Chamusca | Joaquim Garrido: “o melhor que a Chamusca tem é as suas gentes”

Na sua primeira entrevista concedida ao jornal digital mediotejo.net, Joaquim Garrido, Presidente da Assembleia Municipal da Chamusca, faz uma análise à gestão camarária, aos problemas do Concelho, nomeadamente o das acessibilidades, e às suas potencialidades. Nesta altura seria inevitável falar da festa maior da Chamusca, da qual o autarca sublinha a singularidade do “estar em Ascensão” como sendo “outro tempo”, “o nosso tempo”.

É com agrado que vê surgir uma nova geração, mais jovem, de políticos, de autarcas, elogiando “o rigor da gestão económico / financeira” do Município”.

Na opinião de Joaquim Garrido é “um imperativo Nacional”, urgente, a construção da nova ponte.

Editor de profissão, Joaquim Garrido, 63 anos, é um nome incontornável da cultura na Chamusca. Na internet vai partilhando os seus conhecimentos e vai dando a conhecer o património, a cultura e as tradições da Chamusca.

MT – Quais as suas principais preocupações como Presidente da Assembleia Municipal da Chamusca?

JG – Dignificar o cargo que ocupo, dando-lhe o melhor que sei na defesa dos propósitos que lhe são inerentes.

Querendo com isso dizer que para além de defender a autonomia do cargo e de toda a Assembleia, é minha preocupação permanente, a defesa de todos os deputados que a compõem quer sejam do partido A ou do partido B pois sei que as divergências partidárias não nos impedem de pugnar, cada um à sua maneira, por fazer uma terra melhor. É pois a minha grande preocupação fazer, e saber respeitar, todas as opiniões divergentes, canalizando-as para a defesa do objetivo comum.

MT – O que representou e que impacto teve no concelho e na população a mudança política na gestão autárquica?

JG – Como vim defendendo ao longo de todo o meu percurso politico, é necessário dar aos jovens a oportunidade da condução dos nossos destinos coletivos, quer sejam políticos, académicos ou de uma outra qualquer qualidade representativa, para a definição do que queremos ser como cidadãos e como Chamusquenses.

Para reforçar a resposta, direi que me sinto compensado pelos princípios que abraço pois, todas as autarquias do nosso concelho estão a ser lideradas e reforçadas por jovens, desde as Assembleias de Freguesia, Juntas de Freguesia, Assembleia Municipal e Câmara.

Assim acredito que é este o caminho certo, cabendo-nos a nós, os que têm mais idade, acompanhar com zelo e com princípios éticos, os mais novos que estarão por certo, melhor apetrechados, quer tecnicamente quer cientificamente para os desafios das novas realidades que o poder autárquico, mete em cima da mesa todos os dias.

MT – Como analisa a atual gestão camarária na Chamusca?

JG – Ao longo dos tempos e pela experiência cívica que se vai adquirindo, depois de passar por várias etapas da vida democrática, uma pergunta como esta, tende a que seja dada uma resposta comum. No entanto o cargo que ocupo neste momento, impõe que não seja dada uma resposta redutora ou simplicista que poderia criar um vazio, no que se deve entender e fazer numa análise mais cuidada e assertiva.

No entanto poderei dizer sem margem para dúvidas que vejo com agrado o rigor da gestão económico / financeira do nosso município, nomeadamente no que respeita à valorização e acompanhamento das estruturas, tanto físicas como humanas para o desenvolvimento das nossas crianças, dos nossos jovens e também dos nossos idosos.


MT – O que tem de melhor e de pior a Chamusca?

JG – A Chamusca é o espelho dos seus filhos. Tenho como bom a sua antiguidade como concelho e a rica história desde tempos imemoriais, não esquecendo a sua diversidade repartida entre a charneca e a lezíria. Falar das suas qualidades será abrir um livro imenso que por certo não caberia nesta curta entrevista. Numa síntese poderá dizer-se que o melhor que a Chamusca tem é as suas gentes.

Quanto ao pior; O que há a ser corrigido, que cada um faça a sua parte e terei a certeza que esta pergunta, não terá qualquer sentido em ser feita.

MT – Como comenta o problema das acessibilidades no concelho?

JG – Um problema já com muitas décadas. Direi até que o atual estado a que chegou as estradas existentes, é um estado deplorável e que a estrada nacional 118 apresenta já um problema acrescido. A urgência na construção da nova ponte é um imperativo Nacional. Não deve ser entendido como um assunto regional ou local. A conclusão do IC3 é essencial para a redução de riscos e de impactes ambientais. Fazer vista grossa a estas realidades é não respeitar as populações que resolveram um problema Nacional.

MT – Que significado tem para si a Semana da Ascensão?

JG – É a Festa Maior do Concelho da Chamusca. Cada Chamusquense tem a sua forma de a viver e é aí que está a sua maior riqueza. Uns pelos toiros, outros pelo seu aspeto cultural que tem raízes profundas nas nossas gentes e ainda outros, porque fazem desta data, o ponto de encontro anual.

 MT – Mas como a vive?

JG – Em plena comunhão com toda a restante população e amigos que nos visitam nesta quadra festiva.

MT – O que destaca na Festa?

JG – Os encontros e desencontros e a língua que se solta e o encanto que é ESTAR EM ASCENSÃO. É outro tempo… é o nosso tempo. Só poderá saber que tempo é, quem o vive de forma solta e genuína.

MT – Como gostaria de ver a Chamusca daqui a 10 anos?

JG – Com os sonhos cumpridos. É por isso que lhe disse no início da nossa conversa que acredito nos nossos jovens. Deposito neles a minha esperança para a transformação que o nosso concelho necessita. Este acreditar é feito também com o meu compromisso que não me demitirei da responsabilidade de ser um cidadão participativo nas atividades cívicas que me são confiadas.

MT – Uma mensagem final…

JG – A importância que damos ao respeito entre opiniões diferentes é porventura o segredo para o avanço das grandes “ empreitadas “ que temos pela frente. Estamos numa época de recuo civilizacional, é pois necessário, que tenhamos a singeleza da nossa finitude. Que todo o discurso ou ação seja feito pela positiva e que a memória não seja curta.

José Gaio
Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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