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Quinta-feira, Outubro 28, 2021

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Chamusca | Empresas do Eco Parque do Relvão apostam nas simbioses industriais

A Associação Eco Parque do Relvão (EPR), que reúne 19 empresas e instituições na Chamusca, vai dinamizar o projeto EPR.COLAB que visa a criação de um sistema de gestão de simbioses industriais entre as empresas do parque e a região envolvente. Se já havia a intenção, o projeto ganhou novo impulso e vai avançar depois do workshop realizado no dia 22 no centro de artesanato da Chamusca que reuniu cerca de 70 pessoas.

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O projecto EPR.COLAB, que foi apresentado naquele encontro, tem como objetivo “promover a cooperação entre empresas e internalizar na Associação os processos conducentes a essa cooperação”, explicou Domingos Saraiva, na sessão de abertura.

O CEO da Associação Eco Parque do Relvão lembrou que “a cooperação entre as empresas instaladas no EPR e na região envolvente foi sempre um dos princípios fundadores do EPR”. O encontro representou o arranque de “um dos projetos bandeira da Associação EPR, e que concretiza o objetivo particular de promover ações de eficiência coletiva, em particular dinamizando simbioses industriais”.

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Domingos Saraiva começou por fazer um historial do processo de criação do EPR e que está relacionado com a decisão de instalar CIRVER – centros integrados de recuperação, valorização e eliminação de resíduos perigosos naquela zona industrial, onde já existia a RESITEJO e a RIBTEJO.

Na primeira década do séc. XX, a Câmara Municipal da Chamusca, com o apoio de varias entidades locais e do meio académico, desenvolveu um trabalho de conceptualização e de atracão de empresas para o que viria a ser conhecido como Eco Parque do Relvão.

A atual situação do Eco Parque do Relvão (Foto: DR)

Entre 2004 e 2010, instalaram-se várias empresas no EPR, entre elas os CIRVER, que trouxeram investimento e criaram emprego na região, contrariando as dinâmicas negativas existentes no resto do país, conforme sublinhou Domingos Saraiva.

No entanto, a crise económica, sobretudo entre 2010 e 2014, afetou o desenvolvimento do Eco Parque, tendo-se verificado mesmo o encerramento de empresas ou o adiamento de investimentos programados.

Nos últimos três anos, a Câmara e várias entidades locais “encabeçaram um esforço de promover a dinâmica do EPR, abordando alguns dos constrangimentos e potenciando as oportunidades existentes”. O CEO destacou as recentes inaugurações de unidades de tratamento de resíduos hospitalares em 2015 e 2016, que constituem também potenciais projetos âncora para o EPR.

Depois de alguns anos numa fase adormecida, a Associação EPR foi refundada em 2016.

Coube a António Lorena, Managing Partner da empresa de consultoria 3Drivers, apresentar a avaliação do potencial estratégico do EPR e do projeto EPR.COLAB.

Domingos Saraiva, CEO da Associação Eco Parque do Relvão e António Lorena, Managing Partner da consultora 3Drivers (Foto: mediotejo.net)

Depois de fazer uma perspetiva histórica do empreendimento e abordar o contexto socioeconómico da Chamusca, referiu que já estão a operar no EPR 19 empresas e outras tantas já demonstraram interesse de se instalarem.

Realçou também o que isto representa em termos de criação de emprego, não deixando de registar os constrangimentos ao investimento transversais ao país entre 2010 e 2015, período que se caracterizou também “por dificuldades nos licenciamentos e na afetação de terrenos”.

O problema das acessibilidades

Em quase todas as intervenções, o tema das acessibilidades foi apresentado como sendo o principal constrangimento do Eco Parque do Relvão.

Autarcas, empresários e técnicos consideram de extrema importância e urgência o “fecho do IC3”, ou seja a ligação da A13 em Atalaia (Vila Nova da Barquinha) a Almeirim, que incluiria uma nova travessia sobre o rio Tejo.

De acordo com os estudos já conhecidos, o lanço do IC3 Vila Nova da Barquinha/Golegã/Chamusca divide-se em dois sublanços, correspondentes a fases distintas de desenvolvimento de projeto: − Sublanço Vila Nova Barquinha / Golegã, em fase de estudo prévio, com cerca de 6 km; − Sublanço Golegã / Chamusca, em fase de Projeto Base, com cerca de 5,5 km.

Uma nova travessia sobre o rio e esta ligação rodoviária foi considerada por todos “fundamental para o desenvolvimento do eco parque”.

Neste momento está a ser feito um estudo de tráfego, cujos primeiros resultados revelam um fluxo de trânsito surpreendente na zona da Chamusca.

Paulo Queimado destacou o potencial que existe no seu concelho (Foto: mediotejo.net)

O desafio das simbioses

António Lorena apresentou uma análise SWOT (pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças) do eco parque onde identificou um potencial de 179 simbioses industriais, ou seja, a possibilidade de partilha de recursos e de criação de sinergias entre empresas. As áreas onde tal seria possível seriam, por exemplo, a nível da segurança, do tratamento de águas residuais e dos refeitórios.

“É um desafio e é preciso ter espírito aberto”, concluiu lançando o repto aos empresários para a concretização dessas simbioses.

A segunda parte do workshop consistiu numa mesa redonda moderada por Eduardo Oliveira e Silva e com a participação de Manuel Simões, Administrador da ECODEAL – Gestão Integral de Resíduos Perigosos e Não Perigosos, Luís Luís, Administrador da COMPONATURA (gestão de resíduos biodegradáveis) e Pedro Afonso Paulo, Administrador do CITRI – Centro Integrado de Tratamento de Resíduos Industriais, SA.

A sessão terminou com a intervenção do Presidente da Câmara Municipal da Chamusca que enalteceu a realização do workshop pelo contributo que representa na partilha de informação e na procura das melhores soluções.

Paulo Queimado referiu-se aos problemas do ruido e das portagens, aos constrangimentos de trânsito e à necessidade de uma nova ponte e de ligação à A13.

Sublinhando o “potencial enorme” que existe no seu concelho, deixou recados à CCDR – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional para a necessidade de um “documento facilitador” em termos de ordenamento do território.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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