Chamusca | Poucos interessados nas lojas do mercado que deve reabrir antes do fim do ano

Participaram apenas dois empresários na hasta pública para ocupação das lojas no Mercado Municipal da Chamusca realizada no dia 4 de novembro no Cineteatro. Depois de vários anos em obras com alguns contratempos, o Mercado Municipal estará pronto para funcionar a partir de 12 de novembro, data ainda a confirmar.

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Dos 13 espaços comerciais a licitar, apenas um, de restauração, foi arrematado. A angolana Luísa Garcia, que se afirma “chamusquense de gema” porque reside na vila há cerca de 44 anos, resolveu apostar num espaço no mercado municipal.

A empreendedora é trabalhadora independente, faz prestação de serviço num restaurante em Almeirim, mas tem um projeto e a sua ideia é ter um espaço próprio que quer concretizar com a ajuda da Fábrica do Empreendedor da Chamusca.

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“Contrariando aquilo que a maior parte das pessoas diz, que a Chamusca não tem viabilidade, apesar desta conjuntura em que vivemos, eu acho que vale a pena arriscar”, afirma uma convicta Luísa Garcia.

A empreendedora não quis perder a “oportunidade”, tendo em conta “as condições do mercado municipal e os preços de renda que estão estabelecidos”. “Eu acho que fazia sentido arriscar”, reforça.

Apenas do espaço ser pequeno, Luísa está confiante porque a aposta representa o início do seu próprio negócio. “Às vezes estamos à espera que alguém dê o primeiro passo, mas alguém tem de dar o primeiro passo. Nesta altura, é legitimo ter medo, também estou apreensiva, mas apesar da conjuntura até agora não me faltou trabalho, nem o ordenado. Temos de andar para a frente”, diz com entusiasmo a empresária.

O técnico da Fábrica do Empreendedor e os dois empresários. Foto: mediotejo.net

Nuno Lopes pretendia instalar uma drogaria, ramo comercial que não está previsto no atual desenho do mercado municipal. Esteve presente na hasta pública, mas não licitou uma vez que o edital não prevê uma loja daquele ramo. Vai agora apresentar um requerimento à Câmara para que seja criado o espaço.

Tal como Luísa, Nuno mostra-se otimista e deixa uma mensagem de incentivo: “Temos de investir, não podemos parar, mesmo com a crise, a gente não pode parar”.

O empresário acredita nas potencialidades do mercado municipal. “Tudo leva o seu início, se ninguém tiver iniciativa isto acaba por morrer e não podemos deixar morrer as coisas”, argumenta.

A hasta pública decorreu no Cineteatro. Foto: mediotejo.net

Fábrica do Empreendedor apoia investidores

A acompanhar a hasta pública e a apoiar os empreendedores esteve Rui Preto, um dos técnicos da Fábrica do Empreendedor, serviço que funciona na Chamusca há cerca de ano e meio, através de uma parceria com o Município.

Com instalações na rua Anselmo de Andrade, nº 53, a Fábrica do Empreendedor procura dar uma resposta “integrada e qualificada de apoio à criação e consolidação de microiniciativas empresariais, com tecnologia social ajustada a grupos específicos, potenciando o aparecimento de start-ups e dinamizando o tecido microeconómico existente, a partir dos recursos endógenos do território”.

Outros dos objetivos é a “capacitação para o mercado de trabalho através da metodologia de Personal Branding, tendo em conta as necessidades de recrutamento das empresas”.

“Estratégia de animação territorial, através do reforço do trabalho em rede visando a rentabilização dos recursos endógenos e a co-construção de respostas locais, com o objetivo da criação de soluções locais sustentáveis, que promovem o empowerment individual, institucional e comunitário”, é ainda uma das atividades da Fábrica do Empreendedor.

Mercado da Chamusca. Foto: mediotejo.net

Mercado municipal reabre renovado até ao fim do ano

A inaugurar até ao fim do ano, o mercado municipal de Chamusca conta com 13 espaços comerciais, além das bancas de venda de fruta e produtos hortícolas.

Estão previstos dois espaços de restauração, duas lojas de produtos regionais, uma lavandaria, uma peixaria, uma costureira, um sapateiro, um talho e um café. Acresce ainda uma padaria, uma papelaria, uma doçaria, uma mercearia e um café.

As áreas dos espaços comerciais variam dos 6 aos 28 m2, mas o preço base de licitação para cada espaço era igual para todos: 150 euros. As rendas são acessíveis (de 20 a 94 euros) e variam consoante a área de cada loja.

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José Gaio
Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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