“Chegou a 2ª vaga… e temos “boas novas””, por Rui Calado

Foto: DR

A mortalidade é um indicador chave para a determinação da gravidade dos fenómenos de saúde. A presente pandemia, se não estivesse associada a um aumento da mortalidade específica pelo Covid19, seria considerada uma banal constipação. São os óbitos e “apenas” os óbitos a justificação compreensível para a adopção e aceitação de medidas que têm afectado e que continuarão a condicionar, negativamente e por muitos anos, a vida económica e social de cada um de nós, do país, ao nível global.

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Por isso, passados que estão 6 meses desde o início do problema na Europa, importa olhar e comentar os dados relativos à evolução da mortalidade específica por Covid19 em alguns dos seus países mais atingidos e mais vezes referidos nos órgãos de comunicação social.

A observação da figura permite, desde logo, extrair algumas evidências:

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Portugal foi dos últimos países da Europa a ser atingido pela pandemia e manteve valores de mortalidade que estão representados na figura por uma curva achatada, tantas vezes referida como desejável pelos nossos administradores de saúde. O conhecimento da evolução da epidemia nos países de origem dos primeiros “casos importados” para Portugal e das carências organizacionais e logísticas que se evidenciaram no nosso país no seu período inicial, permite especular que esses resultados se ficaram a dever, em grande parte, à intervenção dos serviços de saúde públicos e nomeadamente às suas redes de saúde pública, de cuidados de saúde primários e hospitalar. O Serviço Nacional de Saúde terá mostrado, uma vez mais, a sua importância e indispensabilidade na nossa vida colectiva.

Os países que apresentaram os valores de mortalidade mais elevados foram a Bélgica, a nossa vizinha Espanha e o Reino Unido. Já a Suécia, que utilizou uma estratégia diferente de todos os outros no combate à pandemia, não apresenta valores de mortalidade mais elevados que alguns países europeus que optaram por outras soluções.

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Entre o final de Abril e o início de Junho a mortalidade diminuiu consideravelmente em todos os países em análise e manteve, nos últimos 3 meses, valores residuais em todos eles. Neste período a pandemia revelou-se bastante benigna e ao contrário do que se esperava, com base no histórico de pandemias anteriores, a 2ª vaga não se fez acompanhar pelo anunciado aumento catastrófico do número de óbitos.

Perante a consistência dos números e após 6 meses de enormes sacrifícios e privações, seria expectável estarmos a ouvir mensagens de esperança, desejavelmente comedidas e moderadas, mas optimistas. No entanto, a proximidade do Outono-Inverno, por favorecer o desenvolvimento de epidemias virais, “empurra” os responsáveis para a formulação e divulgação dos piores cenários. Eles sabem que mais vale prevenir que remediar…

É nesse contexto que surge um documento de referência da DGS (PLANO DA SAÚDE para o Outono-Inverno 2020-21), que orienta e antecipa a adaptação e organização dos serviços, para que o país esteja preparado para um eventual agravamento da situação, quando e se vier a ocorrer. Vamos confiar nas virtualidades do caminho traçado, que pressupõe a separação entre as decisões políticas, das tomadas de decisão em saúde pública, na convicção que as interferências perturbadoras pertencem ao passado.

Hoje, apesar da eclosão de uma 2ª vaga, há condições para a mudança no discurso, nas atitudes e comportamentos. Mantendo a vigilância e aumentando a eficácia das intervenções, sem restrições injustificadas, nem excessos de confiança. É tempo de informar com verdade, educar para a responsabilidade e preparar o futuro.

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