“Catellan, o Artista”, por Massimo Esposito

Maurizio Catellan não sabe pintar e provavelmente desenhar. Sabe fazer móveis, mas já passou muito tempo desde o ultimo que fez…se é que o fez. Mas é um dos artistas mais cotados do mundo, o que chama mais atenção e criticas, positivas e negativas.

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As positivas são as avaliações das suas obras que chegam a 17,2 milhões de dólares (uma escultura que retratava Hitler ajoelhado) mas talvez a mais famosa seja a do Papa colhido por um meteorito, a nona hora, que causou a ira do Vaticano e do mundo católico.

Catellan nasceu em Padova, Itália, e é filho de uma mulher de limpezas e de um motorista de camiões. Desde pequeno a sua característica principal foi “o sarcasmo”, o que lhe criou vários problemas já na escola. Esta característica, em conjunto com uma visão muito pessoal da arte, levou-o a frequentar artistas e galeristas chegando a ser conhecido como o post-Duchamp (artista Dadá dos anos vinte) e até criou uma obra similar ao de Duchamp mas muito mais valiosa que foi roubada durante uma exposição, um mictório em ouro maciço.

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Pendurou um cavalo embalsamado e varias esculturas que o retratam ao pormenor, demonstrando uma fine autocrítica e humorismo, fundou uma revista onde publica imagens “roubadas“ de outras revistas e de catálogos de arte, é curador de várias exposições a nível mundial e, se lermos a sua biografia, encontramos vários momentos realmente hilariantes e estranhos.

Mas hoje ele é mais famoso pela “Banana de Catellan” obra exposta na Miami Fair Art e vendida por 120.000 dólares e que é uma imagem persistente nos midia e redes sociais e aqui vem o meu pensamento: a Catellan não o podemos por ao lado de artistas como Roberto Ferri, Paula Rego e outros “monstros” do desenho e pintura contemporânea, talvez o possamos fazer com Jeff Koons e Joana Vasconcelos, que dão ideias e outros trabalham, mas a diferença é mesmo no uso e abuso do conceito “ARTE” onde Catellan se diferencia.

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Sarcasticamente faz-se de artista, frequenta e dirige o ambiente cultural, mas fá-lo com humorismo desfrutando das ideias confusas de hoje e de ricos ignorantes que, só para serem mais famosos, adquirem as suas obras, e as vezes até as comem, só para ter o tal certificado de ser o feliz possuidor desta banana o do esquilo embalsamado do grande Catellan.

Com certeza ele sabe-se vender e vai tornar-se ainda mais famoso. E é isto que admiro dele. A sua postura natural, sorridente e positiva num ambiente artístico contemporâneo cheio de dúvidas e de confusões e que ele desfruta com um perfeito à vontade.

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