Chamusca | Presidente da Junta da Carregueira diz que a sua renúncia ao mandato não é um adeus à política (c/ÁUDIO)

Joel Marques (PS) cumpria o terceiro mandato e não poderia recandidatar-se nas eleições autárquicas de 2021. Créditos: mediotejo.net

*Com Mário Rui Fonseca

PUB

Para surpresa de muitos, o Presidente de Junta de Freguesia da Carregueira, no concelho da Chamusca, pediu a suspensão das funções no dia 15 de outubro, a cerca de um ano de terminar o seu terceiro e último mandato. Foi uma decisão com efeitos imediatos e “irrevogável”, afiança. Tal não significa que Joel Marques abandone a política.

Foi através de uma publicação no Facebook que Joel Marques revelou ter colocado “um ponto final” nas suas funções de Presidente de Junta da Carregueira, de deputado Municipal e de Coordenador Distrital da Associação Nacional de Freguesias. Sucede-lhe no cargo de presidente de Junta de Freguesia da Carregueira o até agora tesoureiro, Rui Jorge Martins Gonçalves, autarca que integra a equipa de Joel Marques desde 2009, e que conta com a confiança e apoio do autarca demissionário.

PUB

No ar ficaram muitas dúvidas sobre as razões que levaram Joel Marques a abandonar o cargo, questões que o mediotejo.net tentou esclarecer, em entrevista.

ENTREVISTA COM JOEL MARQUES (AUDIO)

PUB
Joel Marques, ex-Presidente da Junta de Freguesia da Carregueira (Foto: DR)

O que o levou a tomar esta decisão?
Estou há 11 anos a exercer as funções de Presidente da Junta. Foram 11 anos muito intensos, de transformação, em que a Junta de Freguesia se alterou completamente e evoluiu naquilo que eram os serviços prestados à população. Onze anos em que vimos a Junta de Freguesia reconhecida várias vezes com distinções, quer a nível nacional quer por entidades públicas e privadas, e foram 11 anos de extremo desgaste porque somos uma freguesia pequena, com poucos meios e com poucos técnicos. Sempre entendi, desde 2009, que deveria assegurar o discernimento para saber qual era a hora de saída,  e a hora de saída chegou. O Rui Gonçalves, que está comigo desde 2009 e é o atual presidente da Junta da Carregueira, tem também o know-how de 11 anos de trabalho. Tenho a certeza absoluta que irá manter aquilo que fizemos de bem e que irá melhorar, e é disso que a freguesia da Carregueira necessita neste momento. Foi essa a razão essencial da minha saída.

Apanhou muita gente de surpresa. Recebeu muitos telefonemas quando fez o anúncio da renúncia ao mandato?
Recebi um par de telefonemas de quem estava à espera e de quem não estava à espera, mas guardo para mim fundamentalmente os meus amigos, as pessoas mais próximas que me ligaram para me dar uma palavra de conforto, porque 11 anos não são 11 dias. Quem me conhece e aqueles que acompanham o meu trabalho mais de perto, como é o caso da minha família e dos meus amigos, sabem o empenho e a dedicação que eu dei à junta de Freguesia da Carregueira ao longo destes anos e compreendem que não foi obviamente de ânimo leve que apresentei esta carta de renúncia. Porque aquilo que eu sempre lutei, desde 2009, foi pelo melhor para a junta de freguesia e o melhor para as populações da Carregueira e do Arripiado.

Qual vai ser o futuro de Joel Marques?
O meu futuro é o mesmo que era antes. Na Junta de Freguesia ninguém é profissional da política e, por isso, vou continuar a minha atividade profissional. Quero ter mais tempo para a minha família. Espero ver os meus filhos crescerem e compensar a minha mulher, que nunca conheceu o Joel Marques civil, digamos assim. Será essa a minha vida, sempre disponível para ajudar a Freguesia a que pertenço, o meu concelho, a minha região, sempre disponível para colaborar.

Joel Marques, ocupou até agora o lugar de Presidente da Junta de Carregueira, Chamusca, e de coordenador da Delegação Distrital de Santarém da ANAFRE (Foto arquivo: mediotejo.net)

E em relação aos lugares que mantém no Partido Socialista?
Continuo a ser adjunto do Presidente da Distrital, Hugo Costa, que conta com a minha solidariedade, e darei todo o meu conhecimento em prol do trabalho que o Hugo Costa vai desenvolver, que será um trabalho meritório certamente, e que levará o PS a ter um resultado superior ao das últimas eleições autárquicas.

Que balanço faz do seu trabalho enquanto coordenador distrital da ANAFRE -Associação Nacional de Freguesias?
Foram 11 anos intensos de Presidente de Junta e seis anos como coordenador da ANAFRE, em que os primeiros anos não foram nada fáceis. Em 2014 a ANAFRE não tinha dirigentes aqui na região, havia muitos problemas para resolver e agradeço à equipa extraordinária que esteve comigo no primeiro mandato, que muito ajudou a resolver todos os problemas para conseguirmos projetar a ANAFRE para este novo mandado. Quase que duplicámos o número de Associados nos últimos anos. A ANAFRE tem tido nestes últimos anos um papel muito importante nas negociações quanto à delegação de competências para dar mais dignidade à Junta de Freguesia, mais proximidade. A nível distrital temos feito um “trabalho de sapa” de muita proximidade com os presidentes de junta. O que guardo para mim são as pessoas que conheci, os momentos que passei com elas, o poder ajudar, o poder fazer parte da solução de alguns problemas e o que aprendi. O que ficam são as relações pessoais, são as amizades que criamos durante a nossa vida.

Joel Marques presidiu até agora à delegação distrItal da ANAFRE. Foto: DR

Ao longo destes anos como presidente de junta há alguma obra mais emblemática e que o tenha marcado mais?
Orgulhosamente – e quem me conhece sabe –, não sou um presidente de junta empreiteiro. Acho que primeiro está a qualidade de vida das pessoas, que se deve dar prioridade àquilo que é a obra imaterial. Mas temos construído tanta coisa, nem sei por onde hei de começar. A pensar nas crianças, tivemos a coragem de avançar com as atividades de apoio à família, a Junta Jovem, os campos de férias, a Universidade Sénior, as marchas populares, que devolveram o sentimento de bairrismo a estas pessoas da freguesia, que estavam um pouco esquecidas. A grande vitória que levo para casa é saber que as pessoas hoje são muito mais orgulhosas de pertencerem a esta terra do que há 11 anos. Posso dizer que essa é minha grande obra.

De então para cá os desafios para as Juntas de Freguesia são muito diferentes…
Muito diferentes, as Juntas de Freguesia tinham pouca delegação de competências. Ao longo destes 11 anos cresceu-se muito naquilo que é o aproximar a decisão da população. Esse aproximar só se resolve de uma forma: entregando às juntas de freguesia as competências de execução – acompanhadas, obviamente, do envelope financeiro, para que possam ter capacidade financeira de cobrir as mesmas despesas. Tendo em conta o atual processo de delegação de competências do Estado Central nas câmaras, eu julgo que daqui a um par de anos as Juntas de Freguesia ainda terão mais competências. Não consigo ver isto com outros olhos que não os da satisfação, porque quanto mais aproximarmos a decisão das populações, quanto mais estivermos próximos, melhor será certamente a resposta aos problemas, e isso para mim será sempre bom. Quanto mais competências tivermos e mais capacidade de atuação, melhor será para as comunidades e para a vida das pessoas.

Este final de ciclo é um “adeus” à política ou um “até já”?
Eu sou daqueles que diz que todos os dias estamos a fazer política. Seja no café, seja a conversar com amigos… querer fazer bem aos outros é política! Por isso hei de fazer política até morrer, por isso não há de ser um adeus, de certeza absoluta.

Uma palavra a quem fica a liderar os destinos da junta, tesoureiro há 11 anos, e outra palavra para a população da Carregueira e do concelho da Chamusca…
A quem fica à frente dos destinos da junta tenho a certeza absoluta que irão fazer um melhor percurso do que aquele que eu fiz. Eu acredito nas pessoas que ficam, acredito muito no Rui, durante estes anos não teve o palco, mas cresceu como eu cresci, aprendeu o que eu aprendi, estivemos 11 anos no mesmo barco e a trabalhar nos mesmos projetos. Quero dar todas as garantias à comunidade de que ficará bem entregue e com perspectivas de crescimento.

À população da Carregueira e do Arripiado só tenho de dizer “obrigado” por me terem emprestado durante 11 anos a confiança de liderar os destinos desta freguesia. Garanto-lhes que dei tudo aquilo que podia ter dado, coloquei todas as minhas forças, todo o meu conhecimento, em prol da Junta de Freguesia da Carregueira. Saio completamente de cabeça levantada porque sei que tudo o que fiz, sempre a pensar nos interesses da freguesia.

Para terminar, se ainda pudesse concluir ou realizar uma obra daquelas que idealizou para a freguesia e que não conseguiu concretizar, qual seria?
Era acabar com a covid-19 e poder dar um abraço a toda a gente.

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

- publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here