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Domingo, Outubro 24, 2021

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Chamusca | De Porto das Mulheres a “praia dos tesos” (c/ vídeo)

Na margem esquerda do rio Tejo, a escassas centenas de metros da vila da Chamusca, localiza-se o Porto das Mulheres, assim designado por ser ali que, em tempos idos, as mulheres lavavam a roupa. Hoje funciona como espaço de lazer e praia fluvial e o povo chama-lhe “praia dos tesos”.

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Neste tempo de canícula, fomos à descoberta do Porto das Mulheres, da sua história e da fruição que atualmente proporciona aos veraneantes.

Da vila, seguimos por uma estrada em linha reta, ladeada por palmeiras, que liga ao rio. Do antigo porto resta apenas o nome, inscrito num painel de azulejos à entrada.

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No livro “Abrigos da Memória”, o investigador António Matias Coelho, refere a existência no concelho de três portos cujos nomes o povo mantém e usa todos os dias – Porto da Cortiça, Porto do Carvão, Porto das Mulheres – e que são “memórias vivas e significativas dessa azáfama do transporte fluvial em que a Chamusca intensamente participou”.

Segundo o mesmo autor, em meados do século XVI havia no Tejo, incluindo o estuário, entre as fainas do transporte e da pesca, 1490 barcos. “A Chamusca, que na contagem da época nos surge junta com outros portos de menor dimensão, como a Golegã e a Azinhaga, tinha, com eles, 50 embarcações”.

“Por estes números se pode imaginar a vida que então o Tejo tinha e o volume das riquezas que por ele circulavam, num tempo em que um barco de média dimensão poderia ir por ele arriba até Vila Velha ou mais além”, lê-se no citado livro.

Daquilo que até à década de 30 do século passado era um dos três portos de transporte fluvial e espaço utilizado pelas mulheres para lavar a roupa, resta apenas o nome.

Na viragem do século, a Câmara liderada por Sérgio Carrinho investiu no local e criou ali um espaço de lazer, refúgio ideal para os dias de mais calor.

Ali chegámos num dia de semana, tranquilo e quente, convidativo para estar à beira da água. No parque, três carros estacionados, mais perto da água outras duas viaturas e uma tenda montada debaixo de uma árvore.

Aproximamo-nos de um casal com uma criança. Assavam frango e lulas na brasa num dos dois grelhadores instalados no local.

As famílias aproveitam o espaço para fazer piqueniques. Foto: mediotejo.net

Oriundo de Torres Novas, o casal desconhecia que aquele espaço se chamava Porto das Mulheres. De conversa fácil, os dois relatam como há um ano descobriram, através de um casal amigo, aquele recanto e porque ali se deslocam dezenas de vezes no verão.

“A gente trabalha por turnos, nem sempre possibilita, mas quando a gente tem folga vimos sempre aqui um bocadinho”, conta Rui Antunes. Uns metros ao lado está uma tenda montada, de um casal da Marinha Grande que costuma ali acampar.

“Isto é mais sossegado do que as praias, mas ao fim de semana isto tem mais gente”, diz Rui Antunes que aponta o sossego como o aspeto mais positivo do local. Acrescenta que “é um sítio muito bom para se passar um dia em família, é tranquilo e é seguro para as crianças”.

O que considera essencial e que acha que falta são instalações sanitárias. “Faz aqui muita falta, por isso temos de nos desenrascar e vamos ali para o milharal”, lamenta.

Outro aspeto que critica é a falta de civismo de algumas pessoas. Apesar de haver um contentor à entrada do espaço, há quem deixe o lixo espalhado. O casal sempre que ali chega, a primeira atividade que faz é varrer, lavar e recolher lixo do chão, do grelhador e da mesa. “A gente chega aqui tem de fazer uma limpeza geral a isto tudo”, explica, apontando para o saco de lixo.

O visitante considera que o “Porto das Mulheres” devia estar “mais bem aproveitado, mais ajeitado e mais limpo” no sentido de se “tornar mais agradável para as pessoas”. Sugere que a Câmara coloque mais sinalização a apelar à consciência cívica dos utilizadores.

Na zona dos piqueniques, resta apenas uma mesa de madeira. A outra que existia foi levada pela última cheia já este ano. Para os banhistas existe duche e uma torneira para lavar loiça ou beber água.

Como atividades, além dos piqueniques, ali pode-se nadar junto à margem, longe do caudal principal que é perigoso, apanhar ameijoa, pescar ou simplesmente descansar e usufruir da beleza única do rio Tejo.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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