das Comissões de Economia, Inovação e Obras Públicas e Habitação, é também membro da Comissão de Orçamento e Finanças. Diz adorar o Ribatejo e o nosso país. Defende uma política de proximidade junto dos cidadãos. Tem 38 anos, é de Tomar e licenciou-se em Economia pelo ISEG. É membro da Assembleia Municipal de Tomar e da Assembleia da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Tem como temas de interesse a economia, a energia, os transportes, o ambiente e os fundos comunitários.

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1 COMENTÁRIO

  1. A máquina de propaganda do PS a funcionar.
    Vem este cartilheiro do governo com a vitimização do costume, julgando que os portugueses comem gelados com a testa.
    Infelizmente, a maioria come esta ladainha sem pestanejar, sem se informar convenientemente e é à conta de tipos como este (e as suas narrativas) que a região e o país está como está.
    Acordem!

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