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Sábado, Julho 24, 2021

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CenOurém: Aquele momento em que Ourém se une para fazer (bom) teatro (c/vídeo)

No teatro vive-se uma situação caricata: o estado permanente é de caos e colapso, mas misteriosamente corre sempre tudo bem! A deixa é do filme Shakespare in Love (1998), êxito dos óscares em 1999, que faz uma (cómica) dissertação em torno dos altos e baixos do mundo do palco. Em Ourém, no ano de 2016, as mulheres não precisam de se mascarar de homens para poder atuar, mas muitas fazem-no no intuito de os poderem representar. O Cenourém reuniu este ano oito grupos de teatro amadores do concelho ao longo de dois meses de espetáculos. E há muitos talentos, e argumentos, a ter em conta.

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"Cenas Insólitas da Cidade Furtiva", pelo grupo de teatro da Associação Recreativa e Cultural Atouguiense (ARCA). foto mediotejo.net
“Cenas Insólitas da Cidade Furtiva”, pelo grupo de teatro da Associação Recreativa e Cultural Atouguiense (ARCA). foto mediotejo.net

O Cenourém arrancou em 1998 e tem feito escola nos últimos 18 anos, com vários grupos de teatro amador a nascerem e a participarem neste pequeno festival, organizado pelo município e pela empresa municipal OurémViva. Cinco associações e três escolas subiram ao palco do Cine-teatro municipal para apresentarem ao público, entre abril e maio, o seu trabalho, nem sempre fácil, de construção e representação de um texto com mais de uma hora de atuação.

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Apesar dos problemas e ajustes de horário, o professor Paulo Marques, da EB 2,3 Cónego Dr. Manuel Lopes Perdigão, em Caxarias, conseguiu reunir 47 alunos no seu projeto de adaptação da peça “Um Violino no Telhado”, integrando vários clubes da escola. Os ensaios realizaram-se uma vez por semana, depois das aulas, e algumas vezes decorreram ao sábado. Dia 5 de maio porém não houve problemas e um discurso bem treinado, apoiado pelos professores, trouxe a Rússia dos princípios do século XX a Ourém.

"As Lições do MPP" Associação dos Andrés. foto mediotejo.net
“As Lições do MPP”
Associação dos Andrés. foto mediotejo.net

Para este professor/ator amador apaixonado por musicais, o que o motiva no teatro é a “possibilidade em palco de dar corpo a um outro personagem que não o eu do dia-a-dia”, comenta. “Viver uma história, um momento e um sentimento diferente daquilo que se costuma viver habitualmente”.

Mas se para os mais novos o sonho da atuação é ainda possível fora das paredes da escola, para os mais velhos o Cenourém e os seus grupos de teatro amador são a última forma de concretizar ambições de outros tempos, que ficaram por realizar. Assim o constata Paulo Santos, 40 anos, encenador da peça “Cenas Insólitas na cidade furtiva”, do grupo amador de teatro da Associação Recreativa e Cultural Atouguiense (ARCA), comentando que a atuação dá alguma vida à rotina de pessoas com uma certa idade. E “isso para eles é bom, mantêm-se ocupados”, reflete.

"Morte no Solar" Escola Secundária de Ourém. foto mediotejo.net
“Morte no Solar da Azinheira – a peça que corre mal” Escola Secundária de Ourém. foto mediotejo.net

No palco do Cine-teatro ouviram-se gargalhadas e algumas lágrimas, com alunos finalistas a despedirem-se dos seus grupos de teatro de escola. Outros, mesmo já não participando, fizeram questão de assistir ao trabalho dos colegas e felicitá-los, como foi o caso Catarina Ferreira, 17 anos, ex-aluna da EB 2,3 de Caxarias. Admitindo que o que mais admira no teatro é todo o “espírito” que o envolve, confessou que “é muito gratificante receber uma salva de palmas no final”.

Há cerca de uma dezena de grupos de teatro no concelho de Ourém, referiu ao mediotejo.net a responsável da organização, Ana Saraiva. O primeiro, que deu origem ao certame em 1998, foi o grupo “Murmúrios”.

O Cenourém termina a 27 de maio, com a atuação do grupo de teatro Apollo, de Pêras Ruivas, com a peça “Passarolos & Companhia”.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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