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Segunda-feira, Janeiro 24, 2022
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Chamusca | Fadista Rui Tanoeiro concretiza sonho adiado pela pandemia (c/fotos e vídeo)

Quando há 21 meses, o fadista Rui Tanoeiro, da Chamusca, anunciou o espetáculo de lançamento do seu primeiro álbum mal imaginou que a pandemia o obrigaria a adiar o sonho várias vezes. E, mesmo assim, o espetáculo concretizado neste feriado de 1 de dezembro no cineteatro da Chamusca, coincidiu com o primeiro do novo estado de calamidade.

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Apesar de todos os contratempos, Rui Tanoeiro mostrava-se um homem feliz no final do espetáculo que encheu quase por completo o cineteatro da Chamusca. Durante cerca de hora e meia, o fadista de 34 anos, funcionário na Câmara Municipal, interpretou temas da sua autoria e de outros autores e teve como convidada em palco a jovem fadista torrejana Mariana Portugal.

“Acho que correu bem, sinto-me feliz e finalmente realizado, pelo menos o feedback está a ser positivo. Foram 21 meses de espera para chegar a este dia e foi conseguido, foi ao encontro das expectativas que tinha há 21 meses”, disse ao mediotejo.net no final do espetáculo, enquanto dava autógrafos nos CDs.

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O início do estado de calamidade precisamente no dia do espetáculo veio retirar algum público que estava previsto. Segundo revelou o fadista, nos dois dias anteriores, cerca de 30 pessoas desistiram e cancelaram os seus bilhetes.

Mesmo assim, a sala estava praticamente cheia e o público reagiu positivamente. “O feedback do público foi agradável, as pessoas saíram com vontade de mais e eu penso que isso é muito importante”, congratulou-se Rui Tanoeiro que espera ser este “o início de uma longa estrada”.

Fadista da Chamusca tem 34 anos. Foto: Luis Filipe do Carmo
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Entrevista

O orgulho nas tradições 

Quem é Rui Tanoeiro?

O Rui Tanoeiro é natural da Chamusca, tem 34 anos, é funcionário público e tem imenso gosto nas tradições que se vivem na sua terra, nomeadamente o fado.

Como surgiu o fado na sua vida?

Acho que eu é que surgi no fado. Tendo em conta todo o historial fadista que existe na Chamusca, sempre me lembro de ouvir fado e de lhe tomar o gosto desde muito novo. Comecei a levar “a coisa” mais a sério em 2006.

Que influências musicais teve?

Numa fase inicial, as maiores influências foram todas conterrâneas. João Chora, Manuel João Ferreira, Silvina de Sá, Artur Simões entre outros. São fadistas que sempre tive e ainda hoje continuo a ter imenso gosto em ouvir.

E a nível nacional?

A nível nacional e dos que já não se encontram entre nós, Carlos do Carmo, Alcindo de Carvalho e Argentina Santos. Da atualidade, Marco Rodrigues e Sara Correia.

Fadista Rui Tanoeiro apresentou o seu primeiro álbum. Foto: mediotejo.net

Como caracteriza o seu estilo de fado?

Eu gosto de cantar fados tradicionais, mas dar-lhe uma roupagem diferente com instrumentos diferentes. Felizmente os músicos que tenho comigo são perfeitos pois em palco falamos a mesma linguagem e conseguimos ir ao encontro da ideia sem nunca descaracterizar o fado e acima de tudo o tradicional. Diria, portanto, irreverente.

O que sente quando canta fado?

Depende do poema que estou a cantar. Podemos dizer que um concerto é um misto de sentimentos que vai desde o amor, à saudade às tradições, etc…

E em relação ao público? Sente apoio e carinho?

Felizmente tenho tido uma reação bastante positiva e a prova disso é que a sala para o lançamento estava praticamente esgotada. Sinto, de facto, esse apoio e carinho, Tive 21 meses de adiamento deste espetáculo. Contactei todas as pessoas que tinha reserva para a primeira data e resposta foi positiva, sem hesitar. Isso demonstra um grande carinho e lealdade para com o meu trabalho e para com o fado Chamusquense.

Como surgiu este álbum?

Penso que seja o sonho de qualquer fadista ter o seu álbum, e acima de tudo o primeiro. Surge numa conversa com José Cid onde contei a minha vontade em fazê-lo e ele mostrou-se completamente disponível para me ajudar e produzir o disco que foi gravado no estúdio dele em Mogofores.

Quem são os músicos que o acompanham?

Como músicos no disco contei com a participação de Bruno Mira, Pedro Pinhal, Rui Santos, Samuel Henriques e José Cid como músico e um dueto comigo num dos temas.

O CD tem quantos temas?

Tem 11 temas mais uma faixa bónus track em dueto com o José Cid. 12 no total.

Cinco músicos acompanharam o fadista em palco. Foto: Luis Filipe do Carmo

O que espera alcançar com este lançamento e este espetáculo?

Espero acima de tudo que tenha sido um dia de festa e que seja o culminar de um projeto adiado devido à pandemia. Quero mostrar o meu trabalho e dos músicos que me acompanham neste projeto que tanto gosto nos deu fazer e tentar que o mesmo chegue o mais longe possível.

Como fadista, quais as suas expectativas quanto ao futuro?

As expectativas são as generalizadas de todos os fadistas creio eu… Ter espetáculos, fazer o que mais se gosta e tentar que o público nos acolha nas suas preferências musicais.

 

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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