Chamusca | ‘Estou no Trabalho’ é nome de café na Parreira (e é também uma boa desculpa)

“Onde é que estás?”. “Estou no trabalho!”. Esta é a conversa que mais se ouve na aldeia de Parreira, no concelho da Chamusca. É que o principal café da aldeia chama-se justamente “Estou no Trabalho”, nome que surgiu por sugestão dos próprios clientes, confidenciou ao mediotejo.net a funcionária Marisa Varela.

“A malta vinha do trabalho, juntava-se aqui e começaram a dizer que era bom que o café se chamasse ‘Estou no Trabalho’…2, recorda. “Para as nossas mulheres não saberem onde é que estamos”, argumentavam os clientes.

E, olhando de relance para a esplanada, constatamos que a clientela é maioritariamente masculina. É no café “Estou no Trabalho” que se juntam, sobretudo ao fim do dia, depois de um dia de labuta.

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Expedita e atenciosa, enquanto atende os clientes, Marisa explica que o café chamava-se KomeseKá. Mas há cerca de dois anos, mudou de gerência, de marca de café e de nome. Os novos proprietários, Tânia e Filipe Oliveira, ele natural da aldeia do Chouto, que pertence à mesma freguesia, residiam em Lisboa e decidiram regressar e investir na Parreira.

Aproveitando a sugestão dos clientes e numa lógica de criar um nome diferente e que cativasse, em dezembro de 2018 operou-se a mudança de “KomeseKá” para “Estou no Trabalho”.

“Assim, saem do trabalho e vêm para o trabalho, se a esposa ligar e perguntar “estás aonde?” eles respondem “estou no trabalho”. Estão sempre no trabalho”, diz Marisa a sorrir com a brincadeira que é sempre tema de conversa entre os clientes.

Adivinhando a resposta à pergunta, há quem acrescente quando questiona onde está, se é no primeiro ou no segundo trabalho.

Mesmo com algumas restrições em tempo de pandemia, o café “Estou no Trabalho” é o ponto de encontro ao fim do dia. À sexta feira os petiscos complementam a cerveja, bebida mais consumida no estabelecimento.

Numa aldeia com poucas alternativas para ocupar o tempo livre, o jogo do prego é um dos motivos de atração do café, em especial para as camadas mais jovens.

Mas, garante a anfitriã, “este é um sítio acolhedor, onde toda a gente é bem-vinda”.

Marisa Varela é a funcionária do café. Foto: mediotejo.net

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José Gaio
Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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