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Segunda-feira, Julho 26, 2021

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CHMT: Maternidade tem um projeto que é um mimo

Tricotanças. Assim se chama o grupo desenvolvido na Maternidade do Centro Hospitalar do Médio Tejo, em Abrantes, empenhado no projeto nascer.quentinho@Abrantes. Desde o dia 20 de maio de 2015, todos os bebés que nascem na Maternidade do CHMT são “bebés Tricotanças”. Quer isto dizer que recebem um gorro tricotado pelo pessoal médico e de enfermagem do serviço de Obstetrícia, bem como de outros voluntários.

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Mas como é que surgiu esta ideia? Conceição Courinha, enfermeira-chefe de Obstetrícia, explica: “O projeto começou porque vimos uma reportagem sobre um médico americano que oferece aos pais das crianças nascidas pelas suas mãos gorrinhos de lã tricotados por ele próprio e achámos giro. Uma das nossas colegas que é muito ativa (Enfermeira Paula Alexandre) achou que deveríamos começar também a tricotar gorros para presentear os recém-nascidos na nossa maternidade. A ideia foi acarinhada por muitas pessoas e começaram a surgir os primeiros gorros tricotados.”

O movimento já mobiliza um conjunto vasto de voluntários que tricota gorros de lã, para o inverno, e gorros de algodão, para o verão, de todas as cores e para todos os gostos: azuis, verdes, cor-de-rosa, vermelhos, brancos – e até há gorros para os gémeos.

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São as parturientes que vão ao armário e escolhem o gorro que querem para o seu recém-nascido
São as parturientes que vão ao armário e escolhem o gorro que querem para o seu recém-nascido

Ivone Caçador é a diretora do Serviço de Obstetrícia e quem nos conduz nesta visita ao mundo das Tricotanças na Maternidade de Abrantes. Também já tricotou alguns gorros para oferecer aos recém-nascidos, confessa que mais em tons de cor-de-rosa.

No armário criado para o efeito, estão mais de 200 gorros tricotados, organizados por cores, à espera de cabecinhas para aquecer.

“As mães depois veem aqui e escolhem o gorro que querem de acordo com o fatinho que trazem para vestir ao bebé”, explica Ivone Caçador. Mas, “se estão muito aflitas, agarramos em dois ou três gorrinhos de acordo com a cor do fatinho que trazem para o recém-nascido e levamos às mães para elas escolherem aquele que querem”, diz a enfermeira-chefe Conceição Courinha.

Os gorros da Maternidade do CHMT são já um sucesso junto das parturientes. A enfermeira-chefe salienta que “as mães já tem passado pelo armário e perguntam se é para vender, mas nós respondemos que não, que é para oferecer e depois perguntam se não podem comprar mais nenhum e nós respondemos que isto aqui não é nenhum negócio: é um para cada uma, para dar para todas”, diz sorrindo.

Santiago, nasceu no dia 15 de dezembro e tinha o seu gorro Tricotanças colocado
Santiago, nasceu no dia 15 de dezembro e tinha o seu gorro Tricotanças colocado

Ana Catarina Ramos, foi mãe do seu segundo filho, Santiago, no dia anterior ao da reportagem do mediotejo.net na Maternidade de Abrantes. Sobre este projeto do grupo “Tricotanças”, Ana Catarina Ramos refere que já tinha conhecimento e que “é giro, é uma lembrança que levam da Maternidade”.

Sandra Ruivo, de Leiria, deu à luz o seu Mateus nessa manhã. Está no quarto ainda a recuperar da cesariana e tem nos braços o seu filho, já com o gorrinho oferecido pela Maternidade.

“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”. Esta frase de Antoine de Saint-Exupéry está na embalagem do gorrinho que é oferecido aos bebés e reflete um pouco aquilo que os profissionais do serviço de Obstetrícia sentem: os bebés que ali nascem deixam um pouco de si e levam um pouco dos profissionais (os gorros).

O objetivo é deixar um miminho, uma recordação “e todas as mães gostam”, refere Ivone Caçador.

Conceição Courinha, enfermeira-chefe de Obstetrícia, mostra o postal que o serviço recebeu de uma família da Holanda que teve o seu filho na Maternidade de Abrantes
Conceição Courinha, enfermeira-chefe de Obstetrícia, mostra o postal que o serviço recebeu de uma família da Holanda que teve o seu filho na Maternidade de Abrantes

E gostam tanto que a equipa do Serviço de Obstetrícia exibe com orgulho um postal que receberam vindo da Holanda de um casal que teve o seu filho na Maternidade do CHMT, com uma foto do bebé com o gorro oferecido colocado, a agradecer tudo o que fizeram por eles: “Eu amo o meu gorro. Obrigada. Beijinhos. Samuel”, pode ler-se no postal. “E é isto que enche a equipa de satisfação e orgulho enquanto profissionais”, salienta Conceição Courinha.

Projeto que envolve toda a comunidade

Este é um projeto que já envolve toda a sociedade: além das médicas e enfermeiras e seus familiares que tricotam os gorrinhos, “algumas lãs são dadas por parturientes, outras vezes são lojas que sabem deste projeto e dão as lãs”, salienta Ivone Caçador. Mas não só: também as etiquetas, onde está inscrito o nome “Tricotanças” e que são colocadas nos gorros, foram oferecidas por uma empresa do Porto, num total de 2 mil, “quando souberam para que era”.

Susana Pedro, de Torres Novas, antes de nascer o seu filho foi escolher um gorrinho azul
Susana Pedro, de Torres Novas, antes de nascer o seu filho foi escolher um gorrinho azul

Depois de feitos, os gorros “são todos lavados, é a mãe da enfermeira Paula que os tem lavado todos, com detergente para bebé, e nós depois empacotamos, nos kits da epidural ou nos saquinhos de plásticos selados”, explica Conceição Courinha dando a conhecer a vertente de reciclagem do projeto que aproveita os kits da anestesia para servir de embalagem dos gorros. “É tudo feito pelo pessoal, com muito amor e carinho”, salienta Ivone Caçador.

“Toda a gente vai fazendo e vão experimentando novos modelos”, refere a diretora do Serviço de Obstetrícia. “E os gorros saem cada vez mais giros”, refere Conceição Courinha, que ainda não fez nenhum gorro. “A última remessa que trouxe de minha casa eram 65 gorros, mas não foram feitos por mim, foram feitos pela minha irmã que é enfermeira reformada. Eu não tenho muito jeito, mas logo arranjei alguém que faça por mim”.

O grupo Tricotanças, refere a enfermeira-chefe Conceição Courinha, “é o nosso primeiro filhote e o segundo está aí na calha”. Sem querer, para já, avançar sobre o que se trata, a enfermeira-chefe diz apenas que “há ideias, mas ainda não foi pedida autorização”. Mas será um projeto que pretende “ajudar os bebés mais carenciados”.

Na Maternidade do CHMT, em Abrantes, entre 1 de janeiro e 17 de dezembro deste ano, foram realizados 746 partos.

Entrou no mundo do jornalismo há cerca de 13 anos pelo gosto de informar o público sobre o que acontece e dar a conhecer histórias e projetos interessantes. Acredita numa sociedade informada e com valores. Tem 35 anos, já plantou uma árvore e tem três filhos. Só lhe falta escrever um livro.

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