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Chamusca | Tradição do Enterro do Galo reinventou-se em versão online (c/VIDEO)

Todos os anos na quarta feira de Cinzas, a população da Chamusca vive a tradição do Enterro do Galo, um espetáculo popular que simula um funeral durante o qual se passa em revista as calhandrices da vila, dizendo algumas verdades em tom de brincadeira e escárnio. Ninguém está livre de ser alvo de uma quadra mais ou menos brejeira onde as “vítimas” são caricaturadas e ridicularizadas.

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Os alvos são sobretudo as figuras públicas, mas também os cidadãos anónimos que, por um ou outro motivo foram falatório na vila, durante o último ano. Claro que os políticos são, por norma, os bombos da festa.

Este ano, devido à pandemia, com todas as restrições, o espetáculo teve de ser reinventado e foi transmitido online através do Facebook numa página a que deram o nome de “Galo Capão”.

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Anunciado para as 23 horas do dia 17, o Enterro do Galo começou com um atraso que exasperou os chamusquenses ansiosos de ouvir e ver um pouco de “má língua”. Mas a internet não ajudava. Cerca de meia hora depois lá se iniciou a transmissão vídeo do Enterro do Galo.

Eram cinco pessoas naquilo que parecia ser uma garagem com um caixão ao meio. O “padre”, orador principal, lia as quadras viperinas e o testamento do galo enquanto duas “mulheres”, entre as quais a viúva, choravam em pranto sobre o caixão.

Dirigido aos “sócios da calhandrice da vida alheia”, o enterro ficou marcado pelo cumprimento das normas de segurança e até incluiu pelo meio alguns conselhos de proteção contra o vírus.

“Não há vírus que pare a tradição”, dizia o padre que garantia estarem todos desinfetados “pelo menos por dentro”, enquanto bebericava um copo de tinto.

“Isto é tudo invenção, qualquer coisa a ver com a realidade é coisa da vossa cabeça”, adverte-se logo no início.

Mas o rol de críticas sucedia-se. São os semáforos da ponte da Chamusca que tardam a funcionar, o trânsito que está parado, é o mercado municipal que tarda em ser inaugurado, são as festas que não se realizaram devido à pandemia (da Ascensão ao Quartão, por exemplo), são as filas de viaturas na ponte, são os acidentes na EN118 junto à antiga adega cooperativa, a obra do museu que nunca mais se concretiza e por aí adiante.

Chamusca onde tu andas

Já nada é como antes

Até o raio da nova ponte

Escapou para o lado de Abrantes

Os atrasos na inauguração do mercado também não escaparam aos autores da brincadeira, porque “aquilo está tão bem feito que não há ninguém que lhe pegue” numa referência ao pouco interesse manifestado pelos espaços das lojas por parte dos comerciantes.

Sobre o Presidente da Câmara, que perdeu umas dezenas de quilos desde que começou a fazer exercício físico, a inspiração poética baseou-se nas coscuvilhices pré-eleitorais e nos jogos de bastidores a poucos meses das eleições autárquicas.

Quanto ao Presidente da Junta da Chamusca, também não escapou à má língua a sua presença quase diária nas redes sociais e os sucessivos posts que publica no Facebook.

Num “ano estranho” devido à pandemia, o jogo do gato e do rato entre as autoridades e os cidadãos que tentam furar o confinamento foi outro tema de inspiração poética.

Quase sempre sem referir nomes, as farpas a figuras e instituições do concelho sucedem-se ao longo de 42 minutos de escárnio e mal dizer em ritmo das rimas populares, intervalados com choros estridentes das carpideiras.

Mais um ano se passou

E este sem jogo do Quartão

Mas como isto anda

Até o Sporting é campeão

O vídeo já conta com milhares de visualizações e centenas de reações. A população local, de uma maneira geral, aplaude a iniciativa e o facto de não se perder esta tradição ancestral.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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